terça-feira, 26 de julho de 2011

100 Tesouros de Arte Sacra Nacional no jornal Público


  

De 8 de Agosto a 1 de Dezembro, será publicado um conjunto de 100 obras de arte sacra, no suplemento P2 do Jornal Público. A não perder, de 2ª a Sábado!

Mais informação em http://www.bensculturais.com

   Prosseguindo o esforço de valorização do património eclesial, o Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja estabeleceu recentemente uma colaboração diária com o Jornal Público, tendo em vista a divulgação de peças de arte sacra nacional. Iniciativa integrada no projecto “Tesouros de Arte Sacra”, com início a partir do próximo mês de Agosto, materializa-se na publicação de um total de 100 obras, no suplemento P2 do referido Jornal, provenientes das diversas dioceses portuguesas, entre estas a Diocese de Aveiro.
   Edição periódica de ampla distribuição nacional, constitui, sem dúvida, uma oportunidade única de difusão. Património que urge valorizar, uma divulgação activa e eficaz não se reduz, com efeito, à simples partilha da informação, mas antes à sua potenciação pastoral e cultural, como instrumento catequético e de formação, assim, colocado ao serviço de todos e em proveito da comunidade.
Hugo Calão

São Pedro Gonçalves Telmo - escultura em pedra

Esta representação de São Pedro Gonçalves Telmo é uma das imagens devocionais de importância do espaço ribeirinho da cidade de Aveiro. Outrora venerada na Capela do Corpo Santo ou São João do Rossio de Aveiro, demolida em 30 de Novembro de 1910, numa fase em que os atentados do novo regime republicano contra a Igreja Católica se acendiam, esta imagem encontra-se hoje deslocada na Capela de Nossa Senhora das Areias na praia de São Jacinto.
  São Pedro Gonçalves Telmo, santo nascido em Palência, município do norte de Espanha, teve grande ligação à Galiza, ao Minho e ao litoral norte português. Viveu aproximadamente de 1190 a 1246.
Foi director da Ordem Dominicana em Guimarães onde, por volta de 1240, presidiu à entrada de São Gonçalo de Amarante naquela Ordem.
  Santo padroeiro e protector dos mareantes em naufrágio está-lhe associada a glória dos descobrimentos portugueses, à qual o porto de Aveiro muito contribuiu pela decisiva importância do comércio de sal, da cerâmica e emprego de homens de saber e mestria náutica.
  A Igreja do Corpo Santo ou de São João do Rossio, capela secular, outrora existente no ângulo da Ria de Aveiro junto ao antigo cais de embarcações, era pertença da Confraria do Corpo Santo de mareantes de Aveiro, com o costume de ofertas votivas das velas rasgadas pelas vagas enraivecidas das tempestades no alto mar. Nesta capela foi igualmente fundada a Ordem Terceira de São Francisco em Aveiro no ano de 1670.

Vista do centro da cidade e do canal da ria de Aveiro, vendo-se no fundo a Capela do Corpo Santo ou de São João do Rossio, c. 1905

   A escultura apresenta alguma rigidez formal, causada pela subordinação à forma do bloco pétreo, rigidez essa que é atenuada pelo arredondamento conferido aos contornos da imagem e pelo cuidado no esculpir das formas como se pode verificar no friso de madeixas contracurvadas do cabelo tonsurado. O santo é representado de frente, com os braços encostados ao corpo, flectidos, sendo que a mão direita segura um círio aceso a esquerda, soerguida, segura um livro fechado. O rosto é de formato oval e apresenta olhos amendoados. São Pedro Gonçalves Telmo é representado com hábito dominicano vestindo capa preta com capuz, sobre túnica branca. Na zona inferior da imagem, sobre a base, na zona frontal, encontra-se representada uma embarcação com um mastro central sobre o qual se encontra um cesto de gávea, formando uma pequena superfície de apoio, circundado das enxárcias do velame. A policromia aparenta ser a original.

Vista do canal da ria de Aveiro com a Capela do Corpo Santo ou de São João do Rossio parcialmente demolida em Novembro de 1910

  Encontrando-se Aveiro numa zona caracterizada por uma grande produção de imagens em pedra calcária (desde a transição do Românico para o Gótico até ao Renascimento), não admira encontrarmos nas colecções de escultura das cento e uma paróquias da Diocese exemplares deste género. Partindo a maior parte desta produção da cidade de Coimbra e contaminando toda a zona circunvizinha, Aveiro, Viseu e Leiria, a imaginária em pedra calcária, suporte para maior parte destas esculturas, encontra importantes jazidas pouco distantes, no concelho de Cantanhede, mais precisamente nas freguesias de Ançã, Portunhos e Outil, de onde se extrai a famosa pedra de Ançã. A abundância destas pedreiras permitiu o incremento da actividade escultórica que tornaram esta região num dos mais importantes centros do país neste domínio.

  Nas duas paróquias correspondentes ao núcleo central de Aveiro, constituído pela Paróquia de Nossa Senhora da Glória e pela Paróquia da Vera Cruz de Aveiro, destacamos também, para o séc. 15 as seguintes: uma imagem de São Gonçalo de Amarante na Igreja de Nossa Senhora da Apresentação de Aveiro e uma imagem de São Roque existente na capela de Nossa Senhora das Febres, junto ao canal de São Roque.

  Testemunho da época medieval e de um gótico tardio, estas esculturas, pela sua raridade, são de inestimável valor devocional e patrimonial. A esta, em particular, acresce o valor da temática náutica e da expansão marítima portuguesa, interligando duas vertentes importantíssimas da história aveirense, a principal actividade económica regional, a pesca em alto mar, com a religiosidade.

Hugo Cálão
Mestre em História e Património

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A intervenção na Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Apresentação de Aveiro durante o período de renovação artística retabular e imaginária (1714-1725)

Hugo Cálão
Mestre em História e Património


Conjunto de talha dos retábulos da Igreja de Nossa Senhora da Apresentação de Aveiro
 séc. XVIII d.C.  – primeiro quartel
Talha e ensamblagem de elementos com entalhes de topo e espigas de madeira de castanho, colas e preparados de gesso e douramento


   O magnífico conjunto de talha da capela-mor da Igreja de Nossa Senhora da Apresentação de Aveiro (retábulo-mor, tecto e ilhargas), assim como o arco cruzeiro e altares colaterais da mesma igreja, são obra dos conhecidos entalhadores Francisco Machado e do mestre Manuel Vieira. Francisco Machado do Couto de Landim, foi mestre dos retábulo-mor da Sé de Viseu e cadeiral e retábulo-mor da Igreja de Azurara de Vila do Conde. Manuel Vieira, mestre entalhador e imaginário da Igreja de São Vicente de Sousa em Felgueiras (1703), do retábulo mor da Igreja de São Pedro de Vila Real e da Igreja de São Bento da Vitória no Porto na obra das ilhargas do cadeiral e coro alto.
   Atribui-se-lhes também a autoria das quatro imagens principais desta Igreja: a Virgem da Apresentação, São Salvador, São Nicolau e São Miguel Arcanjo. Em 20 de Fevereiro de 1723, a Confraria do Santíssimo Sacramento da Igreja da freguesia de Nossa Senhora da Apresentação fez contrato com os mestres pintores e douradores, José Moreira Coutinho e seu cunhado Francisco Barbosa Monteiro para douramento de todo o conjunto e imagens. O trabalho de talha inclui-se no período Pedrino de estilo nacional, introduzido já tribuna no retábulo-mor. No arco cruzeiro e nas paredes laterais há uma série de painéis de plumagem “acântica”, englobando pequenas figuras de meninos que estilisticamente lembram a talha, contratada em 1704, do cadeiral de São Bento da Vitória e mais tarde se verá também na capela-mor de São Pedro de Miragaia no Porto. Os baixos-relevos dos altares colaterais da apresentação da Virgem e de São Salvador também vêem similitudes dos baixos-relevos de São Bento da Vitória do Porto.

   O actual trono do retábulo da Igreja da Apresentação é posterior. É obra de Geraldo Machado e José Francisco entalhadores do Porto, que a arremataram por cinquenta e cinco mil réis, e de que se lavraram o respectivo contrato de obrigação, em 4 de Julho de 1774, e a escritura de fiança, em 6 de Julho deste ano.
Sanefa da porta lateral
Manuel Ferreira de Sousa filho, 1779

   O conjunto de sanefas e florões de tecto, executado para a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação por Manuel Ferreira de Sousa filho em 1779, é idêntico ao trabalho realizado por este entalhador para a Igreja do Convento de Jesus de Aveiro (inv.º nº 168/M), e para o Convento de São João Evangelista (inv.º nº 213/M), ambos os conjuntos no Museu de Aveiro.

   A  obra das sanefas dos altares colaterais, do retábulo Senhora da Apresentação e São Salvador, importou no seu todo 20$000 réis, em 26 de Julho de 1779, como consta de documento da Irmandade do Santíssimo Sacramento, quantia partilhada pela Irmandade de Nossa Senhora da Apresentação.    No total importou a obra das dez sanefas e quatro florões de remate dos candeeiros 220$000 réis, 96$000 a sanefa grande do Arco Cruzeiro, 20$000 as dos colaterais como foi dito, 30$000 a dos altares laterais, contribuindo a Confraria das Almas com esta quantia, as seis sanefas das portas 50$000 réis e os quatro florões do tecto 24$000 réis.
   No primeiro quartel do séc. XIX as mesmas sanefas precisaram de ser limpas e rectificadas.
   Hoje existem apenas cinco sanefas das portas, tendo sido uma vendida, em 4 de Julho de 1972, juntamente com os restos da talha, assim como uma mesa credência e um Cristo grande de Marfim, arrecadando-se o valor de 33.0000$00 escudos, empregue pelo pároco Manuel Fernandes na obra do Centro Paroquial da Vera Cruz.

Virgem com o menino dita de 
Nossa Senhora da Apresentação 
séc. XVIII 1716-1723
Francisco Machado (mestre entalhador)
Proveniente da Igreja de Nossa Senhora
da Apresentação de Aveiro, hoje existente
na Igreja de Nossa Senhora das Areias 
de São Jacinto
   A imagem da Virgem da Apresentação, entalhada por Francisco Machado para a igreja de Nossa Senhora da Apresentação de Aveiro, encontra-se hoje afastada da sua primitiva igreja, deslocada na Igreja de Nossa Senhora das Areias de São Jacinto. Segura o menino nos braços e está iconograficamente ligada ao momento da apresentação no Templo, que celebra a sua festividade a 2 de Fevereiro. Maria, em obediência à lei mosaica, apresentou-se no Templo do Senhor, quarenta dias depois do nascimento de Jesus. Segundo a lei, a mulher que desse á luz uma criança do sexo masculino ficava privada de entrar no Templo durante quarenta dias a seguir ai parto; e se a criança era menina, o tempo de purificação era de oitenta dias. Passado esse tempo, devia apresentar-se no Templo e oferecer um cordeirinho, duas rolas ou pombos, e entregar a oferta ao sacerdote, para que este rezasse sobre ela. Com esta cerimónia, a mulher era aceite outra vez na comunhão dos fiéis, da qual a lei excluía por algum tempo, depois de ter dado á luz. Neste acto, Maria, sendo de origem nobre e descendente directa de David, oferece dois pombos, o sacrifício dos pobres. Acompanhada de José e do menino neste acto, Jesus menino é por dois profetas, o velho Simeão e Ana, abençoado e reconhecido como o Messias, o Salvador.

Fontes Documentais:
APVCAVR- Arquivo da Paróquia da Vera Cruz de Aveiro
ADAVR – Arquivo Distrital de Aveiro
ADPRT – Arquivo Distrital do Porto
BMA – Biblioteca Municipal de Aveiro
RANGEL DE QUADROS, José Reinaldo; Aveiro, origens, brasão e antigas freguesias, Paisagem editora, 1984
BRANDÃO, D. DOMINGOS DE PINHO; Obra de Talha dourada, ensamblagem e pintura na cidade e na diocese do Porto, Vol.II, 1985.

Cronologia da Documentação:

1. APVCAVR – Livro que serve para as disposições e termos da Confraria do Santíssimo desta freguesia da Apresentação, 1684. (ff.54-54v)

1714, 2 de Janeiro, Aveiro
Termo de obrigação para a recolha de fundos para a obra da Tribuna e Capela-mor da Igreja de Nossa senhora da Apresentação

Aos dois dias do mês de Janeiro deste presente anno de mil e settecentos e quatorze nesta villa de Aveiro e caza da sachristia da Confraria do Santíssimo Sacramento destta freguesia da Nossa Sra. da Apresentação desta villa de Aveiro, aonde estava o rev. Vigário da dita Freguesia Frei. Bernardo Dias de Arouca com a maior parte dos irmãos desta Confraria como hé costume foy propostto que nesta dita Igreja hera muito convenientte fazer-se uma obra de hua tribuna e Capella mor em forma para se nella assentar, por esttar muito danificada, e toda a Igreja sem aquele aceio e ornatto que se requer para o culto, na forma que hoje se achavam as mais freguesias que tinham concordado com as suas esmollas e tratavam de as ornar com todo o zello, e que, como esta sempre floresceu nestta freguesia com maior venttage, hera necessário cuidar em todos os meios de se conseguir estte bom intento; acordado que foi por todos uniformemente determinado que os mordomos e mais oficiais que de presente heram da dita Confraria do Senhor e os que adiante forem serão obrigados a deixar moeda e meia de ouro cada um livre para se por em depósito para a obra da dita Capela mor e Tribuna e as mais que se oferecerem na dita Igreja aqual logo entregaram na mão do thesoureiro que ao prezente he e ao diante for a saber hua moeda logo na primeira entrada e a meia moeda pela paschoa do ano em que servirem e que juntamente se tirassem as esmolas pela dita freguesia para se dar principio a dita obra como pedia a necessidade e que por rezam de concorrerem com a dita moeda e meia cada um dos oficiais que servem e servirem ao diante poderam cuartar os gastos que se costumavam fazer na despeza do sepulcro das endoenças e outras mais não faltando ao que for de contta e uso para o ornato do culto divino conforme se custuma expor o snr. nas festtas do ano ao que tudo disseram os ditos irmãos abaixo assinados e cada hu individuo se obrigavam a cumprir sem duvida alguma e que tos os que novamente elleitos e acceitos por irmãos acceitacem seus cargos ficariam todo o conteudo deste termo e obrigados a cumprillo e que desde logo e que desde logo queriam e requeriam ao Exmo. Snr. Bispo Conde lhe aprovasse e comfirmasse esttas determinadas como nella se constem e à sua ordem fossem obrigados todos os que faltarem ao refferido o que Deus não permita de que tudo foi este termo que todos assimam e eu João Correia de Macedo thesoureiro que de presente sirvo a escrevi e assinei por impedimento do escrivão da dita Confraria com ordem do rev. Vigário desta freguesia que assinou:

O Vigário Frei Bernardo Dias + assinaturas de irmãos (ff.54-54v)

2. APVCAVR – Livro que serve para as disposições e termos da Confraria do Santíssimo desta freguesia da Apresentação, 1684 (ff.12-12v)

1716, 2 de Janeiro, Aveiro

   Aos dois dias do mês de Janeiro de mil setecentos e dezasseis nesta vila de Aveiro e na caza da samchristia da Confraria do Santíssimo Sacramento desta freguesia de N. Senhora da Apresentação aonde estando o Rev. Vigário da dita Freguesia com a maior parte da dita Irmandade e Confraria, ali pelo dito Rev. Vigário foi proposto sobre os bens do Legado que deixou a dita Confraria Estêvão de Almeida e sua molher de que já se tinha alcançado uma sentença na relação do Porto e sobre a continuação das obras desta Igreja do comprimento da Irmandade que estavam por findar era necessário dispor e que fosse mais conveniente para continuação e aumento da dita Irmandade e Igreja. A vista do que por todos foi rezulvido que os rendimentos do Legado referido era urgente se despenderem nas obras da Capela-mor do Santíssimo Sacramento com o ornato e decência do culto divino do mesmo Senhor enquanto durarem as ditas obras aos eleitos deputados neste presente ano […]

(ff.14)
Este termo acima não tem effeito porque a terra do chão de que se trata digo de que se trata hé propriedade da Confraria e sempre excedeu de aluguer […]

3. ADAVR – Livro de Notariado de Manuel de Azevedo Botelho, 1712 a 1718 (ff.44-45)

1716, 24 de Janeiro, Aveiro

   Escritura de contrato e obrigação que fizeram o juiz e mais eleitos da Confraria do Santíssimo Sacramento da freguesia de Nossa Senhora da Apresentação com o mestre Francisco Machado, do couto de Landim.

   Saibam quantos este público instrumento de contrato e obrigação qual em direito de melhor se possa usa-lo de lei a virem que no ano de mil setecentos e dezasseis anos aos vinte e quatro do mês de Janeiro do dito ano nesta nobre e notável Vila de Aveiro nas moradas do doutor João Correia de Macedo desta Vila onde eu tabelião vim. E ali estavam de uma parte José Fernandes da Rosa Juiz da Confraria do Santíssimo sacramento de Nossa Senhora da Apresentação desta Vila e os eleitos Manuel Rodrigues Pinheiro, António da Cunha de Almeida e Geraldo dos Santos, João da Fonseca Themudo e o dito doutor João Correia de Macedo e Manuel dos Reis eleitos da mesma Confraria e de outra parte Francisco Machado, mestre entalhador, morador na freguesia de Landim, no lugar do Burgo, disse que estava ajustado e contratado com os ditos juiz e mais eleitos da dita Confraria do Santíssimo Sacramento de Nossa Senhora da Apresentação desta vila, para hes haver de fazer a obra do retábulo e tribuna da capela-mor da dita igreja, aonde há-de estar o sacrário do Santíssimo Sacramento da mesma freguesia…, cuja obra há-de dar feita na forma da planta em que ele dito mestre está assinado, e de mais a mais da dita planta, de acrescento, dois anjos de boa proporção que hão-de estar nos lados da peanha e trono da dita tribuna, como também os mais serafins e rapazes em toda a obra, conforme a arte o pedir; e outrossim que estava contratado e se obrigava a fazer a obra dos lados e tecto da mesma capela-mor, tudo na forma dos apontamentos em que ele doto mestre está assinado e o Mestre Manuel Vieira da Silva, que há-de ser obra que venha condizendo com o mesmo retábulo e tribuna, na forma dos mesmos apontamentos, tudo, assim a obra do retábulo como dos lados e tecto por cima da dita capela, em preço de quinhentos e vinte mil reis, com obrigação de assentada toda até quinze de Março do ano de setecentos e dezassete… Como também se obrigou a levantar mais o trono que está na planta em forma que fique somente o vão que há-de ocupar o resplendor que se há-de fazer também para a custódia por ele dito mestre, como também se obrigou a fazer a imagem de Nossa Senhora da Apresentação de três palmos […], que há-de estar no cimo do trono, quando não estiver o Santíssimo nele exposto […] E declaro que o altar há-de levar frontal entalhado.

Assinatura de Francisco Machado, mestre entalhador

Frontal do retabulo-mor da Igreja de Nossa Senhora da Apresentação de Aveiro

4. ADPRT – Livro do tabelião António Mendes e Matos; Po 9, 3ª série, nº10L (ff.212-213v)

1716, 21 de Fevereiro, Porto

Escritura de fiança dada por João de Torres Bezerra, mercador e morador na rua dos Canos, do Porto, ao entalhador Francisco Machado.

   Disse João Torres Bezerra que na melhor via de direito fiava, como de facto ficou por fiador e principal pagador pelo sobredito Francisco Machado a que ele faça e dê cumprimento a toda a dita obra da Igreja de Nossa Senhora da Apresentação. Interveio nesta escritura, como Procurador da Confraria de Nossa Senhora da Apresentação, Miguel Gonçalves França, tendo-lhe sido passada a procuração em 11 de Fevereiro de 1716.

5. APVCAVR –  Livro das contas de receita e despesa do Legado da Confraria do Santíssimo desta freguesia da Apresentação, 1716-1790


(f.5v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1717
Despesa –
A Domingos Dias de fazer o altar do Senhor de madeira e serviço, 1$540 reis
Importou a cruz de prata que se fez pela conta de Gabriel de Figueiredo, 15$480 reis
De um crucifixo para a mesma cruz, do feitio ao genro da Josefa (foi da pintura), $300 reis

(f.7) Receita e despesa deste Legado no ano de 1719
Despesa –
Do concerto de uma vidraça da capela mor, $300 reis
De 11 varas de esteiras de esparto para o Altar e dita Capela ao Manuel António Teixeira, 2$640 reis
De dois lampiões para as endoenças, $480 reis

(f.8) Receita e despesa deste Legado no ano de 1720
Despesa –
De 3 dúzias de arandelas que dez Domingos Dias para o retábulo, 1$440 reis
Pelo custo do arco cruzeiro da capela-mor do senhor entalhado pelo escrito do mesmo entalhador Francisco Machado de Landim, 140$000 reis

(f.10) Receita e despesa deste Legado no ano de 1722
Despesa –
De uma encomenda que se fez no camarote da tribuna da capela do Senhor pelo escrito e recibo do entalhador, 31$200 reis
(f.10v) De 24 vazos para os ramos que fez Domingo Dias marceneiro, $840 reis
De três dúzias de arandelas que mais fez o sobredito, 1$200 reis
De um Lampião maior que também fez, $300 reis
De pratear e dourar os vazos ao genro da Josefa, 3$000 reis
Ao esparteiro de duas sanefas e concerto nas estradas do Altar, $400 reis
Ao tintureiro Lourenço Queiroz de tingir as cortinas da boca da Tribuna, $360 reis
Do concerto de dois frontais branco e roxo do Altar-mor por Eliseu de Domingos de Pinto Singueiro, 3$407 reis
De tingir o dito frontal ao mesmo tintureiro, $120 reis

(f.11v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1723
Despesa –
De uma dúzia de tocheiras que fez o mestre Francisco Machado para a capela do senhor por recibo seu, 9$600 reis
(f.12) De limpar as tocheiras ao mestre Francisco Machado, $240 reis
De duas tábuas e uns paus ao dito mestre na forma do seu recibo incluído no das tocheiras, 1$200 reis

(f.21v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1724
Receita –
Por dinheiro que cobrei de Fernando de Magalhães da Vila de Esgueira que se lhe vendeu que hé pertencente a este legado  (azenha em Vale de Ílhavo), 600$000 reis
(f.22) Despesa –
Deve dinheiro para pagar os juros de cinco mil seiscentos e quarenta  reis que foi dinheiro que dei aos douradores no primeiro pagamento em vinte e oito de Maio de mil setecentos e vinte e quatro tempo de que corre os ditos juros, 5$640 reis

(f.30v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1730
Despesa –
Por dinheiro que despendi no conserto da porta da sacristia, $140 reis
Por dinheiro que despendi no conserto das fechaduras do caixão da sacristia, $240 reis
Por pregos para as fechaduras das gavetas, $020 reis

(f.31) Receita e despesa deste Legado no ano de 1732
Despesa –
Ao D.or Manuel Simões dos Reis do custo do ornato de dentro do sacrário, $320 reis
Para conserto das lanternas e turíbulos a Gabriel de Figueiredo, 12$300 reis

(f.38) Receita e despesa deste Legado no ano de 1733
Despesa –
Despendi de melanina branca para a guarda do sacrário e mais de galão de ouro, 4$275 reis
Despendi por seis carros de cal para as obras da sacristia (a 600 cada carro) , 3$600 reis
Despendi por 400 telhas para as mesmas obras, $880 reis
(ff.38v) Despendi por 5 carros de areia, $480 reis
Despendi por mais 4 carros de areia, $400 reis
Despendi por mais telha que se comprou para as mesmas obras, $160 reis
Despendi por 3 dias com serviço a Manuel de Paiva, $840 reis
Despendi com o oficial Filipe de Almeida 4 dias, $960 reis
Despendi com o servente António solteiro por 6 dias, $700 reis
Despendi com o servente Luís seu irmão por 3 dias, $420 reis
Despendi com o servente Manuel de Oliveira por 4 dias, $480 reis
Despendi com os demais oficiais e serviço, $360 reis
Despendi por 3 alqueires de cal fina e por um pote e um pincel para as ditas obras, $380 reis
(ff.39) Despendi pelas sucupiras de castanho que se compraram para se fazer as portas da sacristia, 3$530 reis
Despendi com a chave de prata para o sacrário com ourives Brás dos Santos, 1$920 reis
Despendi com uma vara de fita para a mesma chave, $720 reis
Despendi com os oficiais e serventes que andaram nas obras da parede que se fez para o caminho que vai da Palmeira de 5 carros de areia e mais os dias de se fazer as portas da sacristia, 3$240 reis
Despendi por um carro de pedra para a dita parede, $160 reis
Despendi mais com o servente João Francisco por dois dias, $240 reis
Despendi mais de cal e areia e oficiais, 1$020 reis
Despendi mais com o ourives Brás dos Santos de fazer novamente o hissope de prata em que meteu de prata e com o feitio, 3$000 reis
  
(f.39v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1734
Despesa –
Despendi com a ferragem que fez José da Cruz para as portas da sacristia, 3$100 reis
Despendi por um pé de cal para o conserto da parede que vai para a Palmeira, $600 reis
Despendi de jornais com os oficiais e serventes que ganharam nas obras do adro, 3$040 reis
Despendi por um véu de tafetá que comprei a Manuel Ferreira mercador, $280 reis
Despendi de se por as cortinas grandes na tribuna as quais pôs Manuel de Paiva, $120 reis
Despendi com os oficiais serventes areia madeiras pregos para conserto dos telhados, 2$792 reis
Despendi de chumbo que se comprou a Dionísio dos Santos e António da Cunha de Almeida para se chumbar as dobradiças das portas da sacristia, $720 reis
Despendi mais com o ourives Brás dos Santos que lhe dei em prata, $500 reis

(f.39v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1735
Despesa –
Despendi com o pintor António da Costa de pintar as portas da sacristia de verde, $880 reis
(ff.40) Despendi por uma esteira para o Altar mor, $300 reis
Despendi de um conserto nos telhados da sacristia, $330 reis
Despendi de mandar caiar as paredes do adro com cal servente e um pincel, $510 reis

(f.40v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1736
Despesa –
Despendi dúzia e meia de vasos que se mandaram fazer para o trono e por mais duas dobradiças que se consertaram para os armários da sacristia, $680 reis
Despendi por dois saca fundos de ferro para as lâmpadas, $200 reis
Despendi com Domingos Dias e Manuel de Paiva de por as lâmpadas, $240 reis
Despendi de mandar lavar o azulejo de toda a Igreja, $280 reis
Despendi com António da Costa de pintar dúzia e meia de vasos, $600 reis
Despendi com o latoeiro por fazer duas coberturas de latam para as lâmpadas, $600 reis


(f.41) Receita e despesa deste Legado no ano de 1737
Despesa –
Despendi por quatro rodas de arame grosso para as cadeias das lâmpadas a Dionísio dos Santos, 1$790 reis
Despendi por dois ferros para as lâmpadas e por estanho para os cadeados, $240 reis
Despendi de se caiar as paredes do adro com o caiador Domingos Melquim, $220 reis
Despendi do feitio das cadeias para as lâmpadas, 1$600 reis
Despendi de se fazer uma escada para as ditas lâmpadas, $520 reis
Despendi por 5 tábuas de solho e pregos a Domingos Dias e Manuel de Paiva, $240 reis

(f.42) Receita e despesa deste Legado no ano de 1738
Despesa –
Despendi por uma esteira para o Altar-mor a José da Costa, $300 reis
Despendi com uma rodela de latão para um dos ciriais de prata, $070 reis
Despendi com o caiador Domingos Melquim de caiar as paredes do adro e meia frontaria da Igreja sacristias e pia de baptizar em que gastou dois dias e 6 alqueires de cal, $480 reis
Despendi com o ourives Brás dos Santos de consertar duas varas de prata, 2$400 reis
Despendi com Domingos Dias de fazer duas varetas de madeira para as varas, $160 reis

(f.42v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1739
Despesa –
Despendi por repetidas vezes em várias parcelas com o ourives Brás dos Santos por conta das duas lâmpadas que se obrigou fazer por escritura pública como consta de recibos que passou por sua própria letra o dito Brás dos Santos, 215$810 reis

(f.53) Receita e despesa deste Legado no ano de 1740
Despesa –
Ao tintureiro de tingir uma manga velha do guião e concerto do ornamento roxo, $120 reis
De umas chaves para as grades da Igreja da parte da porta travessa, $110 reis
De um livro para os autos das entregas dos bens da sacristia, $340 reis
De branquear a caldeirinha e turíbulos e concerto, $280 reis
Dos castiçais e lanternas, $600 reis

(f.56v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1749
Despesa –
De madeira de castanho para o caixão da sachristia que se comprou na Feira de Março, 16$800 reis
De a conduzir em carros, $120 reis

(f.68) Receita e despesa deste Legado no ano de 1750
Despesa –
Despendi que dei a dois homens que levaram a madeira de casa do B.el P.o de Lemos para a Igreja, $200 reis
Despendo com óleo e oca para pintar duas tábuas da tribuna, $140 reis
Despendi com uma fechadura e um espelho para a porta da casa da cera, $120 reis

(f.68v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1751
Despesa –
Despendi com o concerto da naveta e hum castiçal e de limpar mais três, $800 reis
(f.69v) Despendi que dei a António Roiz de Cortegaça, de fazer o caixão novo que está na sacristia e paguei por:
todas as ferragens douradas, 34$100 reis
De 3 arráteis de cola, $360 reis
Com quem levou as madeiras da casa do Manuel, $180 reis
No total de…………………………………   34$640 reis
Despendi como respaldo e oratório que está em cima do caixão ao que paguei por dias:
Ao Manuel António Roiz – 20 dias a $240 reis, 4$800 reis
A um oficial – 11 dias a $220 reis, 2$420 reis
A outro – 13 dias a $220 reis, 2$860 reis
A outro – 3 dias a $220 reis, $660 reis
Ao rapaz – 21 dias a $100 reis, 2$100 reis
De pregos, $175 reis
De cola, $150 reis
No total de, 13$165 reis
Despendi com os oficiais que repararam o telhado das duas sacristias e guarnecer as mesmas por dentro, telha, tijolo, cal e três serventes, 8$570 reis
Despendi com o pintor que pintou as três portas das sacristias, janelas e grades das mesmas, $960 reis


(f.77v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1755
Despesa –
Despendi com 6 quadros e meio de Brim a $145 reis o quadro para o forro do pálio encarnado, $942 reis
Despendi de retroz para o dito, $040 reis
Despendi com quem concertou o dito pálio, $240 reis
Despendi com retroz para se fazerem 2 borlas e concertar 4 e 6 cordões para o pálio de cetim 10 onças e peças, 3$320 reis
Despendi com retrós azul para fazer 5 alamares no dito pálio, $200 reis
Despendi com quem fez as borlas e alamares, $760 reis
Despendi com um quadro e 3 terços de tafetá azul para concerto do forro do pálio, $450 reis
Despendi com quem consertou, $140 reis
Despendi com o ourives João Marques de limpar toda a prata da sacristia, 1$100 reis
Despendi com o conserto das caldeirinhas e turibulos, $100 reis
Despendi com o custo de uma chave e concerto de duas para o gavetão do caixão da sacristia, $700 reis
De quem fez o dito gavetão de duas gavetas, $800 reis
De uma tábua larga de castanho, $400 reis
Despendi com pregos cola e de quem levou as gavetas a casa do mestre, $140 reis
Despendi com 4 quadros de tela cru para concerto de uma capa de asperges, 2$400 reis

(f.78v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1757
Despesa –
Despendi com a sanefa de talha em pau para o púlpito, 8$000 reis
Despendi com o dourado da mesma sanefa, 7$000 reis
Despendi com 12 argolas para as cortinas do púlpito, $120 reis
Despendi com 12 quadros de damasco carmesim, 10$800 reis
Despendi de 13 onças de galão de ouro, 3$900 reis

(f.79v) Receita e despesa deste Legado no ano de 1759
Despesa –
Despendi com 6 lanternas de folha de flandres, 1$440 reis
Despendi com a pintura a óleo das mesmos, $250 reis
Despendi com o conserto de uma lanterna de prata, $200 reis
(f.80) Despendi por duas galhetas de cristal para a sacristia, $320 reis


(f.81) 1761, 3 de Julho, Aveiro
Acta de reunião da mesa do Santíssimo Sacramento da freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Aveiro

   Aos três dias do mês de Julho de mil setecentos e sessenta e um nesta cidade de Aveiro e sacristia da Confraria do Santíssimo Sacramento desta Paroquial Igreja da Senhora da Apresentação onde está o muito ver. D. Manuel Marques de Figueiredo vigário da mesma Igreja com a maior parte dos irmãos como também os tesoureiros do legado da confraria com os eleitos dela e juiz da Igreja. E aí sendo todos presentes para o que foram chamados a toque de sino pelo irmão tesoureiro do legado Manuel Marques foi representado que como tal tinha comprado tela que imitava a do ornamento que havia para as sanefas do pálio e que se precisava de consentimento dos oficiais da mesa eleitos, porem que não havia por ora dinheiro com que se comprasse mais pano e forro como também guarnições de franjões de ouro e o mais referido para condizer com o ornamento, e que expunha a esta mesa e irmãos para lhe dar a providência devida. E logo foi proposto pelo juiz da Irmandade António da Costa Cardoso era justo que como ao ornamento faltava uma das peças principais que era o pálio e já para ele se havia comprado o que representou o irmão do tesoureiro do Legado a que se lhe louvava o zelo se concluiu a obra de todo para ficar com perfeição e asseio devido para os ministérios e funções do festejo de Deus Sacramentado costumados na Confraria, e suposto de presente não houvesse dinheiro pronto se podia pedir emprestado por tempo de dois anos, cento e setenta mil reis, que segundo declarou o mesmo tesoureiro ser o preciso para completar o dito ornamento. Sendo ouvido todos votaram uniformemente era justo se concluir a obra do ornamento no pálio que faltava, que devia ser feito com aquela perfeição correspondente, as mais peças do ornamento e que à muito desejavam já ver acabada para honra de Deus Sacramentado sem necessidade de se pedir coisa alguma emprestada nas funções da obrigação da Confraria que respeitasse ao ornamento como algumas vezes se fazia e que se pediu a dita quantia de cento e cinquenta mil reis a juro para este efeito pelo tesoureiro do legado que poderá fazer escritura e obrigar os rendimentos da confraria ao próprio efeito para o que se necessário é, o constituem procurador concedendo-lhe os poderes necessários, e que como na forma sobredita se pode remir o próprio e juros dentro de dois anos. Dele se espera, como também de seu zelo, o último primor e perfeição do pálio na correspondência e no mais que pede a obra tanto do agrado de todos como de serviço de Deus, que de tudo mandaram fazer este termo que todos assinaram. Eu Tomás Lourenço de Aguiar irmão desta Confraria que por impedimento do escrivão dela o escrevi e assinei.  +Assinaturas


 ADPRT– Livro do tabelião António da Silva Santiago; Po 2, nº229 (ff.290-292v)

1724, 6 de Maio, Vila Nova de Gaia

Obrigação de obra que fazem os mestres douradores José Moreira Coutinho e Francisco Barbosa Monteiro a favor da Irmandade do Santíssimo sacramento da freguesia de Nossa senhora da apresentação da Vila de Aveiro, em 6 de Maio de 1724.

   Saibam quantos este público instrumento de contrato e obrigação de obra, condições, fiança e obrigações, tudo na forma ao diante declarada, ou como em direito melhor lugar haja e valer possa, virem que, no ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e vinte e quatro, aos seis dias do mês de Maio do dito ano, na Rua Nova Direita digo na Rua Direita deste Lugar de Vila Nova de Gaia, termo e jurisdição da muito nobre e sempre leal cidade do Porto, e casas de morada de Miguel Gonçalves, homem de negócio, aonde eu tabelião fui vindo, aí estava ele presente de uma parte, e bem assim estando da outra José Moreira Coutinho e Francisco Barbosa Monteiro, mestres douradores e pintores, moradores na Rua da Ferraria de Cima da dita cidade do Porto, todos pessoas reconhecidas de mim tabelião e das testemunhas ao diante assinadas. E logo pelo dito Miguel Gonçalves foi dito era procurador bastante do juiz e mais eleitos da Irmandade do Santíssimo Sacramento da freguesia de Nossa Senhora da Apresentação da Vila de Aveiro, como consta de sua procuração manuscrita da qual e seu reconhecimento que me apresentou o teor é o seguinte: - O juiz e mais eleitos da Irmandade de Nossa Senhora da Apresentação da Vila de Aveiro, pela presente por um de nós feita e assinada, fazemos nosso em todo bastante procurador ao Senhor Miguel Gonçalves, morador em Vila Nova do Porto, para que, em nosso nome, como se presente fôssemos, possa assinar a escritura de obrigação e contrato que fazemos com os Senhores José Monteiro Coutinho e Francisco Barbosa Monteiro, mestres douradores, moradores na cidade do Porto, na Ferraria de Cima, para haverem de dourar a capela digo o retábulo da capela-mor da dita freguesia com o tecto e ilhargas dela e arco cruzeiro e altares colaterais a eles pegados, na forma de um escrito que os ditos senhores nos fizeram, que com esta remetemos ao dito nosso procurador ao pé da escritura, que da dita obra nos havia feito o mestre dourador José Monteiro desta mesma cidade, já falecido, a que o dito escrito se refere, e com todas as cláusulas, obrigações e condições nele declaradas, que virá junto com a dita nova escritura que fizeram, e poderá o dito nosso procurador aceitar a fiança que na dita cidade lhe derem a esta obrigação e obrigar nossas pessoas e bens da dita Confraria ao cumprimento do dito contrato por nossa parte e a satisfazer todo o cômputo da dita obra declarado no dito escrito nos pagamentos de que nele se faz menção e tudo o pelo dito nosso procurador feito havemos por firme e valioso, sob a obrigação de nossas pessoas e bens da dita Confraria. Aveiro, vinte e oito de Março de mil setecentos e vinte e quatro – João Correia de Macedo - Manuel dos reis – João de Afonseca Temudo – Geraldo dos Santos – José Fernandes Rosa – António da Cunha de Almeida – Manuel Coelho – Reconhecimento. Reconheço a letra e sinais da procuração acima serem dos nomeados, todos desta Vila, em fé do que me assino em público e raso. Aveiro e de Março vinte e oito de mil setecentos e vinte e quatro anos; e eu Sebastião de Azevedo Botelho que o escrevi, em testemunho da verdade: - E é o que se continha na dita procuração, como nela se faz menção da escritura da obrigação que havia feito o mestre dourador José Monteiro, já defunto, morador que foi na dita cidade e também da que ao pé dela fizeram os ditos mestres José Moreira de Coutinho e Francisco Barbosa Monteiro a que eles partes referem a sua obrigação me requereu que, para sobre ela assentar a obriga que estes ditos mestres fazem e também seus fiadores, lhes tresladasse aqui o teor de tudo e da dita escritura e o teor de tudo d verbo ad verbum é o seguinte: -Em nome de Deus, Amém. Saibam quantos este público instrumento de escritura de contrato e obrigação, qual em direito melhor lugar haja e dizer se possa, virem, que, no ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de mil setecentos e vinte e três anos, aos vinte dias do mês de Fevereiro do dito ano, nesta nobre e notável Vila de Aveiro e nas moradas do Doutor João correia de Macedo, aonde eu tabelião vim, e aí estavam presentes de uma parte o juiz e mais eleitos da Confraria do senhor da igreja e freguesia de Nossa Senhora da Apresentação desta Vila de Aveiro, a saber, o doutor Manuel Nunes da Cruz e o Doutor João Correia de Macedo e Geraldo dos Santos, António da Cunha de Almeida, João Afonseca Temudo, o capitão Manuel dos reis e José Fernandes Rosa, e da outra José Monteiro de Azevedo, morador na cidade do Porto à Porta de Carros, mestre dourador, e Manuel Pinto Teixeira, mestre dourador e morador nesta Vila, e todos pessoas reconhecidas de mim tabelião pelos próprios aqui nomeados de que dou fé. E logo pelos ditos José Monteiro de Azevedo e Manuel Pinto Teixeira foi dito, perante mim e das testemunhas ao diante nomeadas e no desta nota assinadas, que eles estavam contratados e com efeito se obrigavam por este público instrumento a dourar o retábulo da capela-mor da dita freguesia de Nossa Senhora da Apresentação desta Vila com todo apainelamento do tecto e ilhargas da mesma capela e arco cruzeiro dela assim mais os retábulos colaterais que continuam com a mesma capela que são os de Nossa Senhora da Apresentação e o do salvador do mundo, de sorte que há-de ser dourado tudo de ouro bem subido e de maiores quilates e os Santos estofados e dois anjos que servem para o trono com arandelas dele e os mais do corpo da capela e uma Senhora que há-de estar no trono da tribuna tudo com o maior primor da arte. Como também disseram se obrigavam a fazer à sua custo em cada painel do tecto cinco diamantes para encher o campo de cada painel, os quais pregariam ás suas custas e dourariam na mesma forma, tudo em preço de oitocentos e trinta mil réis, dos quais lhes dariam duzentos mil réis ao tempo que começarem de aparelhar a dita obra, mais trinta dias menos trinta dias, e aí em diante acabada a obra sobredita lhes dariam cem mil réis por conta do dito cômputo e para o resto dele, não se lhes satisfazendo no fim da dita obra, se lhe pagariam juros de duzentos mil réis à razão de cinco por cento e o demais se lhes daria pagando as vinte moedas em cada ano até completar o dito cômputo de oitocentos e trinta mil réis, preço da dita obra, sem outra coisa mais alguma, e só lhes dariam andaimes feitos para a dita obra, e que nela entrariam passadas as oitavas da Páscoa deste presente ano de setecentos e vinte e três e dela se não tirariam sem ser acabada, com pena de que, faltando, perderiam cinquenta mil réis do cômputo dela, e com mais condição de que, tendo a dita obra algum, defeito de lhe saltar o ouro fora ou outro qualquer conhecido erro ou outro pertencente ao seu oficio e arte dentro de dez anos, seriam obrigados per si e seus herdeiros a fazê-la outra vez de novo às suas custas e despesas; e declarou ele dito José Monteiro que cumprindo com a sua obrigação na forma desta escritura e faltando-lhe com outros pagamentos acima conteúdos três dias depois que estiver ou mandar fazer esta Vila a cobrança do que lhe competir, se lhe pagaria a duzentos réis por dia; e que nesta forma disseram eles ditos mestres douradores se obrigavam a ter e manter este contrato por suas pessoas e bens em juízo e fora dele. E logo por ele dito juiz e mais eleitos da dita Irmandade e Confraria do Senhor foi dito a mim tabelião, perante as mesmas testemunhas no fim nomeadas e assinadas, que eles todos juntos per si e seus sucessores que na dita Irmandade servirem se obrigavam por suas pessoas e bens e os bens da mesma Confraria a ter e manter este contrato na forma que dito fica e o aceitavam e se obrigavam às condições e cláusulas dela. E logo pelo dito José Monteiro foi dito que se desaforava do juízo de seu foro, terra, jurisdição e domicilio e todas as liberdades para o Juízo de Fora desta vila que ‘e e ao diante for, onde não poderá ser ouvido sem repor tudo o que for obrigado nesta dita Irmandade; e, porque assim o quiseram e outorgaram, de tudo mandaram ser feito este instrumento nesta nota de mim tabelião que eu, como pessoa pública estipulante e aceitante, tudo estipulei e aceitei, tanto quanto devo e posso fazer em razão do meu ofício, para quem tocar ausente; e aqui assinaram eles ditos mestres e ele dito juiz e mais deputados da dita Irmandade no principio desta nomeados e sendo a tudo testemunhas presentes que tudo viram e ouviram ler esta, primeiro que assinassem, de mim tabelião, Francisco Pacheco Guerra, tabelião que o escrevi – Francisco Pacheco Guerra – José Monteiro de Azevedo – Manuel Pinto Teixeira – Manuel Nunes da Cruz – António da Cunha de Almeida – João de Afonseca Temudo – Manuel dos Reis – Geraldo dos Santos – José Fernandes Rosa – João Correia de Macedo – João Pinheiro – Miguel Roiz – ao qual instrumento eu sobredito Francisco Pacheco Guerra, tabelião público judicial e notas em esta nobre e notável Vila de Aveiro e seu termo, por provisão de Sua Majestade que Deus Guarde, aqui fiz tresladar bem e fielmente de meu próprio livro a que me reporto, que fica em meu poder e cartório a que me reporto, e em fé e testemunho de verdade me assino em público e raso de que uso nesta Vila. Aveiro, em o dia, mês e anos supra – sobredito Francisco Pacheco Guerra, tabelião, o subscrevi – lugar do sinal público – em fé e testemunho da verdade – Francisco de Pacheco Guerra. – Por este por um de nós feito e por ambos assinado, dizemos nós José Moreira Coutinho e Francisco Barbosa Monteiro, mestres douradores e moradores na cidade do Porto, na Ferraria de cima que nós estamos contratados com o Senhor Capitão Manuel dos Reis, tesoureiro das obras da freguesia de Nossa Senhora da apresentação e mais desta Vila de Aveiro e com os mais eleitos dela abaixo assinados e com efeito nos obrigamos a dourar o retábulo da capela-mor da dita Igreja com o tecto e apainelamento das ilhargas e arco cruzeiro e altares colaterais que nele pegam, com os Santos estofados na forma declarada na escritura atrás que fez José Monteiro, mestre dourador, e morador na dita cidade do Porto, já falecido, com todo o primor da arte e de ouro de maiores quilates, em preço de novecentos e quarenta mil reis, pagos na forma da mesma escritura do dito José Monteiro, e nos obrigamos a cumprir todas as condições, cláusulas e penas e tudo o mais que se contém na dita escritura, a qual ao fazer deste, lemos e vimos muito bem e havemos neste por expressas e declaradas todas as ditas cláusulas e condições porque desta nossa obrigação não vai outra diferença a respeito da dita escritura senão somente o preço acima referido a que obrigamos nossas pessoas e bens e a dar fiança será aceite por Miguel Gonçalves, mercador e morador em Vila Nova do Porto. E, por estarem presentes os mais eleitos, por eles foi dito aceitavam o dito contrato e se obrigavam pela sua parte a cumpri-lo em tudo por suas pessoas e bens da dita Confraria do Santíssimo Sacramento da dita freguesia que é da mesma capela-mor e para o culto do mesmo Senhor, e declaramos nós sobreditos mestres douradores que entraremos na dita obra a vinte de Abril deste presente ano de mil setecentos e vinte e quatro e dela não sairemos até ser finda, à pena de incorrer na condição posta na dita escritura sobre este em particular; e por verdade de tudo, eu sobredito Francisco Barbosa, fiz e assinei o presente por mim e a rogo dos mais acima nomeados e comigo assinaram, sendo também testemunhas presentes Manuel da Costa, esteireiro e Miguel Roiz, tanoeiro, ambos desta vila que também assinaram. Em Aveiro, vinte e um de Janeiro de mil setecentos e vinte e quatro – Francisco Barbosa Monteiro – José Moreira Coutinho – Manuel dos Reis – António da Cunha de Almeida – José Correia de Macedo – Miguel Roiz – Manuel da Costa. E não se continha mais na dita escritura de nova obrigação no fim dela, que eu tabelião aqui bem e fielmente trasladei da própria na verdade a que me reporto, as quais com a dita procuração ficam em poder dele dito Miguel Gonçalves, que, de como tudo recebeu, também aqui assinou no fim desta escritura. Pela qual disseram eles ditos Francisco Barbosa Monteiro e José Moreira Coutinho, mestres douradores, que eles ambos e cada um per si se obrigavam ora novamente por suas pessoas e bens, móveis e de raiz, presentes e futuros e terços de suas almas, a fazerem a dita obra na forma que se contém e declara na dita sua obrigação que por escritura fizeram muito voluntariamente ao pé da dita escritura debaixo das cláusulas, penas, condições e obrigações da qual se submetem e sujeitam assim como se com eles fora continuada a tal escritura ao tempo da factura dela e removem sobre si a mesma obrigação que tinha o dito José Monteiro, dourador já falecido, porquanto desta sua obrigação que eles mestres Francisco Barbosa Monteiro e José Moreira Coutinho fazem a que se contém na dita escritura a que se referem, não vai outra diferença senão tão somente o preço de novecentos e quarenta mil réis pactuados na dita obrigação manuscrita que ora novamente se estipulam nesta escritura; e, para não haver falta ao cumprimento de todo o conteúdo nela a que eles mestres ficam obrigados, apresentaram por seus fiadores e principais pagadores a António Nogueira, bate-folha, morador na Rua de Cima de Vila da dita cidade do Porto. E a Manuel Carneiro da Silva, ourives de prata, morador na Rua dos Canos da mesma cidade, pelos quais e por cada um de per si in solidum, que presentes estavam, pessoas outrossim conhecidas de mim tabelião, foi dito que eles de suas livres vontades ficavam, como ficam, por fiadores e principais pagadores dos ditos mestres Francisco Barbosa Monteiro e José Moreira Coutinho e os fiam a que eles dêem inteiro cumprimento à dita obra assim e na forma que ao juiz e mais eleitos da Irmandade da Santíssimo Sacramento da freguesia de Nossa senhora da Apresentação da Vila de Aveiro se lhes têm obrigado e que, não o fazendo eles assim, em tal caso se obrigavam eles seus fiadores a tudo pelos tais mestres satisfazerem, como se eles fiadores foram os próprios mestres que ajustaram a dita obra e como obrigação sua própria que desde logo tomam e removem sobre si, sem se haver respeito aos bens e fazendas deles mestres, senão só aos deles fiadores como principais pagadores, e isto debaixo de todas as condições, penas e obrigações conteúdas e incorporadas nesta escritura, a que se submetem e sujeitam e querem com eles fiadores tenham o mesmo efeito, pronto pagamento e execução, assim como o podem ter e está continuado com os sobreditos mestres; e ao cumprimento e inteira satisfação de todo o sobredito disseram eles fiadores e cada um de per si obrigavam suas pessoas e bens, móveis e de raiz, havidos e por haver, direito e acções deles e terços de suas almas. Assim o disseram eles ditos mestres José Moreira Coutinho e Francisco Barbosa Monteiro e os ditos fiadores e principais pagadores que queriam e são contentes que o dito juiz e eleitos da dita Irmandade, que de presente são e ao diante forem, possam realmente ser satisfeitos de toda a dita obra, na forma que dito fica, por todos eles mestres e fiadores ou por qualquer deles pegando por um largando e executando outro, sem que uns se possam escusar com os outros nem os outros com outros senão só tudo pagarem e satisfazerem todos ou qual o juiz e eleitos da dita Confraria lhes parecer e escolher quiserem; porém eles mestres se obrigam novamente por suas e bens a tirar a paz e a salvo aos ditos seus fiadores de toda a perda e dano que lhes vier por causa desta fiança que por eles faziam, e assim mais se obrigavam tanto os ditos mestres como seus fiadores e principais pagadores pelo nesta deduzido e suas dependências a responderem na dita Vila de Aveiro perante as justiças dela, aonde os demandar quiserem o juiz e eleitos que são ou ao diante forem da dita Irmandade, para o que se desaforam do juízo e justiças de seu foro e renunciam seus privilégios, domicilio, leis, liberdades, férias gerais e especiais, e a lei que há por nula a geral renunciação das leis, que de nada usarão salvo tudo cumprirem como dito é; assim o disseram e outorgaram e deles o aceitou o dito procurador Miguel Gonçalves, pelo qual foi dito que, em nome dos ditos seus constituintes e na forma de sua procuração, aceitava a referida obrigação e fiança, e que, dando eles mestres inteira satisfação, se obrigava pelas pessoas de seus constituintes e bens da dita Confraria a que eles pela sua parte dêem inteiro cumprimento ao dito contrato e á satisfação do cômputo da dita obra nesta escritura e no dito escrito nela tresladado e declarado que são novecentos e quarenta mil réis pagos de que nele se faz menção. Assim outorgaram eles partes e de parte a parte o aceitaram, de tudo requereram a mim tabelião este instrumento nesta nota lhes escrevesse onde assinaram com as testemunhas, depois de tudo lhes ser lido e declarado, e outorgaram os treslados em público necessários, o que tudo eu tabelião, como pessoa pública, estipulante e aceitante, deles partes o estipulei e aceitei por quem mais tocar possa ausente, quanto com direito devo e posso e se requer, ao que foram testemunhas: André Fernandes dos Santos, mercador, e Domingos da Silva, oleiro, e José Rois de Viana, todos três moradores nesta Rua Direita de Vila Nova de Gaia, e Manuel Mendes Ribeiro, morador na Rua da Ferraria de Cima da dita cidade, e eu, António da Silva Santiago, tabelião, o escrevi.
José Moreira Coutinho – Francisco Barbosa Monteiro – Miguel Gonçalves – Manuel Mendes Ribeiro – António Nogueira – André Fernandes dos Santos – José Fernandes Viana – Domingos da Silva – Manuel Carneiro da Silva.

O Trono da Capela-mor da Igreja de Nossa Senhora da Apresentação

ADAVR – Livro de Notariado do tabelião João Ferreira Marques, 1774, nº311 (ff.52v-53v)

1774, 4 e 6 de Julho, Aveiro
Escritura de Fiança que fazem Geraldo Machado e José Francisco da cidade do Porto e assistentes nesta cidade (de Aveiro)

Saibam quantos este instrumento de escritura de fiança, ou qual em direito melhor lugar haja e dizer se possa virem, que sendo no anno do nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil setecentos e setenta e quatro annos e aos seis dias do mês de Julho do dito ano, nesta cidade de Aveiro e no meu escritório, ahi apareceram presentes Geraldo Machado e José Francisco, ambos da cidade do Porto e assistentes nesta cidade, pessoas reconhecidas de mim tabelião pelos próprios.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Inventário do arquivo documental da Junta de Paróquia da freguesia da Vera Cruz de Aveiro - 1874

1874-01-01, Relação dos títulos e livros pertencentes à Junta de Parochia da freguesia da Vera-Cruz desta cidade que estavam em poder do ex tesoureiro José Marinho Ribeiro, por entrega que lhe tinha feito Manuel Martins de Almeida Coimbra, e que agora faz entrega o mesmo José Marinho Ribeiro ao novo tesoureiro Francisco José Barbosa.


Da Confraria de Nossa Senhora da Alegria de Aveiro

Ø  dois tombos, um novo e outro velho
Ø  um livro velho das eleições
Ø  uma escritura de foro de 9.600 reis
Ø  dois títulos de reconhecimento de foros de 250 e 100 reis
Ø  uma escritura de foro de 5.300 reis
Ø  uma escritura de foro de 850 reis

Da Confraria de Santo André de Aveiro

Ø  um livro de receita e despesa
Ø  seis escrituras ou títulos antiquíssimos

Da Confraria de Nossa Senhora da Luz de Aveiro

Ø  um tombo das escrituras
Ø  um livro de cobranças
Ø  um livro de aprovação de contas
Ø  um titulo de foro de 3.000 reis
Ø  um titulo de foro de 400 reis
Ø  um titulo de foro de 1.200 reis
Ø  um titulo de foro de 600 reis
Ø  um titulo de foro de 700 reis
Ø  um titulo de foro de 120 reis
Ø  um titulo de foro de 3.000 reis
Ø  um titulo de foro de 500 reis
Ø  um titulo de foro de 2.300 reis
Ø  um titulo de foro de 3.650 reis
Ø  um titulo de foro de 400 reis
Ø  um titulo de foro de 5.000 reis
Ø  um titulo de foro de 500 reis
Ø  um titulo de foro de 2.500 reis
Ø  um titulo de foro de 100 reis

Da Confraria de Santa Cruz

Ø  um livro de receita e despesa
Ø  uma escritura de foro que paga José Fernandes Paradela
Ø  um titulo do foro que paga o alferes da Romana de 2.400 reis
Ø  uma escritura de foro de 6.000 reis que paga Manuel da Maia Gafanhão
Ø  uma escritura muito velha que não se sabe de quem é

Os títulos e livros até aqui relacionados são os que constam dos inventários, que tinham sido recebidos dos antigos tesoureiros das confrarias a que eles dizem respeito, e os que vão em seguida são adquiridos depois:

Ø  uma escritura de renovação de aforamento e aumento do foro que paga Joana Maria do Rosário feita em 31 de Janeiro de 1860, pertencente à Confraria de Nossa Senhora da Alegria.
Ø  uma escritura de compra que fez José de Pinho Vinagre a José da Costa e Oliveira, da qual consta o foro que paga a Nossa Senhora da Alegria.
Ø  um livro de cobrança de foros pertencente a Nossa Senhora da Alegria com os nomes dos actuais foreiros
Ø  uma escritura de renovação do aforamento e obrigação de dívida feita por José Ferreira Lucena, em 24 de Setembro de 1857, pertencente à confraria de Nossa Senhora da Luz.
Ø  uma certidão de várias verbas do tombo passada pelo escrivão Nogeira, em 23 de Maio de 1859, pertencente à confraria de Nossa Senhora da Luz
Ø  uma escritura de renovação e reconhecimento do foro que paga o capitão José de Oliveira Queirós e sua mulher, feita em 11 de Abril de 1857, pertencente à confraria de Santo André.
Ø  uma pública-forma da escritura do foro que paga João dos Reis do Rosário.
Ø  uma escritura de renovação e reconhecimento do foro que paga Luís Pereira do Vale, a Santo André, feita em 11 de Janeiro de 1858.
Ø  uma escritura de renovação e reconhecimento de foro que pagam António Simões Pericão e outros de Verdemilho, pertencente a S.to André, feita em 8 de Março de 1857.
Ø  uma escritura de aforamento feita por Manuel Alves Guimarães, pertencente à mesma Confraria, feita em 8 de Março de 1810, da qual consta ser foreira Maria Joana das Neves.
Ø  uma escritura de compra que fez Francisco Marques Ferreira a Joaquim José da Rocha, duma terra nas Andoeiras, na qual se declara ser foreira á Confraria de Santa Cruz.
Ø  uma escritura de compra, que fez a Viscondessa de Santo António a Francisco José de Pinho Ravara e mulher, duma terra da qual consta ser a mesma terra foreira à Capela de São Roque, sendo esta escritura em 11 de Abril de 1851.
Ø  uma sentença obtida por Francisco José de Pinho Ravara pela qual mostra ser o foro de 1.750 réis.
Ø  uma sentença da demarcação e medição da praia de Lavacus, passada pelo escrivão Nogueira, em 19 de Fevereiro de 1858.
Ø  uma certidão passada em Ponte de Lima do aforamento que fez João José dos Santos Machado de uma praia contígua à de Lavacus que foi necessária para a demarcação daquela praia.
Ø  Uma sentença de medição e demarcação da praia dos Lagos sita na ria desta cidade, onde chamam a Mó do meio, e auto de posse judicial que d’ela se tomou, anda junto à cauza que a Junta de Paroquia de Vagos moveu a esta Junta.

Ø  um livro já velho com capa de pergaminho que contém as verbas dos testamentos relativos aos diversos legados deixados às confrarias que tem 95 folhas
Ø  auto de conciliação pela qual é devedor João António da Silva e Castro a Nossa Senhora da Alegria da quantia de 39.600 reis.
Ø  uma sentença e reconhecimento do foro que pagam a viúva e filhos de José António Barbosa e Francisco António do Vale Guimarães da quantia de 2.000 reis a Santo André.
Ø  um título de 4.900 reis a juro de 6% que pagam as filhas de José de Pinho, à Confraria de Nossa Senhora da Luz.
Ø  uma escritura de reconhecimento de foro e dívida que paga Manuel Firmino de Almeida Maia à Confraria das Almas (está no escritório do escrivão Nogueira).
Ø  uma certidão competentemente registada relativa a diferentes foreiros à Confraria das Almas.
Ø  uma certidão de uma escritura de foros em géneros pertencente à Confraria das almas com os certificados do registo.
Ø  dois autos de libelo, que entregou João Bernardo, por os ter encontrado nos papeis do antigo tesoureiro Martins, pertencentes a Nossa Senhora da Luz.
Ø  Tombo das Almas.
Ø  Duas inscrições do valor nominal de 550$000 pertencentes ao Senhor das Barrocas, estando os juros pagos até 31 de Dezembro de 1873.
Ø  um livro de aprovação de contas da Confraria das almas e um caderno de cobranças
Ø  um livro de eleições da mesma confraria das Almas.
Ø  um caderno de cobranças com o nome dos foreiros das Almas escrito até folha 22.
Ø  Dinheiro que entrega pertencente à Junta de Paróquia da Freguesia da Vera Cruz, duzentos quatorze mil oitocentos e quarenta reis (214$840 reis).