Paróquia de São Pedro de Aradas



Índice Geral

Apresentação

1. Aradas – as origens e espaço administrativo

-Os senhores da terra –
Os frades crúzios do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra
O Mosteiro de Grijó e os cónegos regrantes de Santo Agostinho da Serra do Pilar de Vila Nova de Gaia
Propriedades e Quintas – Foro, Dízimo e Ração

2. As Igrejas de culto público e legados pios

A Matriz de São Pedro de Aradas
A Igreja de São Sebastião de Aradas
A Igreja de Verdemilho
A Igreja da Quinta do Picado
A Igreja do Bonsucesso
Confrarias

3. Igrejas de culto privado

A Igreja de Nossa Senhora das Dores em Verdemilho
A Igreja de São Tomé em Verdemilho
A Igreja de Nossa Senhora da Oliveira da Cardoza, limite de Verdemilho e Bonsucesso
A Igreja de Nossa Senhora da Assumpção da Quinta do Casal | Hoje de Nossa Senhora da Esperança no Complexo Industrial da Extrusal
A Igreja de Nossa Senhora da Conceição na Quinta do Buragal em Verdemilho
O Igreja de São Bartolomeu na Quinta da Medela em Verdemilho

4.As Quintas

Quinta da Boa Vista – Verdemilho
Quinta do Ribeiro – Verdemilho
Quinta do Casal – Verdemilho
Quinta dos Loiros – Verdemilho
Quinta do Torreão – Verdemilho
Quinta do Canha – Aradas

5. O espólio artístico e documental que resistiu à voragem do tempo

6. Anexo Cronológico da Freguesia de São Pedro de Aradas

7. Anexo Documental

8. Fontes Manuscritas e Bibliografia


















Prefácio                                                    

Apresentação

Propôs-se com este trabalho contribuir para o inventário do acervo artístico existente nas igrejas da Paróquia de São Pedro de Aradas [1], alargando e promovendo a sua divulgação, tornando-o não só acessível à comunidade científica, mas a um leque mais vasto de destinatários, esperando que a este nível, o presente, possa ajudar a consciencializar a sua protecção.
A Paróquia de São Pedro de Aradas e sua Igreja Matriz conta hoje com cerca de 1040 anos de antiguidade [2] no que respeita a referências documentais. Embora neste presente trabalho não se pretenda o estudo na longa duração da vivência Paroquial intentaremos esboçar contudo, no estudo de caso para cada Igreja Paroquial e seu património (o restante e o que foi desaparecendo), essa linha da história que organizou e moldou o espaço que hoje corresponde à Paróquia e Freguesia.
Esta publicação, é também, o iniciar de um olhar mais profundo sobre o património artístico à guarda das 101 paróquias da Diocese de Aveiro, onde o primeiro passo à sua salvaguarda será a sistematização de acções de inventário, de processos de catalogação e sua monitorização. Acreditando que, quem não sabe o que tem não sabe o que pode fazer, esta mostra de síntese do que constitui o conjunto de objectos de culto e lugares de memória religiosa de Aradas tem como principal propósito a sua preservação. Não se protege aquilo que não se conhece.
Constatámos no decurso deste trabalho que muito se perdeu e transformou nas igrejas públicas e privadas da Paróquia de Aradas.
Não sendo caso isolado, verificamos que nas Paróquias limítrofes do Arciprestado de Aveiro o património (o edificado, artístico, natural, documental, industrial, arqueológico) tem sido o menos protegido. A dinâmica de uma comunidade, a instabilidade dos seus representantes que tomavam a seu cargo a administração económica e gestão da capela local, a ingerência de vários interesses e poderes, ocasionaram, não raramente uma má gestão do património dito comunitário no passado. O mesmo acontece com o património privado local, quintas com Igreja ou oratório, que, sendo propriedade de determinada família passa inevitavelmente pelas vicissitudes de partilhas de bens ou dificuldades económicas das mesmas, ocasionando, em muitos dos casos vistos, a destruição de todo o espólio a ela associado quer do imóvel, quer do recheio, quer da documentação.  
Embora o inventário que realizámos não contemplasse o património religioso de carácter privado, porque não afecto à Diocese de Aveiro, não quisemos deixar passar a presente publicação sem uma referência geral das suas múltiplas e mais importantes existências no espaço Paroquial de Aradas.
Apontamos que, as Juntas de Freguesia e as comissões paroquiais têm um papel fundamental no actuar como travão de eventuais destruições de património, o que poderá acontecer com pequenas acções como recolha de um arquivo fotográfico ou publicações de autores de memórias locais. É preciso estudar para conhecer e transmitir para educar.

1. Aradas – as origens e espaço administrativo

A Freguesia de São Pedro de Aradas, circunvizinha da cidade de Aveiro, compreende hoje os lugares de Aradas, Verdemilho, Bonsucesso e Quinta do Picado. O lugar de Aradas confina a norte com a freguesia da Glória, que com a freguesia da Vera Cruz formam a cidade de Aveiro. Continua pelo limite sul da freguesia de São Bernardo, seguindo-se pela parte nascente, o lugar da Quinta do Picado delimitado pela freguesia de Oliveirinha do Vouga. A sul, o lugar do Bonsucesso confina com a freguesia de Ílhavo, assim como o lugar de Verdemilho, a poente, junto ao canal da Ria de Aveiro. Assemelha-se a uma península ladeada por dois cursos de água que desaguam na Ria, com brando relevo de terras fragosas bem providas de nascentes de água, que a acção do povoamento e cultivo da terra transformou em importante reduto agrícola.
            O curso de água a norte passa no Vale das Aradas encontrando um outro mais pequeno, a sul, que passa a meio da freguesia. Embora hoje muito assoreado e ocupado pela estrada de ligação a Águeda e à A1, a estrada N. 235, foi outrora caudaloso e ocupado por diversas azenhas e oficinas de olaria [3], descendo desde o lugar da Cabreira e desaguando na Ria perto da actual Universidade de Aveiro na Lagoa do Paraíso. A junção destas duas linhas de água faz-se perto da actual Quinta da Boa Vista, no Esteiro de São Pedro, descendo o curso mais pequeno desde o lugar do Buragal pelo Vale do Braga.
            O curso de água a sul desce pelo Vale do Marona desde o lugar do Carregueiro, delimitando o lugar do Bonsucesso do concelho de Ílhavo, e desagua a sul de Verdemilho na Ria de Aveiro no denominado Esteiro ou Cais do Eirô. Neste ainda se podem observar alguns edifícios de azenhas, hoje desactivadas.
            Embora na administração eclesiástica a Paróquia de Aradas tenha abrangido desde sempre estes quatro lugares (cinco lugares se considerarmos o lugar de Aradas dividido em Aradas de Cima e Aradas de Baixo) [4], até 1834 os lugares de Verdemilho, Bonsucesso e Quinta do Picado, na jurisdição civil e concelhia pertenciam ao Concelho de Ílhavo, sendo a freguesia constituída apenas pela Vila e lugar de Aradas, com Câmara própria.
            Desde o século XVI até ao século XIX foi de jurisdição régia e dos Frades do Convento de Santo Agostinho da Serra, como iremos ver.
            Em Março de 1131 d.C. João Mendes (Ioanes Medis), faz testamento em vida, pedindo para ser sepultado no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra [5], ao qual lega a sua Vila de nome Arada (Heerada) situada junta a Aveiro e que tem como administrador seu genro Gonçalo Gonçalves (Gunsaluo Gonsalues). [6]
            Intentando organizar o espaço que compreendia estes casais de Aradas, uniformizando e validando as relações de senhorio com os respectivos habitantes, o Mosteiro de Santa Cruz passa carta de foral a Aradas cinquenta anos depois, em Agosto de 1181 d.C., tendo entretanto recebido de D. Afonso Henriques, em 1166 d.C., mais meio casal em Verdemilho (Villa de Milio) [7].
A carta de foral dada pelo Prior Crúzio [8] estabelece desta forma o primeiro documento oficial de regulação administrativa com obrigações que, para a época, eram bastante favoráveis, indiciando e levando-nos a acreditar na existência de muita terra abandonada e na necessidade de oferecer condições passíveis de fixação de novos colonos que promovessem o seu arroteamento.
            Pelo menos, no que respeita ao cultivo de vinha, parece ter havido essa boa resposta dos locais, que, passados sete anos desta primeira carta de foro, em 1188 d.C.7, viram o respectivo foro ser agravado e aumentado da oitava para a sétima parte.
            As duas cartas de foro mostram como Aradas se constituiu num pequeno concelho rural em que os respectivos vizinhos quase não tinham qualquer tipo de autonomia. Estas jurisdições tinham órgãos bastante rudimentares e estavam sujeitos a um peso muito evidente da autoridade senhorial. Este primitivo documento dado por foral contenta-se a regular os aspectos económicos das obrigações entre os foreiros e senhorio, neste casos em cereais, vinho, legumes e linho, ignorando e não abrangendo questões relativas à vida social e enquadramento jurídico da actuação comunitária, o que só mais tarde, 1475, seria colmatado com a jurisdição cível do Couto de Aradas atribuída ao respectivo Mosteiro, e no reinado de D. Manuel com campanha nacional dos chamados "forais novos".
            Confirmando o senhorio da Vila de Arada (Erada) o padre Gonçalo Nogueira (Gonsaluus Nogueyra) e outros interrogados na Inquirição régia de D. Afonso II de 1220, declaram que o padroado da Igreja de São Pedro de Aradas pertence aos frades de Santa Cruz de Coimbra, e afirmam que tanto Aradas de cima como de baixo são do respectivo Mosteiro, ás quais o domínio régio não pode taxar o seu foro. Poderemos apontar esta como a primeira informação paroquial sobre a Vila de Aradas.
            Durante os finais do séc. XIII e XIV, o Cabido da Sé de Coimbra entrou em litígio com o Mosteiro de Santa Cruz da mesma cidade sobre a jurisdição de várias localidades e direitos referentes a Verdemilho e Aradas
Em 15 de Abril de 1475 é atribuída ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra sentença sobre a jurisdição cível do couto de Aradas.
Em 1509 é assinado um contrato de escambo e permutação do Couto das Aradas do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra pelo lugar de Verride e Abrunheira do Mosteiro de Grijó, no âmbito da reforma da Ordem, alegando-se o facto de o dito Couto de Aradas estar muito mais perto do Mosteiro de Grijó que o lugar de Verride [9].
A partir desta data o culto e gestão das dizimarias e propriedades passa para o Mosteiro de Grijó que na sequência da reforma do dito Mosteiro do Salvador de Grijó em 1536, realizada por Frei Brás de Barros, fundará o Mosteiro de Santa Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia, masculino, pertencente aos cónegos Regulares de Santo Agostinho e à Congregação de Santa Cruz de Coimbra.
O estado de decadência do Mosteiro de Grijó levou Frei Brás a determinar a construção de um novo edifício no monte de São Nicolau, em Vila Nova de Gaia, hoje conhecido por Serra do Pilar, transitando os religiosos da casa reformada com o consentimento de D. João III e autorização do Bispo do porto, D. Frei Baltazar Limpo [10]. A instituição da Congregação de Santa Cruz de Coimbra foi precedida da reforma do Mosteiro de Santa Cruz, cometida por frei Brás e Frei António de Lisboa, em 1527, reforma a que aderiram os priores do Mosteiro de São Vicente de Fora de Lisboa e do Mosteiro de Grijó. Em 1554, juntaram-se-lhes o Mosteiro de São Salvador, mudando a invocação e passando a chamar-se de Santo Agostinho da Serra (serra do Pilar), e o Colégio de Santo Agostinho, situado no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra.
Estes mosteiros constituíram a Congregação de Santa Cruz de Coimbra, instituída pelo Papa Paulo IV, em 1556. Em 1564, por decisão do Capitulo Geral, determinou-se a cisão da casa em dois mosteiros distintos, o do Porto e o de Grijó, dividindo-se entre os dois as rendas e os bens.
Deste modo o então denominado Mosteiro do Salvador do Porto, mais tarde de Santo Agostinho da Serra do Pilar, organiza em 1570 um Livro de Tombo [11] com todas as propriedades da sua gestão em Aradas, Verdemilho, Ílhavo e Sá registo precioso para compreensão da localização fundiária deste espaço no século XVI.
Em 1612, por decisão do capítulo geral de 17 de Maio, o mosteiro de Grijó foi anexado in perpetuum ao Mosteiro de Santo Agostinho da Serra transferindo para ele a apresentação dos curas ou vigários perpétuos das suas Igrejas, incluindo a de São Pedro de Aradas.
            Já no final do século XVIII, em 1770, por breve de Clemente XIV e autorização régia de 6 de Setembro, foi temporariamente extinto, com mais nove mosteiros da congregação e os seus bens foram anexados ao Mosteiro de Mafra, sendo restituído em 1792, pela bula Expositum nobis concedida pelo Papa Pio VI, a instâncias da Rainha D. Maria I, removendo os religiosos de Mafra e restituindo in integrum em 1794 ao estado regular e conventual, com todos os bens, rendimentos, privilégios e padroados de que eram possuidores, ao presente caso, o padroado da Igreja de Aradas.
A Vigaria da Igreja de Aradas manteve-se na jurisdição dos Cónegos de Santo Agostinho até 1832, altura em que o Convento da Serra do Pilar foi extinto, sendo abandonado pelos religiosos a 10 de Julho. Os bens passaram para posse da Fazenda Nacional e a Igreja de Aradas para padroado Régio, assim como a apresentação de pároco.
Em 26 de Maio de 1834 realizou-se na Câmara Municipal de Aradas o seu último acto solene, antes da extinção do concelho e da sua incorporação no de Aveiro, com a aclamação da Rainha D. Maria II, que viria a acontecer em 06 de Novembro de 1836 [12].


Propriedades e Quintas (Foro, Dízimo e Ração)

Surgem neste território diversas entidades gestoras de e possuidoras de grandes parcelas terreno.
Tal como refere Inês Amorim [13] no seu completo estudo sobre a Provedoria Aveirense,
Terra rica em cultivo e produtos agrícolas, bem provida de fontes de água salubre e beneficiada por fácil acesso à Cale da ria de Aveiro, Aradas tornou-se num território cobiçado em termos económicos para investimento das famílias senhoriais florescentes. A propriedade das terras, muitas vezes geridas por emprazamentos, ia engrossando nas transmissões testamentárias ao filho primogénito e enlaces matrimoniais, criando-se deste modo Morgadios e Quintas de gestão latifundiária, que na maior parte dos casos seriam propriedades de segunda residência deixadas aos cuidados de caseiros e criados. Também, desde o início da expansão dos descobrimentos e durante o séc. XVI, as explorações de pequenos negócios de cerâmica e de moagem de cereais cresceram em vitalidade devido ao incremento de encomendas para um novo mercado colonial, pelo menos até a barra do porto de Aveiro o permitir.[14] Deste modo vemos que, durante o séc. XVI, XVII e inícios de XVIII, as designações nos emprazamentos ou contratos de compra e venda destas propriedades anteriormente consideradas “vales, matos e pinhais” não arroteados se modificam gradualmente para “quintas e casais”, consequência destas benfeitorias que se foram operando e funcionalmente organizando.
Não só o Mosteiro de Santa Cruz, e por conseguinte os Cónegos de Santo Agostinho da Serra, detinham e geriam várias propriedades. Observámos que nos vários livros de registo e actualização das demarcações dessas propriedades eram notificados outros senhorios que comprovavam, validavam ou contestavam a posse das mesmas.
No Tombo das Aradas realizado em 1729 pelo Convento de Santo Agostinho aparecem notificados para demarcação e medição das propriedades: D. Francisco de Almada [15], que detinha o senhorio de Verdemilho, assim como Francisco Caetano Cabral Moura e Orta [16] e sua mulher porque possuíam também várias propriedades assim de casais, prazos e oitavarias que pagavam foros e dizimo e rações [17] e outros direitos dominicais ao dito seu Mosteiro, cujas propriedades estão sitas dentro da freguesia.

Grande parte dos registos utilizados numa busca de outros senhorios do território de Aradas compreende o uso fontes de informação de carácter transmissório de propriedades e de pagamentos de foros, permitindo-nos hoje reconstituir e visualizar o domínio e divisão de cada grande senhorio (aluguer/imposto) [18]. Sabemos também que os livros de pagamento de décimas para finais do séc. XVIII e início de XIX nos permitiriam esta identificação pelo menos para os territórios de Verdemilho, Bonsucesso e Quinta do Picado existentes no Arquivo Municipal de Ílhavo, arquivo que não nos foi possível consultar.

Senhorio
Lugar
Ano
Fontes
Frades de Santa Cruz / Frades de Santo Agostinho
Aradas/Verdemilho
1431; 1570; 1729
ANTT e AUC, Livros de Santa Cruz de Coimbra, ADPRT, Mosteiro de Santo Agostinho - Tombos
Confrarias
Aradas/Verdemilho
1747
AJFA, Tombo das Confrarias de Aradas
Senhores da Vila de Carvalhais, Ílhavo e Verdemilho
Verdemilho
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Freiras dominicanas do Convento de Jesus de Aveiro
Aradas/Verdemilho
1652; 1701; 1749*
AUC, Fundo e Livros de Tombo do Convento de Jesus de Aveiro
Freiras franciscanas do Convento da Madre de Deus de Sá de Aveiro
Aradas/Verdemilho/
Bonsucesso/Quinta do Picado
1833
AUC, Fundo do Convento da Madre de Deus de Sá de Aveiro
Freiras carmelitas do Convento de São João Evangelista de Aveiro

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AUC, Fundo do Convento de São João Evangelista de Aveiro
Misericórdia de Aveiro

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ASCMA
Morgado do Buragal
Aradas/Verdemilho
1728
Arquivo Privado da Casa da Granja em Aveiro, documentação editada em Anexo Documental, in NEVES, Amaro, Barbuda e Vasconcelos – Notável poeta épico, 2008,
Morgado de São Silvestre
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Visconde de Valdemuro
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-- / Sem informação
Livro nº 1 dos Autos do tombo de Aveiro (Cópia de alvarás, privilégios e padrões do Mosteiro de Jesus, desde 1466, com reconhecimento da azenha do Buragal, propriedades em Aradas e marinhas. Este Tombo é reconhecido pelo Dr. Faustino Xavier de Bastos Monteiro, sendo Prioresa Arcângela Maria do Baptista, assim como o Tombo da Igreja de Fermelã, padroado do Convento de Jesus em 1740 e muitos outros do Cartório do Convento de Jesus de Aveiro

Como iremos ver existem na freguesia de Aradas cinco Igrejas de culto Paroquial: a Igreja Matriz de São Pedro de Aradas, no Outeirinho, a Igreja de São Sebastião de Aradas, no alto da Pinheira, a Igreja de São João de Verdemilho, a Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Quinta do Picado.
Existe também uma Igreja de administração da Junta de Freguesia, a Igreja de Nossa Senhora de Lurdes, na rua Direita de Aradas, que fica defronte do terreno da demolida Igreja de São Sebastião de Aradas.

2. As Igrejas de culto público e legados pios

2.1 A Matriz de São Pedro de Aradas

A antiga Igreja Matriz, de diferente localização da actual [19], situava-se junto ao Esteiro e à malhada de São Pedro, voltada ao sul e com frente para a rua do Lila, popularmente conhecida por rua da Igreja, na velha estrada de ligação entre Aveiro e Ílhavo, indo por Santiago, Verdemilho e Coutada. Construída na margem nascente do referido canal da ria, justamente no alto da pequena colina antes de descair na confluência, num local que é hoje terreno de cultivo. Encontrava-se na extremidade mais próxima da Ria da Paróquia, beneficiando, deste modo, os cónegos regulares do Mosteiro de Santo Agostinho da Serra do Pilar de Vila Nova de Gaia que, vindo à Igreja do seu padroado, faziam viagem de barco desde Ovar atracando comodamente no cais do esteiro de São Pedro.[20]
Pelo documento de reconhecimento desta Matriz verificamos que era templo vasto com adro adjacente e casas de Residência dos Párocos contíguas a elle com seu alpendre e escadas de pedras que cai sobre o adro e tem para detrás duas casas térreas que servem de despejos e as ditas casas são sobradadas e constam de cinco casas.[21]
Em 6 de Fevereiro de 1734 o pároco de Aradas, Padre Manuel Gonçalves Saltão, respondeu ao Inquérito ou Memória Paroquial localizada recentemente num arquivo particular e publicada recentemente na íntegra por Amaro Neves [22].
Posteriormente, o pároco da Matriz de Aradas Padre José Filipe da Fonseca, a 13 de Maio de 1756 deu a sua informação sobre os efeitos do terramoto de 1 de Novembro de 1755 respondendo assim ao Inquérito ordenado pelo Marquês de Pombal [23], e volvidos três anos o Prior da Matriz de São Miguel de Aveiro a 30 de Abril, responde ao Inquérito [24] enviado para a todas as paróquias por questionário.
O Inquérito de 1734, confirma que a Igreja Paroquial está fora do povoado em um vale junto ao canal ou esteiro por onde navegam os moradores da Vila a utilizar-se das grandes comodidades da Ria ou mar interior de Aveiro em que desagua o Vouga. Informa-nos também que é do orago e título de São Pedro ad Víncula. Por vários documentos [25] constatamos que a referida Matriz aparece descrita com a invocação de Sanctus Felix de Eirada, Igreja de São Fins de Aradas, de Sancto Pedro Fins de Aradas e de São Pedro ad Vincula. Diz-nos, o Pe. Saltão também, que nesta era venerada uma preciosa peça de um fuzil das cadeias do Príncipe dos Apóstolos e é tradição ser a que no tempo do Imperador Othon o velho no ano de 979 dera o Papa João XIII a Deodorico Bispo de Metz, dando como referência de fonte informativa o Flos Sanctorum escrito por Ribadaneira [26]. Procurando recensear a informação na fonte, constámos que a data registada no texto original era o ano de 969 d.C. e não o ano de 979 d.C.  Descrevendo a relíquia informa que a festividade se realiza ao primeiro de Agosto, dia em que se dá a beijar ao povo o caixãozinho em que se guarda, que é coberto de prata, obrando Deus Nosso Senhor muito poderoso com o toque deste caixão em que está o inestimável tesouro do referido fuzil que é de tanto apreço como exageraram os graves autores que refere o dito Ribadaneira.[27]
Na Memória Paroquial de 1758 o prior de São Miguel de Aveiro informa igualmente que dentro em um pequeno cofre de prata dourada, obrado de maneira que se ignora a parte por onde se possa abrir, é tradição que se conserva um elo das cadeias com que prenderam o Príncipe dos Apóstolos. A devoção dos Povos assim o acredita, e no dia segundo de Agosto, que é o da sua festividade, se dá a beijar este cofre a bastante concurso de gente, que ali vai em romagem. Até agora se não atreveu nenhuma pessoa a por em execução o desejo de o abrir. O Ex.mo Sr. D. António de Vasconcelos, indo em Visita àquela Igreja o quis fazer, mas dizendo-lhe um sacerdote, que o Ex.mo Sr. D. Álvaro Bispo de Coimbra, intentando abri-lo, com violência se lhe espalhara um repentino tremor pelo corpo de maneira que não passara adiante com a sua indagação, o que ele presenciara, o deixou logo da mesma sorte que estava. Assim se conserva oculta esta relíquia, venerada com tão sagrado respeito.

            Chegaram até nós dois inventários do seu espólio artístico para o século XVIII. O primeiro registo é incluso no reconhecimento da Igreja de São Pedro efectuado pelos Cónegos do Mosteiro de Santo Agostinho da Serra em 1729 [28] referente a objectos da Fábrica da Matriz. Neste se refere que há dentro do dito sacrário um cofre de prata dourado por dentro do qual estão os ellos das cadeias de Sanct Pedro e o dito cofre tem pella face de diante um cristal por modo de vidraça.
            Sobre o cofre ou arqueta relicário das cadeias de São Pedro não nos foi possível indagar mais referências além da MP de 1758, crendo que o seu desaparecimento do espólio poderá estar associado ao ingresso de todos os bens dos padroados no Convento de Mafra em 1770, ou por furto ou saque quando das investidas francesas no início do século XIX ou, ainda, quando da destruição e disseminação dos patrimónios eclesiais à guarda das Ordens Religiosas em 1832 .
            O outro inventário que localizámos existe no Tombo de Propriedades e legados das Confrarias [29] feito pelo Dr. Faustino de Bastos Monteiro e pelo Juiz da Igreja de São Pedro de Aradas Manuel Gonçalves em 23 de Setembro de 1747, dupla listagem referente a bens da Fábrica da Matriz e da Confraria do Santíssimo Sacramento. Neste é referido uma cruz da fábrica de prata com sua imagem de prata, hoje peça de destaque na colecção de ourivesaria da Matriz de Aradas.

A Capela-mor da Matriz foi enriquecida por um belo retábulo-mor de linguagem ornamental barroca, saído da mãos de António Fernandes, o tenente, mestre entalhador da freguesia de Landim, Concelho de Famalicão, que, em 21 de Novembro de 1703, se comprometera por escritura notarial com o Mosteiro da Serra do Pilar a fazer o trabalho pela importância de 40.000 réis.[30] No reconhecimento de 1729 o retábulo da Capela-mor está descrito como retábulo de madeira com quatro colunas douradas sobre cor azul, com sacrário disposto axialmente, e por cima deste a imagem do padroeiro, São Pedro ad Víncula [31], tendo do seu lado esquerdo a imagem em pedra policromada de São Lourenço e do seu lado direito a imagem em pedra policromada de São Tomás de Vila Nova [32].

São Tomás de Vila Nova
Capela de Santo Amaro de Vilar

A actual matriz localiza-se no largo Acácio Rosa, em Verdemilho, junto ao cemitério público e actual Junta de freguesia de Aradas.
Começou a edificar-se em 1844, depois de decisão régia de 1841, e da adjudicação da obra por Fernando Manuel Homem. Desde 1834, o povo da freguesia requeria a edificação de um novo templo, deslocado da antiga Igreja que devido á sua situação geográfica junto ao canal da ria, se encontrava em estado ruinoso. Por decisão do Dr. António Ferreira de Novais, secretário-geral do distrito de Aveiro servindo de governador civil, edificou-se novo templo no lugar chamado o Outeirinho, de cota mais elevada, que anterior requerimento de 1841 já reclamava. Crê-mos que, grande parte de elementos pétreos da velha Matriz foi utilizada na sua construção, assim como aproveitada alguma da talha do retábulo-mor e retábulos laterais. Parte das campas de sepultura do antigo cemitério anexo à Igreja são também deslocadas para o novo cemitério paroquial, construído em terreno adjacente posterior à nova Matriz. [33]
 Celebrou-se a primeira missa a 17 de Fevereiro de 1856, e foi concluída em 1866 (segundo João Gaspar), com bênção litúrgica pelo Vig. Geral Cónego Dr. José Joaquim de Carvalho e Góis, em 28 de Junho de 1868. Descrição de data (1866) incisa no alto da ombreira de pedra do janelão da fachada. Em 1881 readaptou-se e ampliou-se o retábulo-mor, proveniente da demolida matriz do esteiro de São Pedro. Sofreu obras de restauro em 1929, por José Duarte Ferreira da Quinta do Picado, renovando-se a telha velha de meia cana e retoque da talha pela Casa Fânzeres de Braga e novamente em Agosto de 1965, por Mário de Pinho Sindão, colocando-se lambrim de azulejo na igreja e sacristia norte e serviços de quarto de banho restando apenas o retábulo-mor retirando-se os quatro retábulos de talha. Fachada e nave central com profundas remodelações de ampliação efectuadas pelo arquitecto aveirense Cravo Machado em projecto de 7 de Janeiro de 1983, com supressão do púlpito. Fizeram-se inventários do espólio artístico em 1911 e 1936, existentes no Arquivo Municipal de Aveiro.


2.2 A Igreja de São Sebastião de Aradas

A antiga Igreja de São Sebastião, descrita nas Informações Paroquiais de 1734, existia na Rua Direita de Aradas, em terreno fronteiro à actual Capela de Nossa Senhora de Lurdes propriedade da Junta de freguesia. Segundo a Informação Paroquial de 1758 era uma Capela gerida por Confraria dedicada a São Sebastião. Localizámos a escritura do contrato de reedificação e reforma da Igreja de São Sebastião feito em 28 de Abril de 1803 [34], ajustada por alguns dos moradores do lugar de Aradas e o mestre de alvenaria da cidade de Aveiro João de Pinho. Estabelecia que a referida Igreja seria edificada no mesmo lugar da antiga, demolindo-se as paredes da antiga. Como se depreende do documento

[35] Auto de revista:
Fui Ver a Capela que neste requerimento achei que a dita capela vai toda ou quase toda feita de novo, principalmente a Capela-mor porque a não havia e está de todo feita de novo. Está a capela decente à excepção do retábulo que é o mesmo que havia pouco decente mas que pode remediar. As duas frestas na Capela-mor precisão de vidros; o Altar que foi feito de novo está por pintar assim como a banqueta; Paramento roxo que não havia, pois os que havia não servem; existe uma casula, manípulo e estola encarnados. As imagens são as que havia na Capela antes dela cair a saber São Sebastião, São Pedro Converso e um Santo Cristo que foram encarnados de novo, a dita imagem de Cristo não é das mais polidas mas poderá passar, além destas tem uma Imagem de Nossa Senhora mulher sofrível e outra mais pequena de São Sebastião. Uma boa casula de damasco roxo com sebastos verde.


2.3. A Igreja de Verdemilho

Inicialmente conhecida por Capela de Nossa Senhora da Lomba, situa-se no centro do lugar de Verdemilho. Está descrita na Informação Paroquial de 1734 como ermida de Nossa Senhora da Natividade, chamada vulgarmente da Lomba por ser aparecida num outeiro onde está situada a dita Ermida onde se venera a imagem da dita Senhora que é devotíssima, e de muitos milagres...".
Já no Concilio de Elvira [36] se havia deliberado que nas Igrejas todas as imagens fossem portáteis, para poderem ser conduzidas a lugares ocultos, como sucedeu por ocasião da entrada dos mouros na península, em que os fiéis fugiram com elas, enterrando umas e escondendo outras nas grutas de altos montes, onde mais tarde o seu aparecimento deu lugar às romarias que ainda hoje se realizam com carácter acentuadamente pagão.
Também o cap. III das actas do primeiro Concilio de Braga, celebrado em 411 d.C., diz que os Bispos Lusitanos resolveram esconder os corpos ou relíquias dos santos, tomando nota dos lugares e cavernas (de locis et speluncis), onde ficassem, entregando um relatório minucioso para que se não perdesse a memória delas com o decurso do tempo. [37] Não serão descabidas portanto as inúmeras lendas sobre o aparecimento de imagens em lugares inóspitos, como neste caso do aparecimento da imagem da Virgem com o menino numa lomba no sítio dos Cruzinhos em Verdemilho, relatada nas informações paroquiais do século XVIII ao contextualizar a sua invocação.
Infelizmente os registos paroquiais da Igreja de São Pedro de Aradas [38] sobreviventes até aos nossos dias apenas começam em 1690, já finais do séc. XVII. Contudo nos registos de notariado em Aradas, existentes desde 1621, extraímos referência duma escritura de 1659 [39] em que participa um juiz da Irmandade da Senhora da Lomba, em funcionamento, portanto já no início do século XVII. Posteriormente, em 1837, essa ermida foi alargada e transformada em Capela que ampliada resultou na actual Igreja passando o templo que durante séculos foi dedicado à Senhora da Lomba a ser dedicado a São João Baptista, actual padroeiro de Verdemilho. Como refere o documento da Comissão Paroquial, "que tendo sido suspensa a Capela de São João pelo Rev. Pároco e Bispado, por motivo da sua reedificação e reparos, e sendo de grande necessidade o haver ali celebração do Santíssimo Sacrifício por via dos homens velhos e entrevados que se acham impossibilitados de irem à da Freguesia [40], pede revista da mesma e licença para a benzer e celebrar", e depois de feita a revista, continua, "a Capela de São João de Verdemilho, sita na Freg. de Aradas, está com decência para nela se celebrar; Achei mais que foi fundada há mais de duzentos anos, e reedificada agora no mesmo terreno e alicerces, e na Capela-mor se conservam as mesmas paredes, e o povo daquele lugar de Verdemilho é obrigado à conservação e decência da dita Capela."
Daqui se depreende que a data de uma anterior reedificação ou ampliação ocorreu perto do ano inscrito no arco-cruzeiro da Capela de 1636, com pedra de fecho de anjo custódio.



2.4. A Igreja da Quinta do Picado

Existe no Arquivo da Universidade de Coimbra documento de 18 de Maio de 1739 [41], contendo um traslado do testamento com legado de Capela instituídos na sua Quinta por Bartolomeu Afonso Picado e sua mulher Maria Bastos [42], ele recebedor de rendas do Convento de Jesus de Aveiro nos finais do séc. XVI e morador em Esgueira, deixada a seu filho Manuel Gomes Faia [43], fidalgo da Casa Real. Por este se vê que Bartolomeu Afonso Picado e sua mulher Maria Bastos mandaram erigir na sua Quinta uma Capela com invocação de Nossa Senhora da Assumpção [44]:Tenho ordenado uma capela com consentimento de minha mulher Maria de Basto a qual não está ainda acabada de todo mando que se acabe com seu retábulo e campa e todo o mais necessário a qual capela está na minha Quinta [45] quando se vai para Salgueiro que eu e a dita minha mulher ordenamos que sendo acabada se diga duas missas rezadas em cada semana para sempre por nossas almas uma em quarta-feira e outra ao sábado e porque a invocação da dita Capela há-de ser de Nossa Senhora da Assunção ordenamos que no dito dia se diga uma cantada de festa por nossas almas e porque no dito retábulo há-de estar São Benedito e São Brás mandamos que no dito dia se diga aos ditos santos uma missa rezada por nossas almas e para se cumprirem estes legados escolhemos em nossas terças a dita Quinta assim como esta circuitada que anda como Morgado no filho mais velho de nossos sucessores e em falta de filho mais velho em filha e assim seguirá esta natureza até ao fim do mundo”. Embora o testamento de Bartolomeu Afonso Picado não esteja datado, podemos situar
O pequeno retábulo pétreo, hoje deslocado em alargamento lateral esquerdo da Capela-mor e que já havia estado na nave da Igreja na parede lateral direita [46], são elementos restantes deste edifício anterior, assim como as imagens de São Brás, Virgem da Conceição e São Bento de Palermo, localmente designado por São Benedito, imagem devocionalmente destacada e antigo patrono.
Descrita na Informação Paroquial de 1734 como" Capela de São Benedicto da Quinta do Picado, de que é Senhor André Pacheco e Lima. [47]
A Igreja da Quinta do Picado de dedicada actualmente á Virgem da Conceição, sofreu profunda remodelação arquitectónica e retabular em meados do séc. XIX, existindo apontamento epigráfico de 1851 que o comprova.
 Realiza-se festa a Nossa Senhora da Conceição a 8 de Dezembro e a Nossa Senhora do Livramento no último Domingo de Julho. Existe fundo documental da Irmandade da Virgem do Livramento e Imaculada Conceição desde 1908 até 1975. Fez-se ampliação de arquitectura em 1962, importando os trabalhos em 190.000$00, com colocação de novo lambrim azulejar, relógio e sinos na torre.
2.5. A Igreja do Bonsucesso

A Igreja do Bonsucesso foi edificada em 1816 pelos moradores do lugar. [48]

Dizem os moradores do lugar do Bonsucesso do termo da Vila de Ílhavo e da Freguesia de São Pedro das Aradas que eles acham na extrema necessidade de uma Capela construída no dito lugar do Bonsucesso aonde possam ouvir missa; por serem uma povoação numerosa que conta com mais de 45 fogos e estarem na distancia de quase um quarto de légua do lugar de Verdemilho que é o mais próximo aonde há missa, ficando para esta razão muitas pessoas sem ela e nos dias de preceito, e principalmente pessoas velhas e crianças além do incomodo que lhes causa a falta de missa no dito lugar, não podendo sair com os seus gados para os seus pastos a horas competentes, e ainda que os Supp.tes antigamente ouvissem celebrar a missa em uma Capela que existe no dito lugar se acham privados da mesma por ordem do senhorio da mesma Capela que é José Barreto Ferraz [49] o qual exige em todos os anos um termo de licença para poderem ouvir missa na dita Capela; e nestas circunstancias recorrem a V. Ex.ª para que se digne conceder licença para construírem uma Capela à sua custa a qual não duvide obrigando-se por escritura a conservação da mesma com toda a decência e ornatos necessários. 18 de Abril de 1816.

Em 31 de Agosto de 1816 a Câmara eclesiástica de Abeiro responde e, visto que no primeiro pedido os moradores não haviam declarado qual a invocação do Santo ou Santa da referida Capela, requer que o façam e anexem a escritura de obrigação de bens para conservação da referida Capela.

A escritura[50]
 
Como podemos verificar através do requerimento dos moradores ao Bispado de Aveiro existia no lugar do Bonsucesso uma outra Capela que anterior a 1816 que prestava o serviço de culto. A informação Paroquial de 1734 descreve-a na quinta pertencente a Francisco Teixeira Pimentel e Lima, almoxarife do Rei nesta Comarca (Esgueira) e correio-mor de Aveiro e Cavaleiro da Ordem de Cristo, com a invocação de Nossa Senhora da Natividade. Efectivamente Francisco Teixeira Pimentel era casado com D. Teresa Josefa de Lima irmã de José Barreto Ferraz, casamento do qual não havendo descendência, passando esta sua quinta para seu sobrinho Casimiro Barreto Ferraz de Vasconcelos.

            Esta quinta poderá ser ainda a quinta do Buragal situada no limite entre o lugar do Bonsucesso e Verdemilho. Curiosamente, em 1860 alguns anos após

Após 75 anos de culto, a Capela de Nossa Senhora do Bonsucesso, edificada como todas as demais construções da época com adobes pobres e motivada pelo incremento populacional que ocorreu na segunda metade do séc. XIX, viu necessidade de ser ampliada e reedificada.

Auto de reedificação da Capela do Bonsucesso
Deste modo, em 24 de Junho de 1890, uma comissão de moradores distintos do lugar a saber: Manuel Germano Simões Ratola [51], João dos Santos Bartolomeu, Manuel Gonçalves Andril, António Augusto Afonso, Francisco Coelho Júnior, António Simões Ratola, José Nunes Coelho, Manuel Francisco Parocho, Manuel João Ascenço, pede licença ao prelado de Coimbra para demolir a arruinada capela pública do lugar do Bonsucesso e a reconstruir de novo.
[52]Os abaixo assinados, moradores no lugar do Bonsucesso da Freguesia das Aradas, Concelho de Aveiro, tendo requerido com outros a V. Ex.cia a precisa licença para demolirem e reconstruírem a Capela pública do mesmo lugar, vem agora participar a V. Ex.cia que a reedificação está pronta e acabada, e pedem a precisa licença de v. Ex.cia para que a dita Capela seja benzida e aberta ao culto como a antiga.
Pede deferimento, Bonsucesso, 24 de Junho de 1890
João dos Santos Bartolomeu; António Augusto Afonso.

Atesto a que a Capela q que os requerentes se referem está bem reedificada, mais ampla e com o ornato preciso para abrir ao culto público, não lhe faltando os paramentos, roupas e alfaias indispensáveis. Aveiro, 15 de Março de 1891, o Cónego arcipreste, José Cândido Gomes de Oliveira Vidal.
Tem licença para a bênção e para nela se celebrar tudo na forma, Leiria, 17 de Março de 1891. Bispo Conde.

2.6 As Confrarias

As Confrarias ou Irmandades, nascidas na era cristã nos séculos XIII e XIV criadas como associações civis com fins devocionais e religiosos e, por isso, objecto de doações de importantes e significativos valores, quer móveis quer imóveis, que ao longo dos tempos foram acrescendo. Assim sendo supunham uma organização e gestão zelosa (juízes, tesoureiros, escrivães), ao cuidado na maior parte das vezes de elites que detinham cargos de preponderância na administração local que motivadas por objectivos de distinção, teriam uma influência decisiva nos diversos jogos de poder. Tal como podemos verificar na pouca documentação que chegou até nós produzida pelas Confrarias de Aradas, durante o século XVII e XVIII detinham um património fundiário vasto, distribuído pelas seguinte, a saber: na Matriz a Confraria do Santíssimo Sacramento, a Confraria de Nossa Senhora do Rosário, a Confraria do Senhor Jesus, a Confraria do Espírito Santo, a Confraria de São Sebastião e Almas e a Confraria de Nossa Senhora da Lomba.

A Confraria de Nossa Senhora da Lomba prestava devoção e Culto na Capela de Nossa Senhora da Lomba, hoje Igreja de São João Baptista em Verdemilho.
 A Confraria de Nossa Senhora da Lomba foi dissolvida por alvará do Governo Civil de Aveiro em 8 de Maio de 1867 tendo sido refundada na Irmandade de Nossa Senhora da Lomba da qual aparece registo de eleição de Juízes na documentação relativa a actas da Junta de Paróquia para o ano de 1899 [53], onde se regista que esta tinha obrigação de fornecer cera para o respectivo altar, fazer o serviço da cruz, tratar da lavagem e engomadela da roupa. Aos mordomos da Confraria do Santíssimo Sacramento acrescia o serviço da lâmpada e fornecimento do respectivo azeite. Na mesma acta de 1899 são referidos os eleitos das Confrarias, a saber:
Irmandade do Santíssimo Sacramento da Freguesia de São Pedro de Aradas
Juiz Aradas – António Francisco do Bem
Juiz Verdemilho – Manuel Simões
Juiz do Ramo de Cima – Manuel Germano Simões Ratolla

Irmandade de Nossa Senhora do Rosário
Juiz Aradas – João Simões Maia
Juiz Verdemilho – João Nunes de Oliveira, o Gabriel
Juiz do Ramo de Cima – Manuel Gonçalves Lopes

Irmandade de Nossa Senhora da Lomba
Juiz Aradas – Manuel Simões Maia
Juiz Verdemilho – Luís Veiga dos Santos
Juiz do Ramo de Cima – João Simões Morgado jr.

Irmandade de São Sebastião
Juiz Aradas – Manuel Ferreira Borralho
Juiz Verdemilho – Manuel Patrício do Bem
Juiz do Ramo de Cima – João Emílio António

Irmandade do Espírito Santo
Juiz Aradas – Luís Nunes Salgueiro
Juiz Verdemilho – José Peralta
Juiz do Ramo de Cima – José dos Santos Pego

Irmandade do Senhor Jesus
Juiz Aradas – José Baptista de Pinho
Juiz Verdemilho – Manuel Sarrico Deus
Juiz do Ramo de Cima – José Gonçalves Sarrico

Irmandade do São Miguel e Almas
Juiz Aradas – Joaquim Gonçalves Neto
Juiz Verdemilho – Francisco Nunes Piolho
Juiz do Ramo de Cima – Luís da Rocha Rapozo
Excepção á regra, a Irmandade de Nossa Senhora do Livramento da Igreja da Quinta do Picado, preserva fundo de espólio documental datado entre 1908 e 1975 [54],o que nos permite uma visão do culto registando a receita das festividades e despesas de conservação na Igreja da Quinta do Picado para o séc. XX, bem como o registo de irmãos e pagamento de anuidades. Guardado e zelado carinhosamente por José Maria Resende Bastos, este fundo encontra-se no presente à guarda de um seu herdeiro, Sr. Magno Ferreira, morador na rua dos Louros.[55]
3. Igrejas de culto privado

3.1. A Igreja na Quinta de Nossa Senhora das Dores em Verdemilho

3.2. A Igreja na Quinta de São Tomé em Verdemilho

A Quinta de São Tomé em Verdemilho foi instituída por Filipe da Cruz Paio em 1837. Localizamos o processo de instituição de Capela no Arquivo da Universidade de Coimbra ...

3.3. A Igreja na Quinta de Nossa Senhora da Oliveira da Cardoza, limite de Verdemilho e Bonsucesso

A quinta de Nossa Senhora da Oliveira fica situada no limite de Verdemilho com o Bonsucesso, com frente para estrada que hoje passa na actual Igreja Matriz de São Pedro, no mesmo lado que a Quinta de Nossa Senhora das Dores. Originariamente compunha-se de grande extensão de terra lavradia com casas térreas de habitação, albergarias, pomar, terras lavradias e mais pertenças, e que tinha como entrada um arco com a imagem de Nossa Senhora do Carmo [56], hoje inexistente, sita num pequeno outeiro que confina com a levada das azenhas que desce do lugar do Bonsucesso e desagua na Malhada de Eirô. A Capela foi instituída por dois irmãos religiosos junto da sua quinta de residência no sítio da Cardosa em 1748.

[57] Dizem Manuel da Cunha Rebelo presbítero do hábito de São Pedro, natural e morador na Vila de Aveiro e António da Cunha Rebelo vigário da Paroquial Igreja de São Martinho do Bispo, que eles suplicantes pretendem construir e edificar uma capela com a invocação de nossa Senhora da oliveira sita no lugar da Cardosa freguesia de São Pedro das Aradas com bens competentes de raiz que bastantes sejam seu rendimento para a sua fábrica, reparação e ornamentos livres e desembargados de que resulta utilidade pública não só aos caminhantes, mas ainda ás inúmeras pessoas de um e de outro sexo que costumam quotidianamente passar pela estrada que não fica em distancia da Capela, como são os moradores de Ílhavo, Val de Ílhavo e Souza a vender pão, peixe e outros géneros comestíveis para a Vila de Aveiro e porque se não pode entrar na edificação da dita Capela sem licença expressa do ordinário.

Em observância do despacho de V. M. fui pessoalmente ao sitio da Cardoza que está dentro dos limites da Freguesia de São Pedro das Aradas e fazendo vistoria ao lugar em que os suplicantes pretendem erigir a Capela com a invocação de Nossa Senhora da Oliveira achei que era decente muito conveniente e útil a erecção dela não só para os fregueses da Igreja Paroquial de São Pedro, por alguns deles terem a sua habitação e domicilio em grande distância da Freguesia como para os passageiros e caminhantes e outras pessoas de diversas freguesias que costumam vir a esta Vila de Aveiro ainda em dias santos a vender pão e outros géneros comestíveis e fica a capela em pouca distancia da estrada para poderem ir ouvir missa; e não menos útil para os suplicantes que intentam assistir a maior parte do ano com toda a sua família, utilizando-se de ouvir missa todos os dias. E ouvindo o reverendo pároco de São Pedro das Aradas, que se achava presente assentiu em todo o referido; à vista do que entrei a examinar o lugar da erecção da predita Capela e sitio para ela, e constará a grandeza dela de 36 palmos de comprido e vinte da largo, para o que lhe pus marcos e balizas e fica a dita capela com alguma separação das casas da quinta e da cura doméstica sem que hajam os suplicantes nem a sua família de usar dela mais que para o ministério da missa e fazem nela oração, por terem casas superabundantes para viverem e se acomodarem e me parece que se lhes deva conceder licença para se poder edificar e erigir a Capela mencionada, 30 de Janeiro de 1748 O Vigário Frei António da Cruz. [58]

Escritura de dote de Capela. 1748, Março, 11 feita no sítio do Senhor do Cruzeiro que é dentro da Vila de Arada.
Devem os reverendos suplicantes fazer escritura de fábrica à dita Capela obrigando bens de raiz cuja escritura farão declarando nela ser a dita Capela Eclesiástica e da sua jurisdição, e como tal será visitada pelos seus Visitadores. Obrigação com hipoteca da quinta da Cardoza que consta de vinhas, pomares e terras lavradias que vale cerca de 500$000 reis e renderam em cada ano 30$000 réis livres deductis expensis, tabelião João Pedro Ribeiro Saraiva de Figueiredo.

Auto de revista:
Achei a dita Capela muito perfeita e acabada e asseada com sua pia de pedra e fechada com suas portas edificada e erigida no sitio por mim demarcada e abalizada, com as mesmas medidas de comprimento e largura de que já dei informação na qual se pode sem escrúpulo algum celebrar o santo sacrifício da missa por estar com toda a decência e ter seu altar seguro e fixo com seu frontal branco e vermelho e sua pedra de ara forrada de pano de linho, três toalhas de pano de linho, duas lisas e uma com renda, e no altar uma imagem de santo Cristo muito perfeita e no retábulo a imagem de Nossa Senhora da Oliveira perfeitíssima invocação e padroeira da dita Capela, tendo todos os paramentos necessários que são: um cálice com sua patena e colher de prata tudo sobredourado e novo, duas mesas de corporais com suas palas de linho e rodeados de renda, com duas bolsas e dois véus de seda um branco e outro vermelho, uma vestimenta ou casula branca com seu amito e cordão, meia dúzia de sanguíneos, umas galhetas de prata com seu manustérgio, um missal moderno com sua estante e seus castiçais. Aveiro 21 de Julho de 1748. O Vigário Frei António da Cruz.

A Memória Paroquial de 1759 aponta como proprietário da referida Capela o Dr. Luís António Rozado da Cunha, que supomos ser um familiar dos instituidores, cujo parentesco não conseguimos apurar.
A propriedade da quinta foi posteriormente adquirida por Salvador José Joaquim Durão [59],escrivão da Câmara e Almoçatarias de Aveiro, tendo sido requalificada e edificado junto da Capela e casa um complexo com jardim composto de bancos e fontanário dedicado a São João Baptista, com a inscrição epigráfica de 1817. 

Diz Salvador José Joaquim Durão, Cavaleiro professo da Ordem de Cristo e criado particular de sua Majestade, e que se acha presentemente vivendo com a sua família no lugar de Verdemilho, numa quinta que comprou e como na dita quinta tem uma capela muito decente, consultou o Superior com o seu pároco se a poderia continuar, visto ter a dita Capela duas portas, uma particular e outra pública. 31 de Agosto de 1778. Foi concedida 2ª licença para celebração de missa. [60]

Mais tarde, no começo do séc. XIX, José Fernandes Melício, natural da freguesia de Avelãs da Ribeira e sua mulher D. Maria da Conceição Melício, da freguesia de Codesseiro, ambas no concelho da Guarda [61] adquiriram a Quinta da Oliveira para sua residência, que, fugindo por ocasião da última invasão francesa deixaram e venderam as terras da sua naturalidade que haviam herdado, dedicando-se ao comércio em Aveiro [62]. Aqui passou a sua infância o Dr. Agostinho Fernandes Melício, nascido em 15 de Janeiro de 1920, filho destes e distinto advogado, que, mais tarde casando com D. Felicidade Augusta Meireles Monteiro residiu na Quinta da Boavista em Verdemilho.
Em 17 de Janeiro de 1912, João Maria Simões de Oliveira [63] comprou a D. Leonor [64] Amélia da Silva Santiago Melício a Quinta de Nossa Senhora da Oliveira. Hoje, a Quinta da Oliveira, permanece propriedade da Sra. Auzenda Ratola de Oliveira filha de João Maria Simões de Oliveira e encontra-se em muito mau estado de conservação. A Capela, transformada em garagem, não alberga já o retábulo descrito nem qualquer imagem devocional.
Esta Quinta é conhecida também por vários autores [65], cremos que sem de veracidade histórica, como palco do célebre romance de Camilo Castelo Branco que descreve a história do médico e franciscano Dr. Brás Luís de Abreu, o conhecido “Olho de Vidro". [66] Segundo o Dr. Alberto Souto, difusor deste pensamento, esta Quinta teria pertencido a um fidalgo, o fidalgo “sapateiro”, um dos denunciantes da conspiração contra D. José. [67]
3.4. A Igreja de Nossa Senhora da Assumpção da Quinta do Casal no limite de Verdemilho e Aradas – Hoje de Nossa Senhora da Esperança no Complexo Industrial da Extrusal

D. Maria Custódia Rangel de Quadros e Veiga, filha de António Rangel, casou com Manuel de Castanheda Cabral de Moura e Horta natural da Vila de Góis familiar do santo oficio, cavaleiro da Ordem de Cristo e sargento-mor da comarca de Coimbra, filho de Francisco Cabral Bello onde foi capitão e de sua mulher D. Maria de Castanheda de Moura natural de Arganil. Tiveram sete filhos, a primogénita foi D. Ana Catarina, freira no Convento de Jesus seguida de Francisco Caetano Cabral de Moura e Horta que faleceu em Setembro de 1755. [68]


3.5. A Igreja de Nossa Senhora da Conceição na Quinta da Conceição em Verdemilho do Morgado do Buragal

O Morgadio do Buragal foi instituído pelo casamento do Dr. Faustino Xavier de Bastos Monteiro e D. Joana Travassos de Vasconcelos a 3 de 1728. Tinha como propriedades entre outras a Quinta em Verdemilho de que seu tio o Rev. Pe. José Monteiro de Bastos morador na Vila de Aveiro era meio herdeiro e se compunha de Quinta com uma Capela com a invocação de Nossa Senhora da Conceição, tendo porta patente para a rua com boa perspectiva e no melhor sitio daquele lugar e que confinava no extremo sul com rua pública e caminho que vai para o Eirô [69]. Foi fabricada com licença do Exmo. e muito venerável Bispo de Coimbra D. João de Melo, e que para a qual pediu nova vistoria de revista da Capela e licença de celebração em 2 de Dezembro de 1712 a Frei Mathias de Almeida Prior de São Miguel da então Vila de Aveiro.

Em virtude do despacho de V. Ilust.a fui ao lugar de Verdemilho a ver a Capela que o R.do Sup.to tem na sua Quinta e achei que estava no melhor sitio daquele lugar, com porta para a rua e em parte murada de boa arquitectura, tem seu retábulo novo de obra salomónica ainda não dourado porem com toda a meudeza, e perfeição na peanha do meio a imagem de Nossa Senhora da Conceição, na do lado direito a de São Francisco, e na do lado esquerdo a de Santo António, imagens de vulto e estofadas e de boa e excelente escultura, tem seu púlpito e coro, estando limpa e asseada, bem reforçada e com toda a decência para nela se celebrar o santo sacrifício da missa para que tem tudo o necessário; o altar muito composto com seu frontal e pedra de ara, toalhas, cruz e castiçais, estante, missal, galhetas, cálice, patena, sanguíneos, corporais, capa e bolsa para eles, pala, manustérgio, amito, alva, cíngulo, estola, manipulo, casula, véu de cálice tudo novo e muito capaz e aviado com toda a decência para se celebrar o santo sacrifício da missa.
Foi-me apresentado pelo Rev. Superior a escritura da fabrica da dita Capela que vai junta, que é a metade da quinta em que está sita pela outra metade ser do seu património e é fazenda nobre e de muito rendimento, que consta de casas sobradas e terrenos, pomares, vinhas e terras lavradias com que me parece bem segura esta fábrica da dita Capela e segundo a informação que tomei foi erecta no tempo e com as circunstancias que o Sup.to velava em sua petição em sitio não sórdido nem inundado. Desorte que por todas as sobreditas razões me pare e que é muito do serviço de Deus Nosso Senhor e de sua Mãe Santíssima a Virgem Nossa Senhora da Conceição conceder V. Ilustríssima, licença de que nela se diga missa para maior culto e consolação deste povo a quem a dita capela de ornato por estar no meio dele e não prejudicar aos direitos paroquiais como informou o Rev. Pe. Cura Bernardo Leitão Pereira que aqui assinou comigo. 14 de Janeiro de 1713. O Prior Cristóvão Ferreira e Vasconcelos e o Pe. Bernardo Leitão Pereira.

3.6. A Igreja de São Bartolomeu na Quinta da Medela em Verdemilho

Segundo o Padre Luís Cardoso [70], a ermida de São Bartolomeu situava-se da quinta de Manuel da Fonseca e Vasconcelos.

4. As Quintas

4.1. Quinta da Boa Vista – Verdemilho
           
A Quinta da Boa Vista aparece referida em documentação.
Propriedade do Dr. Agostinho Fernandes Melício [71] casado com D. Felicidade Augusta Meireles Monteiro de cujo pai o Dr. Gonçalves Meireles Monteiro das Ribas havia mandado edificar. A Quinta da Boa Vista é uma das propriedades mais formosas dos arredores de Aveiro, composta de habitação no alto com seu jardim em cascata de grutas, arvoredos e fontes.
Em 8 de Julho de 1914, D. Felicidade Augusta Meireles Monteiro Melício, após a Lei de Separação do Estado da Igreja, lei que espoliou parte dos imóveis pertencentes à Paróquia, requer à Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais o aforamento do passal de Verdemilho, propriedade circundante da demolida Igreja Matriz. [72]

4.2. Quinta do Ribeiro – Verdemilho

A Quinta do Ribeiro fica situada em Verdemilho, no caminho que vai para o cais do Eirô. Como referência passada temos um registo de óbito de 29 de Setembro de 1853, dando-nos conta que faleceu na sua Quinta do Ribeiro, em Verdemilho, o ilustre aveirense Dr. José da Silva Melo Soares de Freitas, que, tendo emigrado para o Brasil, foi insigne advogado no Rio de Janeiro. [73]
Hoje, a Quinta do Ribeiro é propriedade de D. Maria Alice Maia Canha dos Santos, casada com o Sr. João dos Santos proprietário do conhecido concessionário da Fiat em Aveiro, recentemente falecido. D. Alice herdou esta propriedade de seu avô, Manuel Simões Maia do Miguel, nascido no Bonsucesso a 30 de Agosto de 1880, presidente da Junta de Freguesia de Aradas [74] que falecendo a doou a sua mãe D. Maria Vieira da Maia, a filha mais velha de quatro irmãos. Manuel Simões Maia do Miguel teve mais três filhos, dois rapazes, Gilberto e Germano e uma rapariga de nome Aida. D. Maria Vieira da Maia faleceu em 20 de Janeiro de 1990. Compõe-se casa de primeiro andar com casas de lavoura anexas e área de jardins onde quatro fontes com nichos setecentistas, um dedicado a Santo António, transportam água para grande tanque, ou piscina de lazer, antes de confluírem para o esteiro do Eirô e braço da ria, que delimita este complexo habitacional da parte do sul, proporcionando um horizonte sobre as marinhas da ria inigualável.
D. Maria do Carmo de Abreu da Gama e Melo [75], avó de Alberto Souto pelo lado materno, pertencia a uma das famílias nobres aveirenses, referidas por Rangel de Quadros, mais concretamente à família dos Monteiros, que casou com o Dr. António Ferreira Souto de Angeja.

4.3. Quinta do Torreão – Verdemilho

A Quinta do Torreão situa-se em Verdemilho. É referida como propriedade dos antepassados de Manuel Firmino Almeida da Maia, que ali viveu com mãe depois da morte de seu pai, falecido Avanca em 1849. Custódio de Sousa Maia, avô materno de Manuel Firmino terá deixado esta quinta a sua filha, Ana Margarida de Jesus.

Em 1914 é descrita como Casa da Quinta do Torreão propriedade na Rua da Igreja de Diamantino Vieira Alexandre de Verdemilho.

4.4. Quinta da Torre

Quinta do conselheiro Joaquim José de Queirós e Almeida e Teodora Joaquina de Almeida avós do escritor José Maria Eça de Queirós.
4.5. Quinta dos Loiros ou Loureiro – Verdemilho

4.6. Quinta do Canha – Aradas

Casa alta de D. Maria Isabel que passou para propriedade dos herdeiros do Visconde de Valdemouro. Propriedade pertencente ao pai de D. Alice Maia Canha dos Santos.

4.7. Quinta do Forte – Bonsucesso

Casa construída pelo Dr. Alberto Souto e sua mulher Pompília, edificada em 1915 pelo projecto do Arquitecto Francisco da Silva Rocha, pelo Mestre de alvenaria André Vieira de São Bernardo falecido em 1934. Hoje está adaptada às funções de Arquivo Distrital de Aveiro.

5. O espólio artístico e documental que resistiu à voragem do tempo

Quando iniciei não existia na Paróquia qualquer tipo de Arquivo Histórico ou Paroquial organizado ou Arquivo Fotográfico Paroquial, salvo os registos referentes a baptismos, casamentos e óbitos. Consta que durante as obras de reconstrução da nova residência paroquial anexa à Matriz de São Pedro, todo o Arquivo Histórico da Paróquia e Irmandades (Santíssimo Sacramento e Sra. do Rosário), assim como livros de Rol de Confessados e documentos de gestão da Junta de Paróquia, se inutilizaram, perdendo-se toda a documentação. Intentou-se portanto recensear outros fundos relativos à vivência Paroquial recolhendo em privados e paroquianos fotografias e documentação que nos auxiliasse na nossa investigação.
Todas as Igrejas da Paróquia de São Pedro de Aradas, sofreram nas décadas de 1970/80 profundas transformações arquitectónicas, que resultaram em perdas substanciais de património, quer móvel quer imóvel. A nave central da Igreja Matriz sofreu profundas remodelações de ampliação efectuadas pelo arquitecto aveirense Cravo Machado em projecto de 7 de Janeiro de 1983, retirando-se e inutilizando-se os quatro retábulos de talha, a grande sanefa do arco-cruzeiro (da qual se aproveitou fragmentos para o coroamento do retábulo-mor), desaparecendo também a pedra adossada do púlpito, varandim e sanefa, bem como confessionários, lampadários, castiçais de banqueta e andores. Tudo se perdeu restando apenas o retábulo-mor que alterou a sua policromia.
Em 1970, com a construção da nova Igreja de São Sebastião do lugar de Aradas, demoliu-se na totalidade o edificado da Igreja antiga, ainda que em diferente localização, e com esta o retábulo-mor, retábulos laterais em talha dourada e pedra de púlpito, sanefas, castiçais de banqueta em madeira entalhada. Localizámos contudo em casa de um particular o retábulo colateral dedicado a Nossa Senhora de Fátima em estado de conservação deficiente. No processo de desanexação deste templo ao Património Paroquial para alienação a titulo oneroso, datada de 25 de Julho de 1972, conclui-se que a antiga Igreja de São Sebastião não tendo o imóvel grande valor histórico ou arquitectónico se autorizou a venda da referida para fins não cultuais ou religiosos retirando-se toda a aparência de templo ou construção sagrada.[76]
Também na Igreja de São João de Verdemilho, se realizaram obras de ampliação e de remodelação em 1980, retirando-se e inutilizando-se os dois altares colaterais de talha dourada, que fariam conjunto com o retábulo-mor, provenientes da Capela do Santíssimo Sacramento da demolida (1836) Igreja Matriz de São Miguel de Aveiro e conduzidos para Verdemilho nesta data, assim como também desapareceu a importante pedra de púlpito e escada de acesso, que continha inscrições epigráficas, registadas felizmente por A. Nogueira Gonçalves no seu inventário artístico efectuado em 1959.
Igualmente na Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso, aquando das obras de remodelação, se desfez e inutilizou o importante retábulo-mor, também proveniente da demolida Igreja Matriz de São Miguel de Aveiro, correspondente à Capela de São José, restando apenas duas das peanhas laterais com as imagens em baixo relevo de Santa Ana e de São Joaquim, assim como se inutilizaram também os dois altares colaterais de talha, a pedra adossada e balaústres do púlpito, banquetas de castiçais em talha dourada e sanefas.
A Igreja da Quinta do Picado dedicada a Nossa Senhora da Conceição também não foi excepção, e, com a remodelação arquitectónica de 1975/77 retirou-se e desfez-se o grande retábulo oitocentista da capela-mor, de igual feitio dos altares colaterais que ainda hoje permanecem in sito, desaparecendo igualmente o varandim do púlpito e a sua pedra.



6. Anexo Documental

Doc.1

1161, Março – Verba de Testamento de João Medis de doação da Vila de Aradas [77]
   
Em nome de Deus: Eu, João Medis, temendo o dia da minha morte faço meu testamento desta maneira para remédio de minha alma. Primeiramente depois de minha morte mando que o meu corpo seja sepultado no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra e mando, que comigo lhe seja dada toda a minha Vila que se chama Aradas, a qual está junta a Aveiro e é de saber que eu tenho dado na dita Vila uns casais a meu genro Gonçalo Gonçalves com tal condição que em minha vida, ele somente tivesse o usufruto deles, mas depois de minha morte largasse os mesmos casais ao dito Mosteiro para que eles com suas pertenças ficassem inteiramente com as minhas herdades; mas em caso que ele, dito meu genro, pretenda ir contra este pacto e conserto, os Religiosos do Mosteiro de Santa Cruz lancem mão de toda a minha herdade de Murtede em lugar somente dos tais casais rateados na dita Vila de Aradas. E se minha mulher Dona Maria depois da minha morte viver bem e castamente e não receber outro marido oculta, ou manifestamente conforme me tem prometido e por conselho do Prior de Santa Cruz e de outros bons homens que nesse Mosteiro há e permanecer no estado de continência, mando que somente em sua vida tenha o usufruto de tudo isto que acima tenho deixado ao Mosteiro de Santa Cruz e depois de sua morte tudo como acima disse livremente fique ao dito Mosteiro, mas se ela o contrario fizer e não guardar o que tenho mandado, em tal caso logo depois de minha morte os Cónegos de Santa Cruz como causa própria tomem para si e tenham e possuam para sempre tudo o que tenho deixado ao dito Mosteiro. O que tudo faço por bem e remédio de minha alma e de meu Pai e Mãe e para que participe e tenha quinhão nas orações e boas sobras do dito Mosteiro como tem os mais benfeitores dele e qualquer que presumir ir contra tudo o que tenho mandado seja maldito e condenado Judas no inferno seja atormentado e quanto quer que tentar tirar do que tenho dito tanto seja obrigado a pagar em dobro e além disso quero que o que neste se contem e está escrito fique firme e valioso. Foi feita esta carta de testamento no mês de Março era mil cento noventa e nove. Eu João Medis acima nomeado que esta mandei fazer perante testemunhas suficientes a confirmei e com a minha mão própria fiz este sinal + Testemunhas que estiveram presentes Pelaio Galvão e Gonçalo Gonçalves meu genro, Soeiro Coelho, Gonçalo Pais, Pedro Paio testemunha, Paio de Góis testemunha, Fernando amigo testemunha, Paio da Luz testemunha, João Presbítero.

Doc.2

1181, Agosto – Carta de Foral da Vila de Aradas dada pelo Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra [78]
Saibão todos, assim os presentes como os vindouros, que eu, Dom João, Prior do Mosteiro de Santa Cruz juntamente com os meus irmãos faço esta carta de foral aos nossos homens de Aradas e de seu termo, e lhes ponho tal foro que qualquer deles que de novo romper terra nossa, e nela semear e colher pão, ou plantar vinhas, seja obrigado a nos dar a oitava parte, tanto de pão como de vinho, e a oitava parte do linho e das cebolas, e de alhos e de todos os mais legumes que nela houver. E da mesma maneira seja obrigado a dar-nos da venda que fizerem, a oitava parte, e a tal propriedade que assim for vendida sempre ficará com esta obrigação de foro quem ficar no seu lugar permaneça com este foro, isto é, com a oitava parte.
Foi feita esta carta de foral e confirmação dela no mês de Agosto era de mil duzentos quarenta e nove. + Os que se achavam presentes foram: Domingos Diácono anotou; estando presente cónego Paio João cónego de Santa Cruz; Dom Pascoal, testemunha; mestre Pedro Foson, Martinho de Aveiro escrivão do rei, testemunha; Paio Toleto, converso de Santa Cruz; Frei Fernando, porteiro de Santa Cruz, testemunha; Mendo João, clérigo de Loure, Mestre Prior de Arada. Paz e verdade em nossos tempos. Amém.
Doc.3

1188, Abril – Carta de Foral das vinhas da Vila de Aradas dada pelo Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra [79]
Debaixo do nome de Cristo e da sua misericórdia. Saibão todos os homens, assim os presentes como os vindouros, que eu, Pedro, prior de Santa Cruz, com consentimento de meus cónegos faço carta de foral aos nossos homens de Arada, para que façam e plantem nela vinhas com tal condição que quando essas vinhas derem vinho, delas nos paguem, em cada um ano, a sétima parte do vinho. E em caso que algum dos moradores desta nossa Vila se quiser sair dela, venda tudo o que tiver feito a homem nosso, ou outro qualquer homem que quiser morar na mesma nossa herdade, que pague o foro, e nos dê a sétima parte do vinho que fizer. E se alguém sem nossa licença sair da dita herdade, perca tudo o que nela tiver. E portanto fazemos este aforamento aos moradores dela para que eles sempre nos sejam leais e obedientes e nos dêem a sétima parte do vinho bem e em paz.
Feita esta carta de foro no mês de Abril da era de mil duzentos e vinte e seis.
+ Eu, Pedro, prior de Santa Cruz a confirmo; João, presbítero anotou; João Freire, presidente a leu. Feita. Paz e verdade em nossos tempos.

Doc.4

1431, Maio, 26 – Propriedades do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra em Aradas [80]


Doc.5

1570, Novembro, 6 - Livro de Tombo das propriedades da Vila de Arada que pertencem ao Mosteiro do Salvador do Porto [81]

Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil quinhentos e setenta annos aos seis dias de Novembro do dito anno na Vila de Arada de Cima e nas pousadas de André Affonso da dita Vila e onde estava presente o Licenciado António Rabello Juiz de fora de Aveiro pello duque senhor dela e com a alçada del rei nosso senhor estando ahi outro si presente Do. André Prior do Salvador da Cidade do Porto e Procurador do dito Mosteiro e por elle foi dito a elle Juiz que sua Alteza lhe cometera a medição das terras que ao dito Mosteiro pertencia que estavam em a Vila de Arada e seu limite, e em Villa de Milho que lhe requeria em nome do dito Mosteiro fizesse Tombo de todas as ditas propriedades e casais que ao dito Mosteiro pertenciam para a todo o tempo se saber o que ao dito Mosteiro pertencia. O que visto por o dito Juiz mandou logo vir perante si os caseiros e pessoas que traziam propriedades e casais do dito Mosteiro para por Juramento o declararem e fazerem Tombo e medição della sob pena que as negando o dito Mosteiro as poder demandar por perdidas e de todo o dito Juiz mandou fazer este auto e mandou que a dita Provisão se trasladasse aqui porquanto andava a propria junta aos autos de demarcação que elle juiz fizera André Affonso tabelião o escrevi; António Rabello


Propriedades que tráz André Affonso das Aradas
-Uma terra na Soeira na agra que parte da banda do mar com terra da Penteada que é do dito Mosteiro e do sul com Gonçalo Annes taipeiro e do nordeste com terra que foi de João Gonçalves Cabeçudo e do norte com casal que foi de Francisco Gonçalves, e paga de oitavo e leva de semeadura 6 alqueires de trigo.
-Terra na mesma Agra que se chama a Oitava que parte da travecia com casal que foi de Francisco Gonçalves e do norte com o mesmo casal e do nordeste com terras de Affonso Vaaz e de Fernão de Annes e do neto e do sul com terras do mesmo neto e levará de semeadura 4 alqueires porque ele testemunha a medio já e paga de oitavo.
-Terra na mesma Agra que se chama a Oitava que parte da travecia com vinha que foi de Pedro Annes e do norte com casal que foi de Bastião Rodrigues e do norte com vinha de Fernão Annes e do vendaval com vinha de André Pires pedreiro morador em Aveiro e paga de oitavo e  que levará de semeadura 3 alqueires de trigo.
-Outra terra que se chama a Grueira que parte com outra terra que ele testemunha trás que paga a Aveiro e a que pertence ao dito Mosteiro levará um alqueire de semeadura e parte do norte com terras de Affonso Pires de Aradas e do nordeste coma a terra que pertence a Aveiro e do vendaval com terra do mesmo Affonso Pires e Pero Affonso e da travecia com terra de Affonso Pires e paga de oitavo.
-Outra terra logo ali além na Agra da Grueira que parte da travecia com a terra que foi de Affonso Annes do casal e do aguião com terra de Francisco Vaaz e do sul com terra de António Pires e do nordeste com terra delle André Affonso que é da Vila de Aveiro e levará a terra do Mosteiro cinco alqueires de trigo de semeadura e a que pertence à Vila leva um alqueire somente e paga de oitava e que as terras com que partem acima ditas todas são do Mosteiro do Salvador tirando as de Aveiro acima ditas nesta adição.
-Mais um assento de casas em que elle André Affonso vive que estão em três casas a saber, sala, cozinha e câmara e um palheiro e curral e um pomar, o qual pomar e assento todo levará de semeadura dois alqueires de trigo pouco mais ou menos e paga de todo o assento um capão e um alqueire de trigo pelo Natal e jurou que não tinha mais propriedades do dito Mosteiro.

Propriedades que traz Fernão de Annes de Aradas
-Uma terra na Pedra Moura nas Arrotas novas que esta a dela por arromper, que parte do vendaval com Quintãa que foi do Sombreireiro e do soão com o caminho que vai para Vallade e da travecia com Bastião Dias e caminho que vem para Aradas e do norte com estrada que vai para o Porto, Coimbrão e Arroto, levará de semeadura vinte alqueires de trigo e o por romper dez alqueires de trigo a qual terra e mato ele Fernão Annes comprou a Pero Alvares de Gistolla por três mil e quinhentos reis e paga de oitavo.
-Outra terra no Vaal das Silhas que parte do Vendaval com André Affonso e da travecia com a madre de água e com seu vacello que está na terra de Rui Pereira e do aguião com vinha que foi de Fernão Vaaz e do soão com terra que foi do mesmo Fernão Vaaz e levará de semeadura quatro alqueires e meio de trigo e paga de oitavo.
-Na Arrota dos Carvalhos uma leira que leva seis alqueires de trigo de semeadura que parte do suão com vale de André Affonso e outros herdeiros e ribeiro que foi de João Pires e João Thomé e de Fernão Annes e de Affonso Fernandes e Affonso Pires e do aguião com terra de Pero Affonso e da travecia com terra de João Pires e do vendaval com terra que foi de João Gonçalves seu irmão, paga de oitavo.
-Outra leirinha que está na mesma arrota que leva de semeadura um alqueire e meio de trigo paga de oitavo parte do suão com terra que trás Pero Dias e da travecia com Brás António e do vendaval com ele Fernão de Annes e com terra de Pero Affonso
-Outra leirinha logo ali que levará três alqueires de trigo de semeadura e paga de oitavo e parte da travecia com Thomé Affonso e com João Pires e do aguião com o mesmo Pero Affonso e do suão com Brás António e do vendaval com ele João Pires.
-Outra leirinha que ainda não leva alqueire de pão de semeadura e paga de oitavo, parte do vendaval com João Gonçalves moleiro e do aguião com ele mesmo Fernão Annes e da travecia com João Pires e do suão com terra que trás Pero Dias.
-Outra leira que levará um alqueire e meio de pão que paga de oitavo e do vendaval parte com João Gonçalves moleiro e da travecia com terra que trás Pero Dias e do aguião com o dito Fernão Annes e Pero Dias e do norte com terra dele Fernão de Annes e Pero Dias.
-Tem mais ele Fernão de Annes abaixo das ditas Arrotas um ribeiro onde se chama do Pinheiro que parte da travecia com sua terra e do suão com Matheus André e do vendaval com terra de Thomé Affonso e do aguião com um pedaço do Vale de Affonso Annes.
-Onde se chama o Vergal que leva de semeadura cinco alqueires de trigo e parte do norte com Pero Affonso e do nordeste com os herdeiros de João Pires e de Andreza Fernandes e do vendaval com terra do Casal de Andreza Fernandes e da travecia com o dito Pero Affonso e paga de oitavo.
-Outra leira que se chama as Oitavas na Agra de Aradas que leva de semeadura seis alqueires de trigo e paga de oitavo parte do norte com terra que foi de João Gonçalves seu irmão e do nordeste com carreira da Agra e da travecia com André Affonso e outra terra que foi de João Gonçalves e do vendaval com terra que foi de Pedro Annes.
-Uma vinha na Grueira que leva cinco homens de cava e paga de oitavo e parte do norte com terra de Pero Lopes e do nordeste com uma terra da neta que foi de Affonso Annes e do vendaval com vinha de André Pires de Aveiro e da travecia com André Afonso de Aradas
-Disse que tinha a metade de uma Quintãa que se chama dela a Quintãa de la Escudeira e as terras que dela trás são as seguintes:
-Uma terra pegada com António Pires que leva de semeadura seis alqueires de trigo que parte do aguião com António Pires e do suão com terra do Duque que ele testemunha trás e do vendaval com terra de João Thomé e da travecia com a madre de água, e paga de oitavo
-Outra terra na Escudeira que leva de semeadura sete alqueires de trigo e parte do vendaval com terra de Thomé Affonso e da travecia com a madre de água e do suão com terra de João Affonso o Ramos e do norte com terra de João Thomé, e paga de oitavo
-Outra leira logo da Carreira para baixo que leva de semeadura cinco alqueires e paga de oitavo e parte do norte com terra de João Thomé e do nordeste com Vale de Bastião Dias e da travecia com a carreira da Quintãa e do vendaval com terra que trás Francisco de Bastos que comprou D. Guiomar.
-Outra leira de terra logo ali que levará seis alqueires de semeadura e paga de oitavo e parte do norte com terra que trás Francisco de Bastos que é de D. Guiomar, que é do dito Mosteiro, e do suão com Vale de Bastião Dias e do vendaval com terra de João Thomé e da travecia com o mesmo João Thomé.
-Outra terra logo além que leva de semeadura seis alqueires de trigo e paga de oitavo
-Outra leira que jaaz da carreira para a travecia e leva de semeadura sete alqueires de centeio e paga de oitavo e parte do norte com Pero Lopes e Jusarte Godinho e do suão com a carreira e da travessia com Pero Lopes e chão dele Fernão de Annes e do vendaval com João Thomé
-Outro sarrado logo abaixo que leva de semeadura nove alqueires de trigo e paga de oitavo e parte do aguião com Pero Lopes e da travecia com a estrada e do nordeste com João Thomé e ele testemunha e do vendaval com o assentamento de João Thomé
-Outra leira em o sarrado que jaaz abaixo da estrada que levará de semeadura sete alqueires de centeio e parte da travecia com o caminho que vai para o chão de André Simão e outros e do vendaval com a terra que foi da mulher que foi de Gonçalo Pires e do suão com a estrada e do norte com o Carril que vai para os chãos de Gonçalo Pires.
-Um chão que está na Várzea de Aradas que levará de semeadura quatro alqueires de trigo e paga de oitavo e da travecia parte com vinha de Francisco Lopes oleiro de Aveiro que é do dito Mosteiro e do vendaval com o ribeiro que foi de João Gonçalves que está em campo e do suão com assento dele testemunha e do norte com pomar do dito oleiro que é do dito Mosteiro e paga de oitavo.
-Um assentamento de casas em que ele Fernão Annes vive que tem três casas, sala, cozinha e celeiro e assi palheiro e curral e eira e um pedaço de pomar que todo poderá levar de semeadura três alqueires e meio de trigo e paga de foro de tudo um capão e um alqueire de trigo.
-Declarou ele Fernão de Annes que das terras da Quintãa acima ditas paga de seis uma a Pero Ferráz de Aveiro por um prazo fateozim que fez a seu pai João Luiz antecessor do dito Pero Ferráz de que paga da dita meia Quintãa de oitavo ao dito Mosteiro.

Propriedades que deu João Váz de Aradas
-Um chão que é leira onde se chama a Cavada que parte do nordeste com a estrada do Coimbrão
-Uma vinha de cavadura de um homem e meio
-Outra vinha logo ali no mesmo sarrado
-Outra terra que está no dito sarrado que leva de semeadura vinte alqueires de trigo
-Um serrado na Arrota onde chamam Casal que leva de semeadura catorze alqueires de trigo que parte do vendaval com terra de Beatriz Pinheira da Vila
-Uma terra no dito sarrado que leva de semeadura três alqueires de trigo que parte do vendaval com terra de Maria Pires mulher de João Simão
-Outra terra no mesmo serrado e Arrota que leva de semeadura nove alqueires de trigo que parte de travecia com a Quintãa de Roque António e Brás António da qual terra se venderão de foro quatro alqueires de trigo a Rui Botelho de Soure que ele testemunha paga a seus herdeiros
-Uma vinha onde se chama o Couto que leva quatro homens esforçados e parte do norte com vinha que foi de Diogo Fernandes de Aveiro e da travecia com vinha de Pero de Mello
-Um ribeiro que está pegado com chão de António Gonçalves de Ílhavo
-Um Brejal que foi já marinha que se chama a Ponte do Paao pegado com a marinha de António Dias Cordeiro que também é do dito Mosteiro do qual se paga o dízimo à Igreja e parte do nordeste com Jorge Fernandes e do norte com a marinha Lamega e da travecia com marinha que foi de Fernão Gonçalves e do vendaval com Esteiro que vai dantre as marinhas
-Um assentamento de casas em que vive.

Francisco Váz de Aradas, Juiz da dita Vila
-Um pedaço de terra onde chamam Alfândega em Aradas de Baixo que leva de semeadura três alqueires, que parte do nordeste com terra de Fernão de Annes marinheiro de Aveiro
-Outro chão onde chamão o chão da Sebe que leva de semeadura dois alqueires e parte do nordeste com terra do Duque de Aveiro que trás António Fernandes o Marquês de alcunha morador em Aveiro
-Outro chão na agra de Aradas que leva de semeadura nove alqueires de trigo do qual chão é um pedaço da Vila de Aveiro que levará dois alqueires e meio de semeadura
-Outra terra onde se chama as Arrotas de Aveiro que leva de semeadura dois alqueires de trigo
-Outra terra de semeadura de dois alqueires de trigo
-Outra terra onde se chama o Aido que leva de semeadura quatro alqueires que parte da travecia com a madre de água do Buragal
-Uma vinha no Buragal que leva dois homens de cava e parte do nordeste com a estrada do Buragal e do vendaval com vinha de Margarida Gonçalves de Aveiro
-Outra vinha nas vinhas do Casal que leva de cava homem e meio
-Um chão onde tem a Eira que leva de semeadura três alqueires e meio de trigo
-Um assentamento de Casas em que vive

André Fernandes de Aradas de Cima
-Uma terra onde chamam o Aido no sarrado do assento em que vive que parte do nordeste com estrada de Coimbra e da travecia com vinha sua e do vendaval com terra de Bastião Gonçalves seu vizinho
-Uma vinha abaixo da terra atrás que leva de cava três homens
-Uma terra na Arrota do Casal que leva de semeadura seis alqueires que parte da travecia com a Quintãa de Brás António e do vendaval com terra de Maria Pires sua sogra
-Outra terra a Pedra Moura na Arrota nova que leva de semeadura dez alqueires de trigo que parte da travecia com a Quintãa que foi do Sombreireiro.
-A metade do Valle da Azenha em que António seu irmão tem a outra metade que começou agora a romper que levará tudo de semeadura vinte alqueires
-Um ribeiro ao Pinheirinho que leva de semeadura três alqueires de trigo
-Uma terra que está pegada com a casa do Concelho de Aradas que levará três alqueires de trigo de semeadura e parte do norte com Carril que vai para o Arieiro e do nordeste com a casa do Concelho do vendaval com terra de André Simão com seus assentamentos e da travecia com a levada que vai para a azenha.
-Uma vinha na Arada de Baixo onde chamam o Carril do Couto que leva de cava dois homens
-Um pequeno chão que foi Souto que está nos Aidos de João Gonçalves.
-Um assentamento de casas em que vive

Leonor Fernandes mulher de Fernão Vaaz de Aradas de Cima
-Uma terra onde se chama o Chouzinho que leva de semeadura dezoito alqueires de trigo que parte do nordeste com caminho público
-Uma leira no Buragal que leva cinco alqueires de trigo que parte do norte com a estrada que vai para o Baregal e do nordeste com Aido dela
-Outra terra na Arrota nova onde se chama a Pedra Moura que leva de semeadura doze alqueires.
-Uma vinha no Buragal que leva três homens de cava
-Outra terra no Valle da Azenha que leva de semeadura três alqueires
-Um assentamento de casas em que vive
-Um pedaço de ribeiro ao Pinheirinho

António Fernandes filho que foi de Fernão Vaaz de Aradas de Cima
-Uma leira no Buragal de semeadura de cinco alqueires de trigo
-Outra terra onde se chama a Grueira de semeadura de sete alqueires de trigo
-Outra terra onde se chama o Carril das Silhas no sarrado que leva de semeadura dez alqueires de trigo
-uma vinha logo ali pegada de cavadura de três homens
-A metade do mato do Val da Azenha
-Um chão na Arrota de Pedra Moura

Maria Alvres viúva mulher de Pero Vaaz de Aradas
-Uma leira que está no Aido que leva quinze alqueires de trigo
-Uma vinha no Buragal no Valle de cavadura de quatro homens
-Mais uma terra no mesmo sarrado de semeadura de sete alqueires
-Uma leirinha no mesmo sarrado a de ariba levará de semeadura três alqueires de trigo
-Outra vinha no mesmo sarrado
-Uma vinha em Villa de Milho que foi do Casal de Gonçalo Fernandes de Villa de Milho que parte do norte com Affonso Vaaz seu irmão de Villa de Milho e da travecia com Carril que vai para outras vinhas
-Um assentamento de casas em que vive e partem do norte com a estrada do Buragal

Brás António de Aradas
-Uma terra nas Arrotas dos Carvalheiros de semeadura de quatro alqueires
-Uma Quintãa que ele e seu irmão tem morador em Villa de Milho que tem as terras seguintes a qual se chama a Quintãa do Buragal a qual Quintãa está toda junta e levará de semeadura cem alqueires de trigo entre arroto e por arromper e parte do norte com terras do Casal de Anna Dias que se chama Sovereira e do nordeste com chão da mulher de Pero André de Aveiro e da travecia com a madre de água e do vendaval com caminho público que vai para Souza e está toda circuitada de Valle e disse que não tinha aforamento ao Mosteiro e tem a dita Quintãa uma vinha de cavadura de três homens e tem casa, curral de que paga um alqueire de trigo e um capão de cabanaria e do mais oitavo e disse que da dita Quintãa se pagava a Maria Ribeira de Cantanhede cinquenta e cinco medidas a saber vinte e sete e meia de trigo e outras vinte e sete e meia de centeio e milho

Francisco de Bastos de Aradas
-Uma terra nas Arrotas de Pedra Moura de semeadura de nove alqueires
-Outra terra nas Arrotas dos Barreiros de semeadura de três alqueires
-O assentamento de casas em que vive
-Um pedaço de ribeiro

Afonso Fernandes Garrido de Aradas
-Uma vinha à Ponte de Paao ou Ponte de Aradas de Baixo que leva de cava nove homens que parte do Vendaval com a estrada que vai para o Casal
-Um ribeiro no Pinheirinho
-Uma terra onde chamam o Aido que é do Mosteiro.
-Uma terra onde chamam os Laguos que parte do norte com o carril que vai para o Pinheirinho e que é do Mosteiro.
-Uma terra no seu aido que parte do aguião com o carril que vai para a arrota de Diogo Lopes e do vendaval com a estrada de Aradas
-A Arrota dos Barreiros que foi de Gonçalo pires e parte do norte com o caminho que vai para as Arrotas de aveiro e da travecia com a estrada que vai para Vallade e do vendaval com a estrada que vai para Eixo e é do mosteiro
-Outra terra

Doc.6

1616, Setembro, 5 – Auto do traslado de uns autos dados por Foral à Villa de Aradas [82]
Auto que o Corregedor da Comarca de Coimbra Simão de Figueiredo Castello Branco mandou fazer de uma petição e mais papeis que o Juiz e mais oficiais da Câmara da Villa de Aradas apresentaram para lhes servir de Foral pello não ter a dita Villa nem o haver na Torre do Tombo:

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil seiscentos e dezasseis annos em os cinco dias do mês de Setembro do dito anno e na Cidade de Coimbra nas pouzadas do Corregedor desta Câmara Simão de Figueiredo Castello Branco do Desembargo de sua Magestade ali elle Corregedor deu a mim escrivão uma petição que lhe tinham feito os oficiais da Câmara da Villa de Aradas com outros papeis e certidões juntos a ella e com um despacho dado pelo dito Corregedor que eu escrivão fizesse este auto de como a dita petição e mais papeis juntos a ella lhe foram apresentados por parte dos oficiais da Câmatra da Villa de Aradas a quem elle Corregedor mandara por correição que fossem buscar o Foral da dita Villa à Torre do Tombo pello não terem nem lho mostrarem os quais oficiais no caso tinham fito diligencia como contava da certidão do escrivão da Torre do Tombo que dava fé não haver lá tal Foral e apresentavam um testamento de doação porque constava serem deixados os direitos da dita Vila de Aradas aos padres do Mosteiro de Sancta Cruz desta Cidade pello que elle Corregedor visto o dito testamento de doação e certidão do escrivão da Torre do Tombo pella qual constava não haver lá outro Foral mandava que esta dita petição testamento e certidão de despacho seu passem na forma em que estavam traduzidos em português por Foral à ditta Villa para se guardar na forma que nelles se continha estando bem arrecadados no Cartório da Câmara da dita Villa encardenados em um pergaminho com um encerramento no cabo de quantas folhas tem e que como sobredito havia elle Corregedor por relevados as oficiais da Câmara da penna da Correição tudo na forma do seu despacho que por elle era escrito e assinado nas costas da dita petição e eu escrivão fiz de todo este auto a ajuntei os ditos papéis e petição os quais vão escritos de diversas letras em nove meias folhas de papel afora esta precedente em que este auto vai feito, e com estas duas são onze folhas enumeradas e assinadas pelo dito Corregedor o qual à certeza de tudo assinou aqui João de Carvalho o escrevi. Ass. Figueiredo

Petição
Dizem o juiz e vereadores e procurador e mais officiais da Camara da Villa das Aradas que estando vossa merçe por correição no dito Couto este ano presente mandou a elles suplicantes lhe mostrarem o Foral do Concelho e mostrando-lhe os forais que havia e de que sempre se usarão de tempo imemorial a esta parte vossa merçe os não houve por bons e mandou que apresentassem forais que fossem feitos na forma em que são os mais do Reino e Concelhos em Portugal e passados pella Chancelaria sob penna de elles officiais se livrarem e porque elles suplicantes mandarão fazer diligência na Torre do Tombo para haver se achavão os ditos forais em linguagem e não se achou nenhuma noticia deles como consta da certidão que apresentaram e dado que sua Magestade mandasse fazer em linguagem a todas as cidades, Villas, lugares e terras não mandou dar a esta e com estes que tem em latim sempre se governou e regeu nem nenhum corregedor antes de vossa merçe duvidou destes forais pello que pede a vossa merçe lhe haja os ditos forais que lhe apresentarão por bons e mande que se guardem e por elles se governe o dito Concelho como até agora fes e recebera merçe.

Doc.7

1650, Julho, 29 - Visitação da Igreja de São Pedro das Aradas [83]
Aos vinte e nove dias do mes de Julho do ano de mil seiscentos e cinquenta estando por visitação nesta Igreja o Dr. Pimentel de Sousa visitador neste Arcediagado do Vouga pelos Srs. do cabido sede vacante, visitou nesta Igreja o sacrário, Pia Baptismal, e santos óleos, e fez a procissão dos defuntos, visitou os altares e sacristias e ornamentos dela tudo em presença do Rev. Vigário e mais padres e juiz da Igreja e mais fregueses que se acharam de que fiz este termo que assinou o Visitador Bal. Roiz do Vale secretário o escrevi. Ass. Manuel Pimentel de Sousa.
E logo no dito dia mês e ano acima dito o Rev. Visitador perguntou ao Rev. Vig. a obrigação desta Igreja que respondeu se servia com missa de domingos e dias santos e que lhe não fora mandado fazer diligência alguma de que fiz termo para constar de sua residência que assinou. Ass. Vig. Manuel Gonçalves Coelho.
O Pe. Fabião Ferreira testemunha não disse nada
O Pe Sebastião de Oliveira testemunha não disse nada
O Juiz da Igreja fez denúncia
Manuel Soeiro Cardoso, morador nesta Vila fez denúncia

Doc.8

1651, Julho, 6 - Traslado da Verba de Testamento de Bartolomeu Afonso Picado sobre a sua Quinta e Capela (hoje Quinta do Picado) [84]

O Doutor João Ferraz de Carvalho do desembargo de sua Majestade e seu Provedor e contador de sua real fazenda nesta comarca da Vila de Esgueira faço saber a todos os Corregedores, Provedores, Ouvidores e Juízes, oficiais e pessoas a que esta minha carta de sentença de Tombo e testamento dos bens que em cada um ano e para sempre deixou obrigados a cento e três missas cada ano Bartolomeu Afonso Picado já defunto, morador que foi em a Vila de Esgueira dada e passada por meu mando a requerimento que no ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil seiscentos e cinquenta e um anos e aos seis dias do mes de Julho do dito ano e mês e nesta Vila de Aveiro e nas minhas pousadas ali por mim fora mandado ao escrivão desta Provedoria que esta sobredita escrevo fazer auto para efeito de se tombarem todos os bens que em seu testamento deixou Bartolomeu Afonso Picado morador que foi em a Vila de Esgueira com o encargo de missas para sempre e logo mandei assentar o testamento do dito defunto e que fosse notificado Manuel Gomes Faia filho do dito defunto para se louvar em quem medisse, demarcasse e confrontasse os ditos bens para se carregarem no livro dos Tombos da Capelas desta Provedoria na forma do meu regimento e o testamento era o que se seguia pelos autos constava a certidão do teor da verba do dito testamento de que o teor é o seguinte: Manuel Ribeiro de Oliveira escrivão da Provedoria da comarca da vila de Esgueira por provimento do Provedor dela certifico que em meu poder esta o testamento que fez por seu falecimento Bartolomeu Afonso Picado morador na Vila de Esgueira e no qual estão os sequestros do teor seguinte; Tenho ordenado uma capela com consentimento de minha mulher Maria de Basto a qual não está ainda acabada de todo mando que se acabe com seu retábulo e campa e todo o mais necessário a qual capela está na minha Quinta [85] quando se vai para Salgueiro que eu e a dita minha mulher ordenamos que sendo acabada se diga duas missas rezadas em cada semana para sempre por nossas almas uma em quarta-feira e outra ao sábado e porque a invocação da dita Capela há-de ser de Nossa Senhora da Assunção ordenamos que no dito dia se diga uma cantada de festa por nossas almas e porque no dito retábulo há-de estar São Benedito e São Brás mandamos que no dito dia se diga aos ditos santos uma missa rezada por nossas almas e para se cumprirem estes legados escolhemos em nossas terças a dita Quinta assim como esta circuitada que anda como Morgado no filho mais velho de nossos sucessores e em falta de filho mais velho em filha e assim seguirá esta natureza até ao fim do mundo e sendo o caso que não haja legítimo herdeiro irá ao parente mais chegado na forma da sobredita e se vendendo que na dita Quinta more o dito sucessor em tal caso se digam as ditas duas missas de quarta-feira e sábado aos domingos e dias santos para que a gente assim declara como de caminho; no fim do dito testamento está outra verba que diz o seguinte: estando assim satisfeito o dito testamento e assinado por mim o Padre Mateus Dias e o dito testador logo ele dito testador disse a Maria de Bastos sua mulher disse que na forma que entre ambos tinham assentado sobre a instituição da Capela a deixava instituída na forma do Capitulo incerto neste testamento que logo lhe li que declarasse nele sua vontade e declarado que era contente de que o dito capitulo se cumprisse e que de muito boa vontade o servia em sua terça a metade dos seus bens vinculados à dita Capela e queria que o sucessor andasse na forma que o dito capítulo declara de que me pedia esta declaração e rogou a Luís Ribeiro da Costa tabelião em esta Vila assinasse por esta o que a seu rogo comigo, dia, mes e ano atrás; Luís Ribeiro da Costa, Mateus Dias, como tudo constado dito testamento a que me reporto que sobrescrevi e assinei nesta Vila de Esgueira aos seis dias do mês de Julho de mil seiscentos e cinquenta e um anos e se declara que eu Mateus Fernandes de Oliveira escrivão desta provedoria o sobescrevi, Mateus Fernandes de Oliveira; Segundo tudo isto se continha assim está conferido e declarado na dita certidão que sendo junta como dito é, fora citado o possuidor Manuel Gomes Faia [86] para se louvar em quem meça, demarque e confronte a Quinta atrás declarada, obrigada ás cento e três missas que pelo dito defunto seu pai foram deixadas a qual se louvou por Manuel Laborinho morador nesta Vila de Aveiro de que nos autos assinara termo que sendo assinado como dito é mandei vir perante mim ao dito louvado ao qual dei o juramento dos Santos Evangelhos em que ele pusera a sua mão direita do qual lhe mandei eu verdadeiramente fizesse a medição e confrontação das terras contidas na dita verba e eles o prometeram fazer e assinaram termo nos autos segundo tudo em eles era contido e declarado e logo o dito louvado foi ver, medir, demarcar e confrontar as propriedades obrigadas às ditas missas o qual fez pela maneira seguinte: E logo pelo dito louvado fora dito que ele fora ver a Quinta de que se trata que está no caminho que vai para Salgueiro, quinta toda circuitada e serrada sobre si a qual quinta tem pela banda da estrada pública que vai desde Arada para Salgueiro cento e sessenta e seis aguilhadas [87] de doze palmos e meio cada uma até o mato do bombordo e tem pela mesma parte noventa e nove aguilhadas e da estrada pública para a parte trinta e uma aguilhadas e tem mais a dita quinta pela parte da estrada do mato de bombordo até à Quinta Nova de Salgueiro cento e vinte aguilhadas e da estrada pela banda de Salgueiro para Ílhavo setenta e cinco aguilhadas e de comprido pela parte de Ílhavo quatrocentos e cinquenta e uma aguilhadas e de largura da estrada de Coimbra para a parte de Ílhavo duzentas e cinquenta aguilhadas e nesta Quinta se mete um pedaço de pousio que diz ser do Padre Miguel Saraiva que tem oito aguilhadas de largo que parte de Aradas para Salgueiro e tem de comprido por parte da estrada para Ílhavo cento e vinte seis aguilhadas, cada aguilhada tem doze palmos e meio. Tem mais esta Quinta uma casa sobradada que tem duas aguilhadas e quatro palmos de largo, repartida em quatro casas e com sua escada por fora de pedra (...) e com casas de quinteiros e currais de bois e coelhos e são terras e estrebarias e palheiros com seu poço no meio e uma Ermida com sua tribuna e tem dentro na quinta um pinhal novo que se não mediu apartado para ir ainda no fundo; e declarou o dito louvado que não meteu nesta medição a Quinta que trás Isabel Tomé e seus genros que fica para a parte de Aradas por estar arrendada em fatoezim nem outro assim foi metido nas sobreditas medições a Quinta Nova que esta para a parte de Salgueiro por também andar arrendada fatoezim; e de como fez as ditas declarações assinou segundo tudo neles se continha com os quais mandei ao escrivão que esta subscrevo me fizesse os ditos autos conclusos e mencionados escritos por mim; e neles dei a minha sentença; visto o termo de louvamento e medição feita por ele louvado mando que tudo se carregue nos livros dos tombos das capelas desta provedoria na forma do regimento para todo o tempo constar da obrigação que pelo defunto lhe foi imposta e o possuidor pague os autos. Aveiro e de Fevereiro onze de mil seiscentos e cinquenta e dois. Portanto mando que esta minha sentença se cumpra e guarde e faço em todo cumprir e guardar assim e da maneira que nela se contém em seu cumprimento a mandei lançar e carregar neste livro dos tombos das capelas desta provedoria para todo o tempo se saber de como a dita propriedade está obrigada ao dito encargo de cento e três missas que pelo defunto lhe foram impostas e por ela (...) a todas as justiças atrás ditas a que o conhecimento dela pertencer a cumpram e guardem como nela se contém. Dada nesta notável Vila de Aveiro sob meu sinal e selo desta provedoria que ante mim serve. Aos onze dias do mês de Fevereiro ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil seiscentos e cinquenta e três anos desta trezentos reis e de assinar cem reis. Pelo Luís Fernandes de Oliveira a subscrevi; Ferrão


Doc.9

1703, Novembro, 21 - Escritura de Obrigação que faz António Fernandes mestre-de-obras e entalhador, morador na Freguesia de Santa Maria de Landim ao Convento de Santo Agostinho da Serra [88]

Saibão quantos este público instrumento de contrato e obrigação à obra abaixo declarada virem que, no ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e três anos aos vinte e um dias do mes de Novembro do dito ano neste concelho de Gaia e moradas de mim tabelião que estão sitas na rua direita do lugar da povoação nova de Gaia, tudo termo da cidade do Porto ali perante mim tabelião pareceram presentes partes a saber: de uma o muito Reverendo Padre Dom António do Rosário, religioso da ordem de Santo Agostinho carturário e procurador do Convento de Santo Agostinho da Serra, e da outra parte estando bem assim presente António Fernandes, o tenente, mestre de obras de entalhador e morador na freguesia de Santa Maria de Landim ambos, um e outro, pessoas reconhecidas de mim tabelião pelos mesmos; e logo por ele dito Reverendo Padre Dom António do Rosário procurador e carturário foi dito e disse em presença de mim tabelião e das testemunhas adiante escritas e assinadas que em virtude do procuração que tinha e como procurador do dito Convento de que eu tabelião dou fé estava contratado e ajustado celebrado com o dito António Fernandes, o tenente, mestre de obras de entalhador para ver de ele António Fernandes lhe fazer um retábulo para a Igreja e Capela-maior de São Pedro de Aradas da Comarca de Coimbra a qual obra dita havia de ser feita na forma e maneira seguinte: um retábulo de boa madeira de castanho entalhado ao moderno com seu banco e feitios entalhados, com quatro colunas salomónicas e um nicho para nele estar a imagem de São Pedro e seus tarjões e cortados, tudo posto e assentado na capela maior da dita Igreja de São Pedro de Aradas à custa e risco dele dito mestre António Fernandes, a qual obra, assim, dissera, havia ajustado pelo preço e quantia de quarenta mil réis para ele dito mestre, do qual cômpito, disse, lhe dariam os Religiosos de dito convento vinte mil réis ao princípio da obra e outros vinte que é o ajuste da dita quantia no fim de estar feita e assentada na capela-mor da dita Igreja até o último dia do mês de Setembro de mil setecentos e quatro. E logo por ele dito mestre António Fernandes foi dito e disse, em presença de mim tabelião e das testemunhas, que ele assim aceitava este contrato para o que obrigava sua pessoa e todos seus bens móveis e de raiz, presentes e futuros, e em especial o seu terço da alma, a dar a dita obra feita e acabada e assentada na capela maior da dita Igreja até o ultimo dia do mês de Setembro de mil e setecentos e quatro, na forma atrás conteuda, para o que disse que, havendo de ser citado pelo cumprimento deste instrumento, disse responderia e a responderá, por tudo o que é de juízo, diante o Juiz de Fora da cidade do Porto ou do Corregedor do Cível da Corte e Relação dela ou diante outro qualquer juiz adonde e para esta quem os Religiosos do dito Convento o mais obrigar e demandar quiserem, para o que disse desaforava do juiz e juízes de seu foro e renunciava tempos de férias gerais e especiais, leis, privilégios, ordenações e liberdades a que se possa chamar e a seu favor façam; e em testemunho e fé de verdade assim o disseram, um e outro, quiseram e outorgaram e houveram por bem e mandaram a mim tabelião assim o escrevesse nesta nota, em a qual eu de seus mandados a lancei e também nesta o recebi, aceitei e estipulei por solene estipulação; e desta nota me pediu ele dito Reverendo Padre Procurador um traslado em pública forma que lhe foi concedido e nesta nota assinaram eles os ditos Reverendo Padre procurador, em nome do dito seu Convento, e o dito António Fernandes, o tenente, com testemunhas que ao todo foram presentes Manuel de Lima, morador em Ponte de Lima, Manuel Gomes dos Reis, morador no lugar de Vila Nova de Gaia, que todos aqui assinaram esta acta; e eu João Machado Ribeiro, tabelião, a escrevi e perante partes e testemunhas a li na forma da lei. Ass


Doc.10

1713, Janeiro, 11 - Escritura de Obrigação para instituição da Capela de Nossa Senhora da Conceição da Quinta da Conceição em Verdemilho [89]

Em nome de Deus Saibão quantos este público instrumento de fábrica e obrigação de Capela ou como em direito de melhor dizer e chamar se possa e mais firme e válido seja virem que no ano do nascimento de Nosso senhor Jesus Cristo de mil setecentos e treze anos aos onze dias do mês de Janeiro do dito ano neste lugar de Verdemilho que é termo da Vila de Ílhavo e nas casas do Doutor Faustino de Bastos Monteiro onde eu tabelião chamado e ali estavam presentes pessoalmente o Rev. Pe. José Monteiro de Bastos e suas Irmãs Rosa Maria Anna Monteiro e Catarina Josefa já maiores e moradoras na Vila de Aveiro as quais todas são pessoas reconhecidas por mim tabelião pelas próprias aqui nomeadas de que dou fé serem as mesmas e logo por elas todas juntas e a cada um per si in solidum foi dito e declarado e rectificado perante mim tabelião e das testemunhas ao diante nomeadas e no fim desta nota assinadas que eles eram senhores e possuidores de uma quinta sita no lugar de Verdemilho, Freguesia de São Pedro da Vila de Arada, que consta de casas pomar e vinha, e terra lavradia com uma Capela de Nossa Senhora da Conceição da qual quinta a metade é do património do Rev. Pe. José Monteiro de Bastos e a outra metade lhe pertence a ele dito Rev. Pe. e a suas irmãs por sentença de seu pai o Dr. António de Bastos, já falecido e de sua mulher Teresa Monteiro mais deles fabricários também já defunta, moradores que foram na dita Vila de Aveiro, a qual quinta, casas e Capela parte tudo do nascente e norte com José Marques, o Festas e com seu irmão Manuel Gonçalves Loureiro deste lugar de Verdemilho e de poente e sul com rua pública e caminho que vai para o Eirô a qual quinta vale mais de seiscentos mil reis e portanto eles movidos como cristãos e zelo de uma muito eficaz discussão que terá a Virgem Maria Senhora nossa com o titulo de sua Imaculada Conceição e ser obra muito do serviço de Deus a conservação e aumento da dita Capela e administração dos sacrifícios Santos nela dirigido tudo para maior honra e gloria de Deus e da mesma Senhora e agradável sitio para todos os moradores deste povo e suas vizinhanças empossaram do Ilustríssimo Senhor Bispo Conde que Deus guarde despacho para se fazer visita na sobredita Capela para que conforme a decência dela e vistos seus ornamentos e limpeza e asseio com que eles fabricários têm a sobredita Capela ser servido dar licença para nela se dizer missa para o que se junta esta escritura, digo se junta-se esta escritura da obrigação irrevogavelmente deste dia para todo sempre até o fim do mundo por suas pessoas e todos seus bens móveis e de raiz havidos e por haver e o melhor parado deles e em especial o que a cada um deles pertence e tem na dita Quinta acima declarada a bem da meação dela que é do património dele Reverendo Padre José Monteiro de Bastos a trazerem sempre a dita Capela com muito aumento e decência e ornada de cálices, galhetas e cera e mais ornamentos necessários e cortinas assim para o tempo carnal como de luto para os tempos de quaresma e advento trazendo sempre a dita Capela com todo o culto decente todo o mais necessário de sorte a que esteja sempre a dita Capela em tudo com muito aumento e decência , cuja obrigação a fábrica da dita Capela faziam em seus nomes e de todos os seus herdeiros até ao fim do mundo com tal pacto e condição que sendo caso que em algum tempo se venda ou trespasse a um ou muitos possuidores sempre será e passará em a dita obrigação da fabrica da dita Capela e esta andar sempre tratada com muita decência e veneração de tudo o necessário para o culto e veneração dela a dita Senhora da Conceição e mais imagens da dita Capela não se usando nunca dela para usos profanos e indecentes senão para louvar a Deus Nosso Senhor e a mesma Senhora e que a hipoteca especial não derrogue a geral, nem a geral a especial pois ambos queriam valerem na melhor forma e direito; e logo pareceram presentes o Doutor Faustino de Bastos Monteiro e sua mulher Dona Joana Travassos de Vasconcelos, moradores nesse dito lugar de Verdemilho os quais são pessoas reconhecidas de mim tabelião pelos próprios aqui nomeados que dou fé serem os mesmos e por eles foi dito e declarado perante mim tabelião e das testemunhas deste instrumento que eles rectificavam e abonavam esta escritura de obrigação à fabrica da dita Capela acima declarada, e se obrigavam por suas pessoas e bens móveis e de raiz e melhor parado deles assim presentes como futuros de hoje para todo o sempre para que faltando eles fabricários com alguns ornamentos e culto da dita Capela eles a fazerem prover e ornar de todo o necessário a que findo uns e outros se obrigar a ser e manter esta escritura muito inteiramente sem nunca irem contra ela em parte nem em todo e de nunca a revogarem nem reclamarem nem derramarem pelo o que renunciavam de si todas as clausulas gerais e especiais e todos os privilégios, lei, foro e liberdades que em seu favor façam e a que clamar se possa posto que incorporados com direito pois de nada queriam usar senão em tudo, com tudo e por tudo cumprirem e guardarem este instrumento muito e invisamente assim e da maneira que nela se e fica declarado e porque todas estas partes assim o quiseram e outorgaram de tudo mandaram fazer este instrumento nesta nota de mim tabelião o qual eu como pessoa pública aceitante e estipulante o aceitei e estipulei tanto quanto com direito devo e posso em razão do meu oficio e assim em nome das partes presentes e ausentes a que tocar possa; e aqui assinou o Reverendo fabricário Padre José Monteiro de Bastos e as fabricárias suas irmãs Rosa Maria e Anna Monteiro e Catarina Josefa e o dito Doutor Faustino de Bastos Monteiro e a dita sua mulher D. Joana Travassos de Vasconcelos sendo a tudo testemunhas presentes o Capitão José Dias Ara da Vila de Esgueira e Giraldo da Rocha alfaiate e Teodósio da Rocha deste lugar de Verdemilho que todos aqui assinaram perante os quais esta primeiro por mim lhe foi lida e declarada e eu Alexandre Robalo Freire tabelião público judicial e notas que sirvo nesta Vila de Ílhavo e seu termo por provimento do Doutor Corregedor das Comarcas de Coimbra e Vila de Esgueira que a escrevi. Ass.


Doc.11

1729, Setembro, 13 – Tombo das propriedades da Vila de Arada e Ílhavo que pertencem ao Mosteiro de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia [90]

Autos do Tombo dos bens e propriedades que possui o Mosteiro da Serra que é dos Cónegos Regulares de Santo Agostinho da Ordem de Santa Cruz de Coimbra cujo Tombo mandou fazer o mt. R.do Prior do dito Mosteiro D. Bernardino da Encarnação e é juiz deste tombo o Dr. Manuel Ferreira da Silva e P.dor D. António de Santa Rosa, escrivão Pascoal Gonçalves Monteiro.

 (f.1)

Casais de Aradas 

Casal em que é cabeça João Gonçalves Monteiro
Foro a fl.122 – trigo 9 alqueires, milho 4 alqueires e meio, cevada 1 alqueire, capões 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça André Gonçalves o novo
Foro a fl.134 – trigo 9 alqueires, milho 4 alqueires e meio, cevada 1 alqueires, capões 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

(f.1v)
Casal em que é cabeça Manuel Gonçalves Pequeno
Foro a fl.148 – trigo 9 alqueires, 4 milho alqueires, cevada 1 alqueire, capões 2 galinhas 1 ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Meio casal de Manuel Francisco Janico
Foro a fl.163 – trigo 4 alqueires e meio, milho 2 alqueires e meio, cevada meio alqueire, capão 1 ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

(f.2)
Casal em que é cabeça João Gonçalves Monteiro
Foro a fl.178; trigo 9 alqueires, milho 4/5, cevada 1 alqueire, capões 2, galinha 1, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça Bartolomeu Simões Navega de Arada
Foro a fl.188 – trigo meio alqueire; milho 3 quartas, capão 3 quartos, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

(f.2v)

Verdemilho

Casal em que é cabeça Luís André
Foro a fl.198 – trigo 11 alqueires, milho 6 alqueires, cevada 1 alqueire, capões 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça Luís José de Melo
Foro a fl.210 – trigo 12 alqueires, milho alqueires 6, cevada 1 alqueire, capões 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça Bento Gomes de Mira
Foro a fl.226 – trigo 12 alqueires, milho 6 alqueires, cevada 1 alqueire, capões 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

(f.3)
Casal em que é cabeça Manuel da Rocha, genro de Simão dos Santos
Foro a fl.240 – trigo 12 alqueires, milho 6 alqueires, cevada 1 alqueire, capões 3, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça Francisco Moleiro
Foro a fl.258 – trigo 12 alqueires, milho 6, cevada 1, capões 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça João António, genro de Francisco Leitão
Foro a fl.276 – trigo 12 alqueires, milho 6 alqueires, cevada 1 alqueires, capões 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

(f.3v)
Casal em que é cabeça Manuel Francisco Moleiro da Lavandeira
Foro a fl.294 – trigo 12 alqueires, milho 6 alqueires, cevada 1 alqueire, capões 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.


Casal em que é cabeça Luís Francisco
Foro a fl.310 – trigo 12 alqueires, milho 6 alqueires, cevada 1 alqueire, capões 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Alqueidão

Casal em que é cabeça Manuel Francisco Airoso
Foro a fl.328 – trigo 9 alqueires, milho 4 alqueires e meio, cevada 1 alqueire, capões 2, frangos 4, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

(f.4)
Casal em que é cabeça João Baptista Ferreiro
Foro a fl.345 – trigo 9 alqueires, milho 4 alqueires, cevada 1 alqueire, capões 2, frangos 1, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça João da Maia de Alqueidão
Foro a fl.361 – trigo 9 alqueires, milho 4 alqueires e meio, capões2, frangos 1, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça Domingos Frs. Vinha Deus de Ílhavo
Foro a fl.388 – trigo 9 alqueires, milho 4 alqueires e meio, cevada 1 alqueire, capões 2, frangos 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

(f.4v)

Ílhavo

Casal em que é cabeça Luís Nunes Gonçalves do Chocha
Foro a fl.404 – trigo 4 alqueires e meio, milho 2 alqueires e quarta, cevada meio alqueire, capão1, galinha1, frango 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça Manuel Ferreira genro de Domingos Jorge
Foro a fl.418 – trigo 4 alqueires e meio, milho 2 alqueires e quarta, cevada meio alqueire, capão 1, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça Manuel André genro de Manuel Castelhano
Foro a fl.434 – trigo 4 alqueires e meio, milho 2 alqueires e quarta, cevada meio alqueire, capão 1, frango 1, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

(f.5)
Casal em que é cabeça Domingos Ferreira filho de Domingos Jorge
Foro a fl.452 – trigo 4 alqueires e meio, milho 2 alqueires e quarta, cevada meio alqueire, capão 1, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça António da Costa
Foro a fl.468 – trigo 9 alqueires, milho 4 alqueires e meio, cevada 1 alqueire, capões 2, meia galinha, frangos 2, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

Casal em que é cabeça Veríssimo da Cruz
Foro a fl.488 – trigo 9 alqueires, milho 4 alqueires e meio, capões 2, cevada 1, galinhas 1, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.

(f.5v)
Meio Casal de vidas Domingos André do Cruzeiro
Foro a fl.508 – trigo 4 alqueires e meio, galinhas 2, frangos 1, ração de trigo e milho de quinto, vinho linho e mais novidades de oitava.


Doc.12

1729, Outubro, 29 – Reconhecimento da Igreja de São Pedro Fins de Aradas. (Inventário da Fábrica da Igreja e descrição da Igreja, Passal, e propriedades) [91]


E logo no dito dia mês e ano atrás declarado no auto de reconhecimento e no sitio da Igreja de Sanct Pero fins das Aradas aonde eu escrivão vim com o Doutor Juiz do Tombo, procurador dele e louvados para o efeito de medirmos, confrontarmos e apegarmos a dita Igreja e propriedades dela, anexas por Passal; E logo ali antes de se medir a dita Igreja pelo Reverendo Pároco dela o dito Reverendo Padre Dom Luís de Sancto Hierónimo da Silveira foi por elle primeiro declarado que os paramentos que a dita Igreja tinha e com que fora paramentada pelo dito seu Mosteiro direito e senhorio della era a saber; os bens da Fábrica o seguinte:

Fábrica da Igreja de Sanct Pedro Fins de Aradas
Declarou o Rev. Parocho da dita Igreja de Sanct Pero Fins Dom Luís de Sancto Hierónimo da Silveira que ha e tem a fabrica da dita Igreja que he do dito seu Mosteiro na sacristia della

-um caixão de castanho com três gavetas e dois armários com suas fechaduras e molduras.
-um Sancto Cristo com sua cruz de esgalhos pintada de verde e o Sancto Cristo encarnado e deminado que está em cima do dito caixão.
-um missal e um cálice de prata com sua patena que servem de dizer missa.
-quatro alvas de pano de linho, cinco amitos do mesmo pano em bom uso.
-quatro vestimentas das quatro cores sacerdotais de que usa a Igreja cada uma diferente na forma e no costume eclesiástico com suas estolas e manípulos.
-uma capa de asperges branca.
-outra roxa.
-um vazo de estanho que serve de dar o lavatório quando se dá a comunhão.
-duas galhetas de estanho com seu prato.
-dois confessionários de pau de castanho onde se confessa.
-dois castiçais de bronze pequenos que servem no altar-mor.
-uma caldeirinha de asperges com seu hissope tudo de bronze.
-uma campainha de acompanhar o Senhor.
-um livro de Baptistério e o Inquirini.
-um crucifixo pequeno do altar.
-um frontal no altar com seus sebastos de tella amarella e os panos de damasco encarnado.
-duas toalhas do altar com rendas comuns.
-duas toalhas sem renda que servem de compor o altar cobrindo a pedra de ara.

   Declarou o dito reconhecente Pároco que estes eram os bens da fábrica da dita Igreja e que os louvados podiam medir a área della e logo o Doutor Juiz do Tombo mandou os ditos louvados medissem a dita Igreja e logo a mediram na forma seguinte:
(f. 24v)
Declararam os louvados que a Igreja de Sanct Pero fins que administra o dito Pároco que está sita perto da veia de água chamada Sanct Pedro de Aradas pelo Vacabolo novamente introduzido, tem a Capela-mor de comprido até ao arco-cruzeiro três varas e um palmo, cada vara de cinco palmos de medir pano
-mediram o Corpo da dita Igreja o qual tem de comprido até à porta principal dezassete varas e de largo seis varas menos um palmo, cada uma de cinco palmos de medir pano
-tem mais a dita Igreja a porta principal, um alpendre com suas colunas que sendo medido pelos louvados tem de comprido dezoito palmos e de largo vinte e dois palmos craveiros
-tem uma sacristia que tem a porta dentro da Capela-mor que também foi medida pelos louvados e tem de comprido três varas e três palmos e de largo outro tanto.
-há na Capela-mor um retábulo de pau com quatro colunas douradas sobre azul e entre ellas um sacrário também dourado e tem sobre o dito sacrário e no alto está o Padroeiro da dita Igreja Sanct Pedro e da parte do evangelho Sancto Tomás de Vila Nova, vestido de vestidura sacerdotal, estampado em pedra e da parte da epístola tem Sanct Lourenço também em pedra estampada.
-o altar-mor tem de comprido doze palmos e de largo dois e meio e no meio tem sua pedra de ara, e dentro do dito sacrário está um vazo de prata dourada em que conservam as formas do sacro viático
-há dentro do dito sacrário um cofre de prata dourado por dentro do qual estão os ellos das cadeias de Sanct Pedro e o dito cofre tem pella face de diante um cristal por modo de vidraça
-a dita Capela-mor está armada em quatro arcos em que se funde a abóbada e estão pintados e na fronteira está o arco-cruzeiro
-há na dita Igreja dois altares colaterais o da parte do Evangelho tem Nossa Senhora do Rosário e da banda da Epístola tem o Espírito Sancto
-no meio corpo da Igreja tem um púlpito com seu assento de pedra e grades de pau com sua escada também de pau e junto a elle defronte da porta travessa um altar com sua talha dourada com a Imagem do Sancto Cristo cuja talha é a modo de capela.
 (f. 25v)
-à entrada da porta principal da dita igreja está uma Pia Baptismal com suas grades de pau por fora e tem duas âmbulas, uma grande e outra pequena que serve dos Sanctos Óleos
-tem a dita Igreja da parte a fora um adro que sendo medido pelos louvados tem de comprido do nascente ao poente trinta varas e a entrada do adro estão uns degraus de pedra e sendo medido do norte ao sul até o último e primeiro degrau da dita escada tem dezanove varas e correndo a medição da porta travessa do nascente ao poente até o quanto da parede dos degraus tem nove varas e três quartas e indo correndo esta medição pelo nascente da parede da dita Igreja à volta pello comaro que está entre o dito adro e as terras do passal da mesma Igreja até o quanto em que principiou esta medição tem em roda vinte varas de cinco palmos de medir panos como dito foi
-mediram os ditos louvados as casas da Residência dos Párocos que tem a dita Igreja que estão contíguas a ella com seu alpendre e escadas de pedras que cai sobre o adro e tem do nascente ao poente dezasseis palmos e correndo norte sul pello caminho e entrada do dito adro dezoito palmos e pella parte do nascente correndo do norte para o sul nove varas e quatro palmos e meio e tem para detrás duas casas térreas que servem de despejos e as ditas casas são sobradadas e consta de cinco casas

Passal da Igreja
-mediram os ditos louvados o passal que é vinha cultivada que está cercado por todas as partes de comaros à roda e principiaram a medir do nascente para o poente pela parte de fora correndo a estrada que vai de Aveiro para Verdemilho e tem quarenta e cinco varas de largo até onde faz cotovelo e este cotovelo de cordear direito tem quinze varas e dali se mediu de sul para norte até às casas da residência tem de comprido noventa e nove varas e da parte do nascente correndo do norte para o sul pelo comaro da Quinta da Boa Vista tem de comprido cento e quarenta e sete varas e de largo até o camaro que divide este Passal da vinha do adro da Igreja do nascente ao poente trinta varas cada uma de cinco palmos de medir pano como está declarado

Passal fora que é terra lavradia
-mediram os ditos louvados o passal de fora que é terra lavradia e matto com sua costeira do mesmo mato e alguns pinheiros
(f. 26v)
e tem de largo do norte para o sul e principia da parte do nascente quinze varas e dali do nascente correndo em volta até o comaro que divide o passal da vinha tem de comprido cento e catorze varas e foi medido por esta parte por cima do Barreiro e comaro que está de dentro da quinta da Boa Vista com quem parte pelo nascente e chegando ao comaro do passal de dentro mette um cotovelo ao redor do adro da Igreja que sendo medido do alto abaixo correndo do nascente para o poente tem de largo até o comaro das canas que esta parte do poente e corre com a veia de água sessenta varas e sendo medido do norte ao sul correndo a medição pello dito comaro das canas que corre em volta pelo esteiro, rayas e vessadas com quem confina o dito passal de fora tem de comprido do Norte ao sul duzentos e vinte e cinco varas e começa em agudo e acaba em agudo por uma por uma e outra parte fazer bico e o dito comaro ser em volta e faz esta terra lavradia outro bico que está correndo com a parede do adro da Igreja que dali vai acabar no bico ou chave da parte do norte para o sul por donde tem trinta e seis varas todas craveiras e de cinco palmos cada uma e assim esta terra lavradia a que chamam passal de fora como a vinha a que chamam passal de dentro, anda anexo a esta Igreja.
Conforme declarou o dito Pároco della que sempre até o presente lhe constava que assim sempre andou e seus antecessores párocos o cultivaram e possuíram enquanto ajustaram na dita Igreja sem que o dito passal pagassem dízimo nem ração alguma por privilégio especial e mercê do dito Mosteiro de Sancto Agostinho da Serra e dos Reverendos Priores della

Declarou o dito Reverendo Pároco da dita Igreja de Sanct Pedro das Aradas o dito Dom Luís de Sancto Hierónimo da Silveira que estes eram os bens que possuía e de que gozava e andava de posse assim da dita Igreja como do Passal della que por virtude da apresentação que tinha da dita Igreja dada e concedida pelo muito Reverendo Prior do dito Mosteiro com todo aquelle onus que lhe incube e deve incumbir a todo o Pároco que nella vier vier a assistir, e o dito muito Reverendo Padre Prior por virtude dos privilégios e bullas appostólicas pode onerar com e lhe reconhece por direito senhorio e jus competente ao dito seu Mosteiro de Sancto Agostinho da Serra e por e depor párocos ou curas para administração da dita Igreja e Fregueses della na forma da Constituição do Concilio Tridentino e que nesta forma tem reconhecido, reconheciam e reconhece ao dito Mosteiro e Priores delle que hoje são e ao diante forem com as ditas propriedades annexas à dita Igreja e paramentos que para ella são necessários e não tem dúvida alguma que este seu reconhecimento assim se julgue por sentença com todo o jus e misto Império que pertence ao dito seu Mosteiro, e se neste seu reconhecimento lhe faltar alguma declaração toda e qualquer há aqui por expressa e declarada que não é sua tensão em nada prejudicar ao direito que lhe compete e logo pellos ditos louvados foi dito que haviam feito a medição e apegação assim da dita Igreja como dos bens e propriedades a ella anexas bem e na verdade sem dolo nem afeição alguma de que tudo elle Doutor Juiz do Tombo mandou fazer este termo de declaração medição e apegação e confrontação que assinou com o dito Pároco reconhecente e louvados e mandou que os autos lhe fossem conclusos e por estar presente o Pároco procurador do Tombo por elle foi protestado pello direito de seu Mosteiro em todo o tempo que se sentir prejudicado de que tudo fiz este termo que assinaram sendo testemunhas presentes Manuel Domingos Carrancho do lugar de Alqueidão e João Simões carpinteiro desta Villa que aqui assinaram com os sobreditos, e eu Pascoal Gonçalves Monteiro, escrivão do tombo que o escrevi. Ass

Doc.13

1729, Outubro, 29 – Reconhecimento do Celeiro da Vila de Aradas dos Cónegos Regulares de Santo Agostinho da Serra [92]

Celeiro
Reconhecimento que fez o procurador deste Tombo Dom António de Sancta Roza em nome de seu Convento

E logo no mesmo dia, mês, ano atrás declarado e na dita audiência pello procurador do Tombo Dom António de Sancta Roza cónego Regular do convento da Serra foi requerido a elle Doutor Juiz do Tombo Manuel ferreira da silva lhe mandasse medir e confrontar as casas que seu Convento tem nesta Villa com suas pertenças que servem de celeiro e de residência dos procuradores e rendeiros o que visto pelo dito Doutor Juiz do Tombo mandou aos louvados que fossem medir e confrontar as ditas casas de que mandou fazer auto que assinou com o dito procurador, eu Pascoal Gonçalves Monteiro, escrivão do Tombo o escrevi e assinei. Ass.

E logo ali pellos ditos louvados foram medidas e confrontadas as ditas casas pela maneira seguinte:

Umas casas térreas para o Norte e para o Sul e no meio sobradadas com sua casa de estrebaria pegado a ellas e seu pátio que está cercado à roda de parede tudo sito nesta Vila que servem de celeiro de recolher pão e vinho e mais legumes e de residência dos procuradores e rendeiros do Convento que o dito Convento mandou fazer para este efeito, e que pello norte e sul correm com a estrada pública por onde tem trinta varas e pelo sul partem com rua pública chamada rua Cega por onde tem do nascente ao poente quinze varas e pelo nascente partem com casas de Gregório Rodrigues da Silva e de Manuel André Neto por onde tem do Norte ao Sul vinte e duas varas e pelo Norte partem com serventia da Agra por onde tem do Nascente ao Poente doze varas e a parede das ditas casas e pátio começa em roda desta serventia do Carro até a esquina das casas do mesmo celeiro que vira em volta pella dita Rua Cega e por esta maneira disseram os ditos louvados que haviam medido e confrontado as ditas casas que o dito Doutor Juiz do Tombo houve por boa a dita medição e confrontação e por firme e valiosa e julgou serem as ditas casas do Convento e as mandou lançarem neste Tombo para dellas constar em todo o tempo serem do mesmo Convento como senhorio direito desta dita Villa de que mandou fazer este termo que o assinou com o procurador do Tombo e louvados Miguel da Rocha do lugar de Verdemilho e Manuel André bolha do lugar de Alqueidão, que eu Pascoal Gonçalves Monteiro, escrivão do Tombo que o escrevi assinei. Ass.


Doc.14

1734, Fevereiro, 6 – Memória Paroquial de São Pedro de Aradas [93]

Na Província da Beira, Bispado de Coimbra, Comarca de Esgueira na latitude de 40 graus e 30 minutos e longitude de 12 graus e trinta e dois minutos e em campina rasa, está situada a muito antiga Vila de Arada, que nas infâncias deste Reino se dizia Erada. Tem 104 vizinhos e foi em tempo do Sr. Rei D. Afonso Henriques de João Midiz – filho de Mido Crecones, capitão do tempo do Conde D. Henrique e que morreu no ano de 1110 (como refere Frei António Brandão na Monarquia Lusitana gav. 3, tombo 8, cap. 28, pág. 55 e vs). Mido Crescones confirmou-se com outros senhores as doações que o Conde D. Raimundo e sua mulher a rainha D. Urraca fizeram do Mosteiro da Vacariça à Sé de Coimbra em 13 de Novembro de 1094 (Brandão na Monarquia gav. 3, tombo 8, cap. 7, pág. 15 e vs). Por este tempo era Bispo de Coimbra D. Crescónio (Brandão) – que seguia a Corte daquele invictíssimo monarca e está sepultado em Santa Cruz de Coimbra, a quem deixou esta Vila como consta de seu testamento cuja época ou data é da Era de César 1219 que corresponde à de Cristo Senhor Nosso, segundo o calendário vulgar Dionisiano de 1181. [94]

Logo os Cónegos Regrantes entraram na posse da dita Vila e lhe deram dois forais que contem o modo porque se lhe haviam de pagar as rendas e não tem outro, nem ele se pode descobrir na Torre do Tombo clareza alguma de que lhe foi dado em tempo do Sr. Rei D. Manuel, fazendo-se exacta diligência por descobrir-se no ano de 1616 de que se passaram certidões e documentos de João Midiz e forais referidos que então aprovou o Corregedor da Comarca de Coimbra Simão de Figueiredo Castelo Branco, e passa por foral nas Correições.

Fez permutação o Convento de Santa Cruz desta Vila com o de Grijó e que tem hoje o Senhorio das rendas os Cónegos Regrantes de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia, com outros casais no concelho de Ílhavo que provêem do mesmo legado mas a jurisdição é de El Rei N. Senhor. E há na dita Vila um Juiz de crime cível e órfãos, um escrivão da Câmara e dois tabeliães.

As povoações que se descobrem são a muito nobre e notável Vila de Aveiro e a de Esgueira em igual distância de meio quarto de légua para a parte de leste.

É Freguesia de São Pedro das Aradas que compreende da Vila e seu termo mas também contém o lugar de Vila de Milho, vulgarmente dito Verdemilho que tem 107 vizinhos, e o do Bonsucesso que tem 28 vizinhos e são do termo da Vila de Ílhavo.

A Igreja Paroquial está fora do povoado em um vale junto ao canal ou esteiro por onde navegam os moradores da Vila a utilizar-se das grandes comodidades da Ria ou mar interior de Aveiro em que desagua o Vouga. E é do orago e título de São Pedro ad Víncula, e nela se venera a preciosa peça de um fuzil das cadeias do Príncipe dos Apóstolos e é tradição ser a que no tempo do Imperador Othon o velho no ano de 979 dera o Papa João XIII a Deodorico Bispo de Mez, como refere Ribadaneira no Flos Sanctorum ao primeiro de Agosto, dia em que se dá a beijar ao povo o caixãozinho em que se guarda, que é coberto de prata, obrando Deus Nosso Senhor muito poderoso com o toque deste caixão em que está o inestimável tesouro do referido fuzil que é de tanto apreço como exageraram os graves autores que refere o dito Ribadaneira.

A dita Igreja é de uma só nave de Era muito antiga que parece do tempo que os Godos ocupavam a Lusitânia como mostra o pórtico e galilé, guarda-se nela a incomparável relíquia de uma grade porção do Santo Lenho que dizem ali deixara o mesmo Bispo e que trouxera o fuzil sobredito. O altar maior é de Pedro Apostolo em que se venera a sua imagem ligado com as cadeias, ao lado do evangelho Santo Agostinho, ao da Epistola São Pedro Félix, vulgarmente dito São Pedro Fins, o colateral direito de Nossa Senhor do Rosário, o da parte oposta do Divino Espírito Santo e no meio da Igreja, em frente da porta travessa um altar do Senhor Jesus com uma devotíssima imagem de Cristo Nosso Senhor.

Tem sete confrarias servidas e sustentadas por leigos a saber: a do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, com seu juiz, escrivão e três mordomos, a de Nossa Senhora do Rosário, a de Nossa Senhora da Lomba, a de São Sebastião, a do Divino Espírito Santo, a do Senhor Jesus e a das Almas.

A Ermidas, daquelas que há na Freguesia são as seguintes: dentro da Vila a de São Sebastião com a imagem do dito Santo; na quinta do Casal que é do Francisco Caetano Cabral de Moura Ortta, Senhor do Morgado de São Silvestre a capela de Nossa Senhora da Assumpção com duas missas quotidianas por alma do Rev. André de Castanheda e Moura, Prior que foi de Requeixo; no lugar de Verdemilho a Capela de Nossa senhora da Conceição na quinta do Dr. Faustino de Bastos Monteiro e a ermida de Nossa Senhora da Natividade, chamada vulgarmente da Lomba por ter aparecido em um Outeiro em que está situada a dita ermida e onde se venera da dita Senhora, que é devotíssima e de muitos milagres e a capela de São Bartolomeu na Quinta de Manuel da Fonseca. No lugar do Bonsucesso outra ermida com a Senhora do mesmo título (Natividade) na quinta de Francisco Teixeira Pimentel e Lima, Almoxarife do Rei nesta Comarca e Correio-mor de Aveiro e finalmente a capela de São Benedito na Quinta do Picado de que é senhor André Pacheco de Lima

São padroeiros desta Igreja os Rev. dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho da Serra a cujo Convento são unidos os dízimos da Freguesia excepto a 3ª pontífica que é da Mesa Episcopal de Coimbra e apresentam o pároco que antigamente, antes da união era prior como se vê do (rasurado - testamento de João Mendez em que assinou como testemunha) primeiro foral que os cónegos de Santa Cruz deram à Vila na era de 1219 [95] em que assinou como testemunha o Prior que então paroquiava com a rubrica: Menendus Iohanis clericus Louver Magister Prior de Erada.

Depois da união teve vigário até ao ano de 1700, e dai em diante é servida e paroquiada por um cura anual que apresentam os padroeiros ditos Rev.dos Cónegos Regulares do Convento da Serra que percebem de renda por rações, foros e dízimos um conto de réis e dão ao cura para côngrua dez mil réis e os passais que com os mais direitos paroquiais e oblações importará em 80$000.

Os frutos da terra são trigo, milho, cevada, feijão e vinhos em que excede a todos competindo com os mais celebrados da Europa o que se lavra em Verdemilho por sua fragrância e suavidade ainda que em pouco quantidade razão porque é menos famigerado.

Foi natural desta Vila de Arada o venerável Frei Pedro Dias ou Frei Pedro das Aradas da Ordem dos pregadores que no séc. XV em tempo do Sr. Rei D. João III floresceu em virtudes e santidade como se refere no Agiológico de Cardoso, e no Dominicano e de que faz memória Carvalho na sua Corografia, aceitando-se a naturalidade deste clérigo de Deus a Vila de Aveiro pela vizinhança que contem com esta de Arada de que não deu noticia alguma.
É natural desta Vila o Ermitão João do Santíssimo Nome de Jesus, que nasceu Vaz de Montemor-o-Novo esta fazendo áspera penitencia e Santa vida, chamava-se no século doze Ribeiro venerado e sepultado com seu pai Manuel Simões, homem muito temente a Deus, devoto e de boa vida
E no lugar de Verdemilho nasceu e completou os seus dias o Dr. Manuel Mendes de Barbuda e Vasconcelos insigne Jurisconsulto Provedor que foi de Lamego o salvo poema intitulado Virginidos, foi fidalgo da cota de armas descendente de Pedro Mendes de Barbuda e Vasconcelos, fidalgo de Montemor-o-Velho como consta do brasão de suas armas que aos ditos apelidos e tem a data de 2 de Maio de 1646.
É sua única descendente e herdeira sua neta D. Joana Travassos de Vasconcelos casada com o Dr. Faustino Bastos Monteiro. Também nasceram em Verdemilho e foram baptizados nesta Igreja de São Pedro das Aradas. O Pe. Frei Filipe da Conceição religioso carmelita descalço definidor Geral em Castela [96] e a Madre Anastácia de São José [97] também carmelita descalça no Convento de Aveiro cujas virtudes elogia com toda a veracidade o Pe. Carvalho na Corografia Tom. II cap.4, foram da família Marizes Pinheiros, de que também é o P. Manuel Frei Luís de Mariz da ordem dos pregadores. Há nesta Freguesia além das pessoas que vão nomeadas outras nobilíssimas famílias como são Barbosas Bacelares Novais, descendentes por linha direita de António Barbosa Bacelar, cidadão do Porto e fidalgo de cota de Armas como consta do Brasão que lhe foi dado em 18 de Maio de 1566; Silveiras Cardosos enlaçados com Barbosas Rangéis de Quadros; Barretos Ferrazes com Vasconcelos; Resendes Paivas com Marizes Pinheiros; Silveiras Fonsecas Vasconcelos; Pachecos Limas com Figueiredo Leões Bastos que todos usam as armas de seus apelidos.
Emanam neste território muitas fontes de pura e salubérrimas águas de montadas, quintas, pomares e hortas e são os habitantes bem intrigarados, e é o que pode indagar a minha diligência; que o Cavaleiro que deixou esta Vila ao Convento de Santa Cruz de Coimbra se chamava E porque tirando-se certidão no ano de 1616 o traslado do testamento no termo diz Jobus Mendi, que me parece Jacobus Mendi, ainda por nota de linguagem entenderam ser João Medis a original no cartório do Convento de Santa Cruz de Coimbra de onde se fez traslado.

Arada 6 de Fevereiro de 1734
O Cura de São Pedro de Aradas
Manuel Gonçalves Saltão


Doc.15

1739, Setembro, 13 – Autos de sequestro aos bens da Capela de São Benedito do lugar da Quinta do Picado (hoje Igreja da Quinta do Picado)

António de Sousa Brandão, pároco da Igreja de Aradas e sobre a Capela da Quinta do Picado.

Forma de embargo que fez o Reverendo padre António de Sousa Brandão, pároco de São Pedro de Aradas, deste bispado de Coimbra aos caseiros que pagam a André Pacheco de Lima morador na vila de esgueira como administrador da Capela de São Benedito sita na Quinta do Picado desta dita freguesia; por ordem de um capitulo que deixou o Rev. Dr. Visitador António de Almeida Furtado cujo teor de verbo adverbum é o seguinte/ Na visita passada se mandou o Reverendo pároco fizesse sequestro nos frutos da Capela de São Benedito da Quinta do Picado de que é administrador André Pacheco da Vila de Esgueira, por não ter reparado do necessário a dita Capela, o reverendo pároco me informou se tinha feito o sequestro na forma do dito Capítulo, o qual por fiar no dito administrador de, lhe não deu conta cobrando o rendimento deste ano e São Miguel futuro; e porque os rendimentos sequestrados não constam de mais de cinquenta para sessenta alqueires de trigo, cujo produto não é suficiente para os ditos reparos, mando o dito reverendo pároco, que na forma do Capítulo passado faça novo sequestro nos deste ano, se os houver, ou nos anos futuros, notificando os caseiros com pena de excomunhão maior para que os não dêem sem ordem de Coimbra, e satisfeito tudo, os remeterá ao Dr. Provisor para prover como for justiça / e não se continha mais no dito Capítulo que bem e fielmente este trasladei ao qual me reporto.


Ano de nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e trinta e oito aos treze dias do mês de Setembro e nas casas da residência do Reverendo António de Sousa Brandão, pároco da Igreja de São Pedro de Aradas, ali mandou vir perante si, a mim o Pe. Manuel Gonçalves Saltão, da dita freguesia a quem o dito reverendo pároco deu a juramento dos santos evangelhos, e também recebeu a minha mão sob cargo da qual prometemos ambos de bem e verdadeiramente fazer sequestro nos rendimentos da capela de São Benedito da Quinta do Picado desta freguesia de que é administrador André Pacheco da Vila de Esgueira por virtude do Capítulo da Visita acima declarado, e na forma do Capítulo antecedente do Dr. João Rodrigues Pereira de Figueiredo e logo no dito dia, mês e ano acima declarado, fomos ambos ao lugar da Quinta do Picado desta dita freguesia e na capela de São Benedito do dito lugar aí mandou vir ele, dito reverendo pároco perante si notificados por mim escrivão os caseiros do administrador da dita Capela e estando presentes lhe deu a juramento os santos evangelhos em que puseram suas mãos direitas debaixo do qual lhes encarregou dissessem verdade de quanto pagariam em cada um ano ao administrador da capela, André Pacheco e logo cada um por si confessaram dever ao dito administrador deste presente São Miguel, vindouro de mil setecentos e trinta e oito a saber: (66 alqueires de trigo)

Caseiros
Alqueires de trigo
Manuel Nunes Piolho
10
Seu filho Manuel Nunes, o novo e Feliciana Vieira, viúva
3
André da Rola
11
Domingos João, o Váz
8
Manuel Nunes Escudeiro
3
Domingos Francisco, o velho
6
Vicente Nunes
3
Domingos Francisco, erveiro
3
Manuel António, grande
11
André dos Santos
8

Como também lhes fez embargo nos ditos rendimentos do ano futuro de mil setecentos e trinta e nove por achar que os rendimentos deste ano passado de mil e setecentos e trinta e sete de que já se lhe tem feito embargo não são suficientes para o reparo da dita Capela e logo no mesmo acto de confissão os notificou o dito Reverendo pároco para que não entregassem, com pena de excomunhão, rendimentos alguns sem ordem de Coimbra de que ele dito pároco mandou fazer este termo de embargo que comigo e com os devedores assinou sendo testemunhas presentes; Manuel João e Domingos João ambos da Quinta do Picado desta freguesia e eu o Pe. Manuel Gonçalves Saltão, escrivão que o escrevi e assinei era ut supra. Ass.

Doc.16

1743, Setembro, 9 até 1747, Novembro, 23 – Tombo das propriedades e foros pertencentes às Confrarias da Freguesia de São Pedro de Aradas [98]

Índice cronológico de documentos tombados e datas de escrituras de propriedade

1645, Março, 21 – Escritura de compra das melhoras de oito alqueires de trigo na azenha do Buragal, a de baixo, que fez Manuel Silveira Barbeiro, morador em Verdemilho a José Marques e seu irmão Manuel Gonçalves Loureiro, filhos que ficaram de Manuel Fernandes Festas de Aveiro por seu tutor Manuel Pinheiro, mercador e morador em Aveiro. O tabelião de notas Manuel Soeiro Cardoso, f.13
1673, Dezembro, 29 – Verba do testamento de Catarina de Sena, mulher de Pedro da Silveira, de três missas de Natal com responso sobre a sua sepultura na Capela de Nossa Senhora da Lomba de Verdemilho obrigando o sua metade do chão da Quinta do Picado aprovado em pública forma por Domingos da Fonseca Ferreira, tabelião da Vila de Ílhavo, testemunhas, Manuel Gomes Bombarda, Manuel André, Mateus Fernandes, Manuel Silveira e o Rev. Vigário Manuel Gonçalves Coelho, f.23v

1678, Abril, 24 – Escritura de compra de um chão chamado Teceloas, a arribas do moinho que fez Manuel da Silveira, o canadeiro, e a sua mulher Isabel das Neves moradores em Verdemilho a Mateus Fernandes, filho de André Fernandes de Verdemilho. O tabelião Jorge Carneiro da Fonseca, f.6v
1678, Março, 19 – Certidão de pagamento de siza em como Mateus Fernandes, filho de André Fernandes do chão chamado Teceloas, que parte do norte com um chão do mesmo e do sul com Manuel André, genro de Domingos Manuel Gaio de Aradas, com obrigação de pagamento de fôro a Pascoa de Azevedo da Vila de Aveiro. O Juiz das sizas, Manuel Gonçalves Cadamolho, escrivão das sizas Jorge Carneiro da Fonseca, f.7
1679, Janeiro, 21 – Certidão de pagamento de siza em como Mateus Fernandes, filho de André Fernandes do chão chamado Teceloas, que parte do norte com um chão do mesmo e do sul com Manuel André, genro de Domingos Manuel Gaio de Aradas, com obrigação de pagamento de fôro a Pascoa de Azevedo da Vila de Aveiro. O Juiz das sizas, Manuel Gonçalves Cadamolho, escrivão das sizas Jorge Carneiro da Fonseca,, f.8
1683, Julho, 5 – Escritura de compra que Roque André Biscaya, morador de Verdemilho fez a Isabel Gonçalves, viúva, moradora em Verdemilho, nora que foi do Araújo, de treze alqueires de trigo. O tabelião, Domingos João de Macedo, testemunhas, José Henriques criado do tabelião Manuel Soeiro Cardoso, Bento Gonçalves lavrador e Gaspar Fernandes trabalhador da Vila de Aradas, f.10
1685, Fevereiro, 19 – Escritura de aforamento que fez Manuel Silveira Barbeiro e sua mulher Francisca Gomes a Manuel André Bezugo e sua mulher Luísa Nunes, lavradores e moradores nas Ribas, de um chão sito na chamada quinta de André Dias, que parte do norte com Manuel André filho do Bezugo e do sul com Maria André, filha do curador deste lugar. O tabelião de notas de Ílhavo, Julião de Figueiredo de Leão, testemunhas José Moreira da Costa, Mateus Fernandes e Teotónio da Costa, f.11v
1686, Outubro, 21 – Escritura de compra de sete alqueires e meio de milho grosso impostas numa terra que chamam a Carasseira, que parte do norte com vinhas do Badém e do sul com terras de Francisco Nunes e umas casas com seu quintal sitas na Rua da Senhora de Verdemilho e do sul com vinhas de Diogo de Barros, que fez Roque André Biscaya de Verdemilho a André Gonçalves e sua mulher Maria Francisca e sogra Isabel Francisca, viúva, também de Verdemilho. O tabelião Manuel Fernandes da Lebre, testemunhas Paulo Nunes, Manuel João Eitor e Manuel António Bujâ todos da Vila de Aradas f.15v
1688, Julho, 26 – Escritura de aforamento da metade casas e aido de Gaspar Francisco do Campo da Azenha, com sala, cozinha e camera e metade da casa do forno e curral que parte do norte com casa de André Gonçalves e do sul com Francisca João viúva do Fragoso, que fez Manuel Silveira Barbeiro, sangrador e sua mulher Francisca Gomes a Silvestre dos Santos e sua mulher Maria Manuel lavradores de Verdemilho. O tabelião público e judicial da Vila de Ílhavo José Moreira da Costa, testemunhas António João Balazaima e seu filho Manuel João Alfaiate de Verdemilho, f.17v
1692, Setembro, 10 – Escritura de aforamento de umas casas térreas com aido e rossio à porta com parreira em Verdemilho, que partem da banda do norte com vinha de Manuel João Formiga e do sul com casas, chão e vinhas de Francisco Leitão, que faz Manuel da Silveira, cirurgião solteiro de Verdemilho a Francisco Leitão e sua mulher Antónia Simões. O tabelião público e judicial da Vila de Aradas Manuel André, testemunhas José André e Manuel de Azevedo de Verdemilho, f.19v
1697, Janeiro, 23 – Escritura de compra de três alqueires e meio de milho zaburro a retro aberto que fez Roque André Biscaya de Verdemilho a Manuel Fernandes e sua mulher Isabel Gonçalves possuidores de um chão chamado as Alagoas, que parte do norte com os herdeiros de João António e do sul com chão de Maria solteira, a muda e de umas casas com aido. O Pe. Manuel Gonçalves Fragoso, f.21
1697, Outubro, 7 – Verba do testamento de Manuel da Silveira, cirurgião do lugar de Verdemilho. O tabelião de notas João da Cunha, testemunhas, Tomé Ribeiro Correia, alcaide, António da Mota, pintor, Manuel de Macedo e Bernardo da Rocha Barbeiro e Manuel Francisco o grilo, Manuel Francisco, sangrador e o Rev. Vig. Manuel Coelho, f.96
1699, Julho, 8 – Escritura de compra de um chão nas Teceloas, que parte do nascente com Domingos André, o bigado e do poente com Silvestre João do Crasto, que faz Roque André Biscaya de Verdemilho a Manuel Fernandes e seu irmão André Golçalves e suas mulheres. O tabelião de notas Julião de Figueiredo de Leão f.22
1703, Fevereiro, 7 – Verba do testamento de Luísa Fernandes, mulher de Manuel Fernandes o manco, do assento de casas e aido nas Quintas Novas, termo da Vila de Ílhavo, que parte da banda do norte com de Sebastião Gonçalves o Loureiro do nordeste com Gandra de Arada e do sul com herdeiros da cama. O escrivão dos órfãos da Vila de Ílhavo Lourenço Rodrigues da Cruz, f.26
1706, Dezembro, 27 – Escritura de posse que se deu aos mordomos da Confraria do Senhor e mais Confrarias da Igreja de São Pedro das Aradas da azenha dos frades e vinha que ficou de Domingos André Janico e seus herdeiros, azenha já arruinada sem casa nem roda nem madeira, testemunhas Manuel Gonçalves neto de João Gonçalves do moinho, João Francisco genro de António do Eirô. O tabelião de notas Manuel da Costa e Silva, f.25
1710, Fevereiro, 9 – Verba do testamento do Dr. Manuel Antão Pereira. O tabelião de notas António da Silva Medela, f.27
1725, Outubro, 23 – Escritura de aforamento que fizeram Tomás dos Santos e mulher à Confraria do Santíssimo Sacramento. O tabelião público e judicial de notas da Vila de Ílhavo João Ribeiro de Figueiredo, f.74v
1725, Outubro, 11 – Escritura de aforamento de uma terra nos Moirinhos que foi de Roque André Biscaya, que faz o Padre Manuel dos Santos Monteiro à Confraria do Santíssimo Sacramento. O tabelião de notas da Vila de Aradas Manuel da Costa e Silva, f.81
1729, Agosto, 16 – Procuração dos eleitos das Confrarias a Manuel João Alfaiate de Verdemilho e João Gonçalves Monteiro de Aveiro, f.4
1732, Março 14 – Verba do testamento do Padre Manuel Gonçalves Fragoso morador na sua quinta em Verdemilho. O tabelião de notas João
1737, Setembro, 12 – Escritura de aforamento de João da Rocha e mulher às Confrarias do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Lomba, f.65v
1741, Fevereiro, 24 – Escritura de amigável composição entre João Gonçalves Monteiro e sua mulher Joana da Cruz da Vila de Aveiro e os mordomos da Confraria do Santíssimo Sacramento da Freguesia de Aradas e seu juiz o Rev. Pároco José Filipe da Fonseca da metade dos bens legados pelo Licenciado Manuel Antão Pereira. O tabelião de notas Gonçalo dos Santos, f.30v
1741, Agosto, 30 – Verba do testamento de João Francisco Alfaiate do Campo da Azenha de Verdemilho. O tabelião de notas Eusébio Ribeiro da Silveira Nogueira, f.78v


1743, Setembro, 9 – Provisão Régia de D. João a Faustino de Bastos Monteiro para Juiz do Tombo, f.2
1743, Dezembro, 4 – Requerimento do procurador do Tombo a Dr. Faustino de Bastos Monteiro da quinta do Buragal ao juiz da Igreja e Confrarias, f.5v
1743, Dezembro, 9 - Verbas que pagam os Rev. Cónegos Regrantes de Santo Agostinho do Mosteiro da Serra do Pilar de Vila Nova de Gaia, a que é unida imperpetum a Igreja de São Pedro de Aradas, à Confraria do Santíssimo Sacramento, 6v
1746, Outubro, 13 – Termo de nomeação dos louvados para medição das propriedades pertencentes às Confrarias, f.32
1747, Agosto, 29 – Reconhecimento das propriedades e foros pertencentes às Confrarias, f.34

Doc.17

1747, Agosto, 29 – Reconhecimento das propriedades e foros pertencentes às Confrarias da Paroquial Igreja de São Pedro de Aradas [99]

Da Confraria do Santíssimo Sacramento

Aradas
Uma leira de terreno aonde chamam a Casca sita na Agra da Vila de Arada que parte do norte com Bartolomeu Simões, do poente com o mesmo, do sul com os herdeiros de Manuel Soares de Albergaria e do nascente com a Quinta do Avelar, e tem de comprido pela parte norte 52 varas e meia e da banda do sul as mesmas, do poente e nascente 21 varas por cada parte a qual trás arrendada Bartolomeu Simões, f.34v

Uma leira de terreno sita onde chamam a Agra que parte do nascente com a Agroeira da Escudeira e do norte com os herdeiros de Gregório Rodrigues, do poente com Manuel Fernandes Janico e do sul com serventia da mesma terra e com Manuel Ferreira, e tem de largo pela parte do sul 6 varas, do nascente e poente 129 varas e pela parte do norte 71 varas, a qual trás de arrendamento Anna Ferreira.

Um sarradinho sito onde chamam o Caseiro, que parte do norte com Manuel Ferreira e do sul com rigueira de serventia das águas daquelas fazendas, do nascente com a estrada pública e tem de comprido pelo nascente 54 varas e pela parte do norte 36 varas, do sul em roda 73 varas, o qual trás arrendado António Manuel do Rio, f.35

Um terreno sito na Agra chamado o Rodelo, que parte do norte com António José e do sul com João Ferreira Crespo e do nascente com António Manuel do Rio e do poente com serventia da mesma agra, e tem de comprido pelo norte 70 varas, do nascente 27 varas, do sul 108 varas e poente 20 varas, o qual trás arrendado António Manuel do Rio

Coimbrão
Um terreno no sitio do Coimbrão que parte do norte com Manuel Simões Manco, o curador e outros e do sul com António Manuel Rio, do nascente com a veia da água e do poente com Manuel Gonçalves Rebolo, e tem do nascente 60 varas e do sul 86 varas e do poente 110 varas e pela parte do norte as mesmas 110 varas, o qual trás arrendado Manuel Simões Manco, o curador

Verdemilho
Um terreno no sitio da Chouza do monte que parte do norte com as religiosas carmelitas da Vila de Aveiro e do sul com Manuel Simões Valente e do nascente com António Ferreira e do poente com a estrada pública, e tem de comprido pela parte do norte 147 varas e pelo sul as mesmas 147 varas e do nascente 22 varas e do poente 14 varas, o qual trás arrendado Manuel Simões Manco, o curador, f.35v

Um terreno no sitio onde chamam a Rosa que parte do norte com terra do Reverendo Licenciado Manuel Simões dos Reis, de Aveiro por onde tem 99 varas e do sul com a estrada que vai para Souza e corre em volta da mesma estrada por onde tem 166 varas e pelo poente com Jacinto Manuel e tem 27 varas, o qual trás arrendado António Francisco do Campo da Azenha por 2$000 reis.

Uma leira de terreno dentro do quintal de Manuel Ferreira e Manuel Dias de Aradas, que parte do norte com caminho que vai para a Agra com 15 varas, do poente e sul com Manuel Ferreira com 13 varas e do nascente com a viúva de João Dias com 90 varas

Sete meios de Marinha sitos na Corte de Santiago a saber: 4 meios partem do nascente com 15 meios de marinha de D. Luísa da Vila de Aveiro filha q foi de Carlos Ribeiro da Maia por onde tem 182 varas e pelo poente com marinha do Dr. Luís Nogueira de Abreu da Vila de Ílhavo com 186 varas; 3 meios no mesmo sítio que partem do nascente com Francisco Caetano Cabral e Moura com 142 varas e pelo poente parte com viveiro de toda a Corte de Marinhas, os quais meios competem à vara com os mais consortes, f.36v

Metade de um assento de casas com seu quintal e casa de lagar e vinha por baixo, legadas pelo licenciado Manuel Antão Pereira, 87v.

Um chão sito na Chousa Velha de Verdemilho, legado pelo licenciado Manuel Antão Pereira, 87v.

Uma leira de terreno sita na Regaça, legada pelo licenciado Manuel Antão Pereira, 87v.

Um bocado de pinhal sito no Reguinho, legado pelo licenciado Manuel Antão Pereira, 88.

Foros
Um foro de dois alqueires de trigo impostos em um pomar da Quinta no lugar de Verdemilho onde está a Capela de Nossa Senhora da Conceição e uma quarta de trigo de um chão nas Teceloas, propriedades do Dr. Faustino de Bastos Monteiro e sua mulher D. Joana Travaços de Vasconcelos, herdadas de seu pai o Dr. António de Bastos que herdara de sua avó Maria Madalena, f.33

Um foro de 700 réis anuais imposto numas casas em Verdemilho que foram de Roque André Biscaya e sua mulher Antónia dos Santos, propriedade de José Dias e sua mulher Luísa Maria, f.37v

Um foro de meio alqueire de trigo anuais imposto num terreno sito nas Teceloas, propriedade Manuel Ferreira da Lavandeira, viúvo, que adquiriu aos herdeiros do Dr. Manuel Gonçalves Feitor.

Um foro de uma quarta de trigo anuais imposto numa leira de terreno sita na Cruz Alta, propriedade de Manuel Simões Barachão e sua mulher Joana André da Vila de Aradas, f.41v

Um foro de um alqueire de trigo anuais imposto numa terra sita onde chamam a Pinheira, propriedade de Manuel Fernandes do Casal viúvo, f.43v

Meio alqueire de trigo anual imposto num acento de casas na Vila de Aradas que parte do poente com estrada pública, propriedade de Jacinta da Conceição, viúva de Manuel Gonçalves Pequeno, f.44v

Um foro de 750 réis anuais impostos numa vessada com sua praia chamada Vigária sita no Passal da Igreja de São Pedro das Aradas, propriedade de Manuel Fernandes Casal. Viúvo e Francisco João Pericão filho de Manuel João o fiteiro e sua mulher Joana Ferreira, com vínculo à Capela instituída por Roque André Biscaya, f.45 e f.70

Um foro de um alqueire de trigo anual imposto num terreno onde chamam a Rota do Pedreanes que parte do norte com João Ferreira filho do Crespo, do poente com Miguel André, do sul com os herdeiros de Manuel Lopes e do nascente com terras foreiras a Dona Brites, propriedade de Teresa Ribeira, a manca, f.46

Um foro de meio alqueires e dois salamis de trigo e de milho, e quarto de galinha anuais impostos numas terras sitas no Aido do Garrido em Aradas, propriedade de João dos Santos Homem e sua mulher Maria da Rocha moradores na Vila de Aveiro, e igual foro a sua sogra Natália Vidal, viúva f.47

Um foro de dois alqueires e meio de trigo e de milho e uma galinha anuais impostos numas terras sitas no Aido do Garrido, propriedade de Manuel dos Santos Lico e sua mulher Rozária Gonçalves, f.49

Um foro de um alqueire de trigo anual imposto no chão do Macedo sito no Aido do Mexilhão, propriedade de Francisco Gonçalves Leques e sua mulher Maria João da Vila de Aradas, f.50

Um foro de meio alqueire de trigo anual imposto numa leira de terra sita dentro do Aido que ficou de Miguel da Rocha em Verdemilho, propriedade dos herdeiros Manuel João de Ascenço e Pedro Simões, f.51

Um foro de 100 réis anuais impostos numas casas em Verdemilho, propriedade de Ascenção solteira filha de João Francisco Bacalhau já defunto, f.52

Um foro de quarta de trigo anual imposto numa terra sita onde chamam a Escodeira limite da Vila de Aradas, propriedade de João da Rocha e sua mulher Maria Gonçalves, f.53v

Um foro de um alqueire e meio de trigo anuais impostos em duas casas no sítio de Aradas de baixo que partem do norte com o Carril que vai para a azenha e do nascente com a estrada pública, propriedades de Manuel João viúvo e Isabel Nunes viúva de Amaro Ferreira da Vila de Aradas, f.55

Um foro de 100 réis anuais impostos numa terra sita nos Linhares, propriedade de Luís André da Eira e sua mulher Joana Gonçalves de Verdemilho, f.56

Um foro de quarta de trigo anual imposto numa terra sita no sítio das Quintas de Aradas, propriedade de António Roiz Branco e sua mulher Brazia João da Cruz Alta, que herdaram de um seu irmão clérigo.

Um foro de um alqueire e quarta de trigo e de milho e meia galinha imposto um duas terras no Aido do Garrido em Aradas, propriedade de Manuel Ferreira viúvo das Quintãs de São Bernardo e Isabel André viúva de André da Maia e Francisco Gonçalves filho de Pascoal Gonçalves e sua mulher Maria dos Santos da Vila de Aradas, com vínculo à Capela instituída os Roque André Biscaya, f.59

Um foro de três alqueires e meio de trigo anuais impostos em duas terras sitas uma nas Quintas onde chamam o Vale de André Afonso e outra nas Cavadas de Aradas, propriedade de Sebastião da Costa e sua mulher Maria João de São bernardo, f.60v

Um foro de 50 réis anuais impostos num acento de casas na Vila de Aradas, propriedade de Nicolau Nunes e sua mulher Teresa da Rocha, f.61v

Um foro de três quartas de trigo anuais impostos numa terra chama da Escudeira, propriedade de António José da Costa e Silva e sua mulher Marcela Roiz da Silva de Aradas, f.62

Um foro de 125 réis anuais impostos numa terra chamada a leira da Rata sita na Agra de Aradas, propriedade de Teodósia de Jesus religiosa do Convento de São Bernardino da Vila de Aveiro, herdada de Gregório Roiz, f.63

Um foro de 125 réis anuais impostos numa terra sita na Agra de Aradas, propriedade de José Ferreira, solteiro, f.64

Um foro de um alqueire de trigo anual imposto numa terra sita na Arrota dos Carvalhos, propriedade de Bráz Simões e sua mulher Josefa Gonçalves, f.64v

Um foro de 800 réis anuais impostos numa terra sita nas Cavadas de cima na Quinta do Picado que parte do sul com pinhal do Capitão-mór Pedro de Barros Carvalho do lugar de Verdemilho e do nascente com a estrada que vai para Coimbra e do nascente com a estrada que vai para o Carregueiro, propriedade de João da Rocha e sua mulher Isabel João da Azenha dos Frades, f.65v

Um foro de 500 réis anuais impostos numa terra sita nas Cardozas, propriedade de Manuel Simões e sua mulher Isabel de Oliveira do lugar das Cardosas, f.69

Um foro de nove alqueires e meio anuais impostos numa terra na Quinta do Rendeiro outra terra onde chamam o Queimado, outra no sítio do Caseiro em Aradas, propriedades de Isabel André viúva de André da Maia da Vila de Aradas, f.72

Um foro de 7400 réis anuais impostos numa terra onde chamam os Moirinhos limite do lugar de Verdemilho, propriedade de Tomás dos Santos e sua mulher Maria dos Santos, com vínculo à Capela instituída por Roque André Biscaya, f.73

Um foro de 150 réis anuais impostos numa fazenda dentro da Quinta em Aradas, propriedade de Mateus da Silveira Cardozo e sua mulher D. Catarina Bernarda Rangel de Quadros, que herdaram de seus antepassados com a dita obrigação, f.84v

Um foro de 100 réis anuais impostos num casal sito em Aradas, propriedade de Jacinta da Conceição viúva de Manuel Gonçalves Pequeno, de Manuel Ferreira, filho de António Ferreira e de João Ferreira Crespo todos de Aradas , f.88v.

Um foro de meio alqueire de trigo anual numa terra sita na Agra da Vila de Aradas, propriedade de Francisco Gonçalves Taipeiro e sua mulher Maria Ferreira de Aradas, f.90.

Um foro de 1200 réis anuais impostos numa vinha no sítio dos Moirinhos, propriedade do Reverendo Padre Manuel dos Santos Monteiro, f.93v

Um foro de 240 réis anuais impostos numa terra sita na Agra de Verdemilho, propriedade de Mariana Luísa viúva do licenciado João Ribeiro de Figueiredo e seu filho João Pedro Ribeiro Saraiva de Figueiredo e sua mulher Josefa Clara do lugar de Verdemilho.

Um foro de nove alqueires de trigo anuais impostos na Azenha dos Frades e suas pertenças, propriedade de Manuel da Rocha e sua mulher Maria dos Santos, do legado de Pedro Fernandes Mouco de obrigação de três missas de natal e de Maria da Rocha mulher de Francisco Carneiro também de três missas, f.101v

Da Confraria de Nossa Senhora do Rosário

Um terreno no sitio na Quinta de Além que parte do norte com estrada que vai para Souza, e do poente com serventia de terras e do norte com Manuel Simões Barreto, e tem de comprido do norte 155 varas, do sul 158 varas, do nascente 15 varas e do poente as mesmas 15, o qual trás arrendado António Francisco do Campo da Azenha por 1$000 réis

Foros
Um foro de dois alqueires de trigo impostos em um pomar da Quinta no lugar de Verdemilho onde está a Capela de Nossa Senhora da Conceição, que parte do sul vinte e quatro varas e parte com a estrada que vai para Aveiro, propriedades do Dr. Faustino de Bastos Monteiro e sua mulher D. Joana Travaços de Vasconcelos, f.33

Um foro de um alqueire de azeite anuais imposto numas casas sitas na Rua do Poço do lugar de Verdemilho, propriedade de Manuel João o preto do lugar de Verdemilho, ao qual é obrigado uma terra sita nas Chousas Velhas junto às casas de Manuel Gonçalves Branco, propriedade de Pedro Migueis Curralles.

Um foro de 120 réis anuais imposto num pinhal sito na Carreira dos Moleiros do Bonsucesso, propriedade de Manuel João Ronha e sua mulher Rozária Gonçalves do Bonsucesso

Um foro de um alqueire de trigo anuais imposto numas casas com seu quintal sitas na Vila de Aradas, propriedade de Matias Dias Baroé e sua mulher Isabel Francisca da Vila de Aradas

Um foro de 200 réis anuais imposto numa vinha sita no Buragal, propriedade de João da Rocha e sua mulher Maria Gonçalves da Vila de Aradas, f.43


Um foro de meio alqueire de trigo anual imposto num acento de casas na Vila de Aradas que parte do poente com estrada pública, propriedade de Jacinta da Conceição, viúva de Manuel Gonçalves Pequeno, f.44v

Um foro de 125 réis anuais impostos numa terra chamada a leira da Rata sita na Agra de Aradas, propriedade de Teodósia de Jesus religiosa do Convento de São Bernardino da Vila de Aveiro, herdada de Gregório Roiz, f.63

Um foro de 125 réis anuais impostos numa terra sita na Agra de Aradas, propriedade de José Ferreira, solteiro, f.64

Um foro de 450 réis anuais impostos numa terra sita nas Cardosas, propriedade de Manuel Simões e sua mulher Isabel de Oliveira do lugar das Cardosas, f.69

Um foro de um alqueire anual imposto num acento de casas que parte do poente com a levada das azenhas, propriedade de Tomé João e sua mulher Antónia Manuel e seus cunhados António Gonçalves e mulher Maria Antónia, Manuel Martins Coutinho e mulher Joana dos Santos, Manuel João e mulher Maria da Rocha todos do lugar do Bonsucesso, f.71

Um foro de um salami de trigo imposto num sítio onde chamam os Coradouros, propriedade de Ana Ferreira viúva de João Nunes Coelho e Joana da Cruz viúva de João Gonçalves Monteiro da Vila de Aradas, f.76v

Um foro de 300 réis impostos numa vinha sita no Crasto de Verdemilho, propriedade de Manuel Simões sua mulher, genro e filha moradores na sua azenha da Barroca da Vila de Ílhavo, que herdaram de Bernardo Simões de Verdemilho, f.92v

Um foro de um alqueire e meio de trigo anuais impostos nua terra sita nos Barreiros de Aradas, propriedade de João Gonçalves do Carrancho e sua mulher Maria Nunes da Vila de Aradas, f.90v

Um foro de 150 réis anuais impostos num serrado sito  na rua do Crasto de Verdemilho com suas casas, propriedade do Reverendo Padre Manuel dos Santos Monteiro, f.93v

Um foro de 500 réis anuais impostos numas casas sitas na rua do Crasto de Verdemilho, propriedade de João de Almeida e sua mulher D. Aurélia, herdadas de Domingos Simões Preto, f.100

Um foro de um alqueire de trigo anual imposto na Azenha dos Frades, propriedade de Manuel da Rocha e sua mulher Maria dos Santos, f.102v

Da Confraria de Nossa Senhora da Lomba
Um terreno no sitio na Cauceira que parte do norte com terra de Manuel da Rocha, moleiro da azenha dos frades, e tem do norte 84,5 varas, do sul 19,5 varas, do nascente com terra de Luísa dos Santos 79,5 varas e do poente as mesmas 15, o qual trás arrendado Gonçalo solteiro filho de Manuel João do Ascenço de Verdemilho, f.36

Um terreno na Quinta do Picado que parte do norte com Domingos Francisco e do poente com a estrada pública, e tem de largo do nascente 21 varas e do poente 22 e comprido do norte 192 varas, o qual trás arrendado Manuel João o Ruivo

Um terreno nas Teceloas que parte do norte com serventia da Cauceira com 12 varas, do sul com Gonçalo filho de Manuel João do Ascenço com 165 varas e do nascente com herdeiros de Manuel André o mouco com 162 varas.

Foros
Um foro de 600 réis anuais imposto numa propriedade sita nas Cavadas do Bonsucesso, propriedade de Jacinto Manuel do lugar de Verdemilho, herdada de seu sogro João Francisco morador na Rua do Crasto de Verdemilho.

Um foro de três alqueires de trigo anuais impostos numa terra sita nas Teceloas de baixo, propriedade de José da Rocha e sua mulher Luísa dos Santos de Verdemilho, f.52v

Um foro de 600 réis anuais impostos num acento de casas sitas no lugar de Verdemilho, propriedade de João Nunes e sua mulher Maria da Rocha de Verdemilho

Um foro de 800 réis anuais impostos de um acento de casas em Verdemilho, propriedade de Maria Simões, viúva de António das Cachopas, f.58

Um foro de 400 réis anuais impostos numa terra sita nas Cavadas de cima na Quinta do Picado que parte do sul com pinhal do Capitão-mór Pedro de Barros Carvalho do lugar de Verdemilho e do nascente com a estrada que vai para Coimbra e do nascente com a estrada que vai para o Carregueiro, propriedade de João da Rocha e sua mulher Isabel João da Azenha dos Frades, f.65v

Um foro de cinco alqueires de trigo anuais impostos numa terra sita na Quinta do Fidalgo e chão do Manamonte nas Ribas, propriedade de Manuel Francisco e sua mulher Maria da Rocha das Ribas da Picheleira e João Francisco Picado e sua mulher Maria Manuel da Coutada e Felício Nunes e mulher Maria Bernarda Maria Roiz das Ribas, f.82

Um foro de dois alqueires de trigo anuais impostos num acento de casas no Bonsucesso, propriedade de João da Rocha Rebolo e sua mulher Isabel Francisca do Bonsucesso, f.83v

Um foro de quatro alqueires de trigo anuais impostos numa terra na Chousa do Fidalgo, propriedade de Caetano Fernandes e sua mulher do lugar das Ribas da Picheleira, legados por Manuel da Silveira, cirurgião morador em Verdemilho, f.95v

Um foro de 500 réis anuais impostos numas casas sitas na rua do Crasto de Verdemilho, propriedade de João de Almeida e sua mulher D. Aurélia, herdadas de Domingos Simões Preto, f.100

Um foro de um alqueire de trigo anual imposto na Azenha dos Frades, propriedade de Manuel da Rocha e sua mulher Maria dos Santos, f.102v

Da Confraria do Espírito Santo
Um foro de 100 réis anuais imposto numas casas na viela de Marta do lugar de Verdemilho, que partem do norte com o Dr. Faustino de Bastos Monteiro e do sul com serventia ao sítio de Santa Catarina, propriedade de Caetano dos Santos e sua mulher Maria da Conceição, casas que foram de Manuel Fragoso Pimentel, f.40v e f.91v

Um foro de 200 réis anuais impostos numas casas sitas na rua do Crasto de Verdemilho, propriedade de João de Almeida e sua mulher D. Aurélia, herdadas de Domingos Simões Preto, f.100

Um foro de um alqueire de trigo anual imposto na Azenha dos Frades, propriedade de Manuel da Rocha e sua mulher Maria dos Santos, f.102v


Da Confraria de São Sebastião
Um foro de 500 réis anuais impostos numas casas sitas na rua do Crasto de Verdemilho, propriedade de João de Almeida e sua mulher D. Aurélia, herdadas de Domingos Simões Preto, f.100

Um foro de meio alqueire de trigo anual imposto na Azenha dos Frades, propriedade de Manuel da Rocha e sua mulher Maria dos Santos, f.102v

Da Confraria do Senhor Jesus
Um foro de 500 réis anuais impostos numas casas sitas na rua do Crasto de Verdemilho, propriedade de João de Almeida e sua mulher D. Aurélia, herdadas de Domingos Simões Preto, f.100

Um foro de um alqueire de trigo anual imposto na Azenha dos Frades, propriedade de Manuel da Rocha e sua mulher Maria dos Santos, f.102v

Da Confraria das Almas
Um foro de um alqueire de trigo anual imposto na Azenha dos Frades, propriedade de Manuel da Rocha e sua mulher Maria dos Santos, f.102v

Doc.17

1747, Setembro, 23 – Inventário da Fábrica da Igreja Matriz de Aradas e da Confraria do Santíssimo Sacramento da Freguesia de Aradas<!--[if !supportFootnotes]-->[100]<!--[endif]-->

Aos vinte e três dias do mês de Setembro de mil e setecentos e quarenta e sete annos nesta Igreja de São Pedro das Aradas onde eu escrivão vim de autoridade e mandato do Doutor Faustino de Bastos Monteiro Juiz do Tombo das Confrarias da dita Igreja por especial provizão de sua Magestade q Deus guarde e com o Juiz da Igreja q de presente serve Manuel Gonçalves da Vila de Arada e com o procurador do dito Tombo e Confrarias Manuel João do lugar de Verdemilho para efeito de se fazer Inventário de todas as peças q há na dita Igreja para se lançarem no Tombo as quais peças logo ali foram apresentadas pello dito Juiz da Igreja e procurador para se escreverem e são as seguintes de q fiz este termo e eu João Gonçalves Ferreira escrivão do tombo q escrevi e assinei. Ass.

Confraria do Santíssimo Sacramento
Peças que se acham na Confraria do Santíssimo Sacramento são as seguintes:
seis varas de pálio de prata
duas lanternas de prata
um cirial de prata
dois castiçais de prata
duas cruzes de prata
duas custódias de prata
um turíbulo, naveta e colher de prata
uma vara de prata do juiz
duas lanternas de latão de acompanhar o senhor quando vai fora
um lampadário de prata na capela-mor
duas galhetas de prata e o seu prato
um pálio de veludo carmezim tudo vermelho com franjas de ouro
um almofada de veludo carmezim e damasco tudo vermelho
um frontal branco
duas véus de ombros 1 com rendas de ouro outro com renda de prata
duas mangas de cruz 1 de veludo encarnado e outra de damasco
dois guiões de damasco encarnado
sete vestias
três cortinas de sacrário brancas com franja de ouro
duas dálmaticas com sua casula verde
um missal que é da Confraria adquirido por 2.400 rs
dois de latão que estão na Capela maior
uma bacia de latão de trazer incenso
dois cobertores de cobrir o caixão
dez panos de seda encarnados
duas cortinas brancas
um pálio de uso vermelho quando vai o senhor aos enfermo

Fábrica da Igreja Paroquial
Titulo das peças da Fábrica do Juiz da Igreja são as seguintes:
um santo sudário
uma cruz da fábrica de prata com sua imagem de prata
duas mangas vermelhas da mesma cruz uma de veludo com franja de ouro
dois panos de púlpito
um pano que se põe na porta em quinta-feira maior
uma caldeirinha de latão com seu hissôpe
Sendo escritas estas peças dadas e apresentadas pelos ditos Juiz da Igreja e procurador por elles foi dito q estas eram as referidas peças q havia na dita Igreja q não tinham noticia de mais nenhumas mas q protestavam de q a todo o tempo q tiverem noticia de mais algumas peças de as darem à escrita de q tudo fiz este termo, sedo testemunhas presentes Tomás dos Santos do lugar de Verdemilho e Manuel Ferreira do lugar da Lavandeira que todos aqui assinaram comigo escrivão. Ass.



Doc.18

1748, Fevereiro, 15
Autos

Doc.19

1758, Abril, 30 – Memória Paroquial de São Pedro de Aradas [101

(f.801)
Na distância somente de um quarto de légua desta Vila está situada a freguesia de São Pedro de Aradas. Diremos tudo o que há nela neste interrogatório para não confundirmos com as de Aveiro. Aradas é uma Vila pequena com jurisdição ordinária, tem cento e vinte vizinhos e trezentas e trinta e oito pessoas.
Da sua Igreja são padroeiros os Religiosos de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova do Porto.
Pertence-lhe o lugar de Verdemilho, que é termo de Ílhavo, onde há cento e dezanove vizinhos e duzentas e oitenta e oito pessoas; o Bonsucesso com trinta e quatro vizinhos e cento e doze pessoas; a Quinta do Picado com quarenta e um vizinhos e cento e dezanove pessoas.
O orago desta Igreja é o apóstolo São Pedro, que se festeja no dia das suas cadeias. Dentro em um pequeno cofre de prata dourada, obrado de maneira que se ignora a parte por onde se possa abrir, é tradição que se conserva um elo das cadeias com que prenderam o Príncipe dos Apóstolos. A devoção dos Povos assim o acredita, e no dia segundo de Agosto, que é o da sua festividade, se dá a beijar este cofre a bastante concurso de gente, que ali vai em romagem.
Até agora se não atreveu nenhuma pessoa a por em execução o desejo de o abrir. O Ex.mo Sr. D. António de Vasconcelos, indo em Visita àquela Igreja o quis fazer, mas dizendo-lhe um sacerdote, que o Ex.mo Sr. D. Álvaro Bispo de Coimbra, intentando abri-lo, com violência se lhe espalhara um repentino tremor pelo corpo de maneira que não passara adiante com a sua indagação, o que ele presenciara, o deixou logo da mesma sorte que estava. Assim se conserva oculta esta relíquia, venerada com tão sagrado respeito.
(f.802)
Tem a Freguesia cinco altares: o altar-mor, aonde está o Santíssimo Sacramento, a Imagem de São Pedro Apostolo, Santo Agostinho e São Félix Mártir. Nos altares colaterais, de uma parte está a Virgem N. Sra. do Rosário, Santa Catarina e Santa Luzia. Da outra o Espírito Santo, São Sebastião e São Gonçalo. No corpo da Igreja, que não é de naves, tem o altar do Senhor Jesus, com as imagens de Santo André e São Francisco, e o altar das Almas. Todos estes altares têm Confrarias próprias com Mordomos que dão conta dos seus rendimentos e despesa ao Provedor da Comarca de Esgueira.
Na Vila de Arada há duas Ermidas: uma da Assumpção de Nossa Senhora que hoje possui Francisco Manuel Cabral de Moura Horta e Vilhena, com obrigação de duas missas quotidianas e com bens encapelados que renderão mais de seiscentos mil reis; outra de São Sebastião, que é Confraria.
Em Verdemilho há uma Ermida de N. Sr. da Conceição, que hoje possui o Rev.do Abade de São Mamede, Vítor de Figueiredo, outra de N. Sra. da Lomba, que é tradição aparecera ali em uma lomba de areia; e no mesmo altar São João e Santa Ana; é Confraria; outra no lugar do Bonsucesso com uma imagem de N. Sra. do mesmo título que é de Francisco Teixeira Pimentel e outra de N. Sra. da Oliveira que é do Dr. Luís António Rozado da Cunha, não sabemos que estas Ermidas tenham rendimento próprio.
O Pároco da Igreja de São Pedro de Aradas é cura, que apresentam os religiosos Agostinhos da Serra, terá de rendimento até sessenta mil reis.

(f.810-811)
Entre estes (homens insignes) se pode contar o Dor. Faustino de Bastos Monteiro, sujeito de uma vasta erudição, não somente no direito cesáreo que exercitava mas nas letras belas. Tinha uma memória fecundíssima e um frequente estudo continuado até idade de oitenta e seis anos que viveu. Se os nobres herdeiros desta Vila publicarem alguma composição que escreveu, se conhecerá que merece depois de morto a estimação de sábio que teve em vida.


Doc. 20

1803, Abril, 28 – Escritura de ajuste e obrigação aos pagamentos da obra da Capela de São Sebastião de Aradas a João de Pinho da cidade de Aveiro [102]

Saibão quantos este público instrumento de escritura de ajuste e obrigação ou como em direito melhor lugar haja a dizer se possa virem que sendo no Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e três aos vinte e oito dias do mês de Abril do dito ano nesta Vila de Aradas e casa do celeiro dela onde eu tabelião vim ali se achavam presentes Manuel Ferreira Labrador, Luís Gonçalves Neto, e Miguel Ferreira do Cabeço todos desta Vila e João de Pinho, mestre de alvenaria da cidade de Aveiro, este e aqueles os próprios reconhecidos de mim tabelião de que dou fé, e logo por aqueles foi dito perante mim e testemunhas deste instrumento de que outrossim dou fé que eles precisavam de reformada e feita de novo a Capela denominada de São Sebastião erecta nesta Vila e por isso se achavam ajustados e contratados com o dito João de Pinho a lhes fazer de novo na forma dos apontamentos seguintes: Em primeiro lugar se farão demolir as paredes velhas da dita Capela e no mesmo sítio em que se achava edificada e formada a velha se reedificará a nova Capela que há-de ter de largo vinte palmos e de comprido quarenta palmos, de pé direito desde a soleira da porta se contaram dezanove palmos até o assento do frichal; os alicerces serão em altura de dois palmos e de largo três até à superfície da soleira da porta principal e dai para cima em largura de dois palmos e meio, ficando o meio para a sapata; o portal da fronteira será de pedra de cantaria e de lancil esta pode ser da terra da feira, porem muito bem escorada e terá de largo sete palmos e de alto onze palmos, e terá o mesmo lancil donde se possa chumbar as portas as quais serão de madeira de castanho acinzadas com suas almofadas a cobrir e de couceiras, três dobradiças em cada porta, fecho pedreiro em baixo e em cima e sua fechadura boa que segure a mesma; a par desta levará duas janelas que estavam com o engradamento velho, com postigos por dentro com seus fechos e dobradiças, a mesma capela será armada de madeira de castanho, com seu guarda-pó de forro de pinho com ripas por cima e será forrada de terço de capa e camisa com seus painéis à proporção com sua moldura baixa nas cabeças, seu entabulamento para assentar uma cimalha porem de pequena grandeza; os frichaes serão de dois cada lado, de carvalho ou de lagumeiro, porem que tenham três quartos de grossura em quadro, uma linha de pau de castanho ou de lagumeiro para atracar a armação que tenha em quadro meio palmo porem que seja direita e muito bem aparelhada a qual levará uma chapas de ferro nas pontas para atracar o frichal e as mesma chapas terão de comprido pelo menos três palmos pregadas muito bem pela linha adiante; do ponto de fronteira se fará um campanário de pedra de cantaria que tenha dois palmos e meio de largo e de alto fora a volta quatro palmos advertindo que este deve ser feito com segurança para que não caia que deve ser chumbado, seus gatos de ferro na soleira e nas mais juntas para não cair; no direito dele, no meio levará um óculo à romana por fora e por dentro se faça janela a qual andará em caixilho para se fechar quando quiser com suas dobradiças também se assentará a campana de sorte que fique boa a tocar. Levará a mesma capela um côro que será de doze palmos de largo, com sua trave de carvalho de palmo e quarto de grossura para os barrotes assentar nela que serão estes de carvalho; soalho de pinho lavrado e de meio, forrado por baixo de chapa e camisa com grade e na trave levará para assentar a grade sua cimalha pequena para melhor ornato; os telhados serão feitos de cal abocados, guarnecidos de branco por dentro e por fora, seus cunhais, entabulamentos fingidos a pedra e a meia cana que descarrega o beiral também será fingida; será concertado o ladrilho velho aonde houver faltas; também se fará a um lado uma escada com seu corrimão de madeira para se subir para o coro forrada por baixo que se não vejam os degraus, assim também se fará um púlpito de madeira o qual levará dois cachorros de trave de cerne de carvalho para sobre eles assentar o lastro do mesmo púlpito que será guarnecido por fora dumas molduras e com suas escada à imitação da do coro e grade do mesmo, tudo de castanho à excepção dos cachorros que serão de carvalho; levará esta capela duas frestas com rasgo por dentro e por fora que façam de lume um palmo e de alto três; também se fará uma Capela-mor que recolherá para dentro dois palmos de cada lado e na altura o mesmo da Capela tudo feito da maneira que a Capela com um degrau de pedra no arco-cruzeiro que será fingido de pedra com suas bazas e capitéis e dois ao altar fora o supedâneo que pode ser de madeira; e pelo que respeita ao Altar e retábulo por ora só se fará o Altar de parede para se assentar o retábulo e na mesma forma com suas pirâmides de cal fingidas e cruzes de pedra; A Capela-mor terá de comprimento vinte palmos, com declaração porém que o Altar e retábulo de cal como fica dito será feito depois da referida obra e ajustado à parte; levará também uma pia de água benta podendo servir a que está e nesta forma se achavam ajustados e contratados com o dito João de Pinho a fazer e aprontar a dita obra com a faculdade de este se utilizar dos materiais da Capela antiga de sorte que a pedra de alvenaria que faltar poderão suprir adobes, porem assentes em cal duas partes de areia e uma de cal, e tudo feito com toda a segurança e preciso para semelhante obra pelo preço que ajustaram entre todos de cento e setenta e nove mil réis os quais pagarão em três pagamentos o primeiro de cem mil réis, o segundo de quarenta e o terceiro de trinta e nove mil réis, e todos pagos a ele Mestre Alvenaria dentro do tempo de seis meses que hão-de findar em Outubro do presente ano e dentro deste tempo será finda a dita obra uma vez que não faltem os respectivos pagamentos, a cuja solução obrigavam e hipotecavam seus bens em geral e em especial o melhor podendo ele dito mestre obrigar aqueles que melhor lhe parecer pois se obrigavam um por todos e todos por um com a condição porém que o último pagamento será feito depois de toda a obra concluída e de ser aprovada por dois louvados, homens peritos e sem suspeita nomeados um por parte deles outorgantes e outro por parte dele mestre que achando estar conforme os apontamentos retro ali será feito o último pagamento e não estando, ele dito mestre reformaria toda a falta que houver à sua custa; E logo pelos outorgado João de Pinho, mestre de alvenaria foi dito perante mim e mesmas testemunhas de que dou fé que ele aceitava esta escritura com todas as suas clausulas, condições e obrigações nela estipuladas e queria que a mesma tivesse força e vigor em juízo e fora dele, e confessava já ter recebido da mão deles outorgantes a quantia de quarenta e quatro mil e setecentos réis à conta do primeiro pagamento e recebendo o resto passaria recibo de todo; e porque uns e outrossim o disseram e outorgaram de tudo me requereram este instrumento que eu tabelião com o pessoa pública estipulante e aceitante lho estipulei e aceitei quanto posso em razão do meu oficio a que foram testemunhas presentes que ouviram ler esta antes de assinarem de mim reconhecidos de que dou fé; Tomé Marques da Rocha desta Vila e Luís Gonçalves Robalo do Coimbrão termo desta Vila que assinaram com os outorgantes e mestre e comigo António José das Neves tabelião que a escrevi e declaro que ele mestre disse e obrigava sua pessoa a eles presentes, e futuros a completar a dita obra na forma exposta e já declarada, sobredito o declarei e assinei. Ass.

Doc. 21

1804, Junho, 9 – Autos de licença de bênção da Igreja de São Sebastião do lugar de Aradas [103]

Diz o Juiz da Villa de Aradas, Miguel Ferreira, Manuel Ferreira Labrador e Luís Gonçalves Neto e mais moradores da mesma Villa que mandando reedificar a Capela de São Sebastião à sua custa e despesa, para nela se dizer Missa aos Domingos e dias Santos como sempre foi costume a dita Capela se acha concluída; porem como nela se não pode celebrar o sacrifício da missa sem que primeiro seja benzida, pede a V. Exª seja servido dar comissão ou licença a qualquer sacerdote para o dito fim.

Auto de revista:
Fui primeira e segunda vez ver a Capela que neste requerimento retro se faz menção achei que a dita capela foi toda ou quase toda feita de novo, principalmente a Capela-mor porque a não havia e está de todo feita de novo. Está a capela decente à excepção do retábulo que é o mesmo que havia, pouco decente mas que pode remediar. As duas frestas na Capela-mor precisam de vidros; o Altar que foi feito de novo está por pintar assim como a banqueta; Lembrei aos suplicantes que a mandassem pintar ou aliás enquanto o não faziam lhes emprestaria um frontal da Igreja de várias cores; não aceitaram os suplicantes dizendo que o pensavam pintar com brevidade o dito Altar, banqueta e a aprontar um frontal branco que lhe faltava, amito, casula, estola, manipulo roxo, toalhas do Altar que as que havia não servem por ser o dito altar acrescentado; ofereci-me para lhes limpar o cálice para o que disseram que mo mandavam à Igreja; achei uma casula, manípulo e estola encarnados de damasco quase novo que são da Capela e também uma alva e cordão da mesma Capela em bom uso.
Aradas, 11 de Maio de 1804.
De V. Exª súbdito mais respeitoso, Caetano José Ferreira.

Fiz vistoria na Capela de que trata o requerimento retro e despacho de V. Exª e achei-a forrada pelo tecto, caiada por dentro e por fora, o Altar é de madeira e por dentro está pintado de branco, vermelho e roxo e a banqueta azul; as imagens são as que havia na Capela antes dela cair a saber São Sebastião, São Pedro Converso e um Santo Cristo que foram encarnados de novo e por isso não sei mais, sendo informado que a dita imagem de Cristo não é das mais polidas mas poderá passar; além destas tem uma Imagem de Nossa Senhora mulher sofrível e outra mais pequena de São Sebastião. Além dos paramentos que a Capela tinha suas e que já mencionei na informação retro compraram os suplicantes vários paramentos quase novos a saber: uma boa casula de damasco roxo com sebastos verdes, estola e manipulo do mesmo, alva e amito, corporais e sanguíneos, encontrando-se paramentada a Capela com muita suficiência à excepção de uma bolsa de corporais roxa que é mais fraca mas poderá passar a meu ver visto os suplicantes terem feito grande despesa durante estes annos e prometem e estam de animo segundo afirmam de continuar no asseio da mesma Capela mandando-lhe fazer nova tribuna ou retábulo e urna nova e o mais necessário, tem galhetas e missal com santos novos e já aprontaram os vidros lembrados na informação retro e finalmente a meu ver parece que a Capela se pode mandar benzer o que tudo afirmo inverbo sacerdotis porem V. Exª mandará o que lhe parecer mais justo.
Aradas, 9 de Junho de 1804.
De V. Exª súbdito mais respeitoso, Caetano José Ferreira.


Doc. 22

1816, Setembro, 3 – Escritura de Obrigação para instituição da Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso.

Saibam quantos este público instrumento de escritura de obrigação virem, ou como em direito melhor lugar haja e dizer se possa virem que sendo no Anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e dezasseis annos aos três dias do mês de Setembro do dito anno neste lugar do Bonsucesso, termo da Vila de Ílhavo aonde eu tabelião vim, ali e nas moradas de António Gonçalves Andril, aonde se achavam o dito António Gonçalves Andril e sua mulher Luísa dos Santos, António José Pedro e sua mulher Antónia da Rocha, Manuel Pedro viúvo, João Gonçalves Andril e sua mulher Josefa Maria de Jesus, Manuel Simões Ratola e sua mulher Maria Gomes, José Gonçalves Serradeiro solteiro suijuris, Luís Pedro e sua mulher Maria de Jesus, Manuel Francisco Parocho e sua mulher Maria ferreira da Conceição, Manuel Gonçalves da Serradeira e sua mulher Joana Nunes, José Nunes Coelho e sua mulher Antónia Maria de Jesus, José Francisco poupa e sua mulher Felícia Maria de Jesus, todos deste lugar do Bonsucesso e dito termo reconhecidos de mim Tabelião e das testemunhas ao diante nomeadas e no fim assinadas que dou minha fé e por todos elles na minha presença e das mesmas testemunhas que dou fé foi dito que tendo alcançado do Excellentíssimo Bispo da Diocese e Bispado d cidade de Aveiro licença para erigirem neste mesmo lugar do Bonsucesso uma Capela intitulada Nossa Senhora do Bonsucesso para nela se celebrar o santo sacrifício da Missa para os fieis e povo deste mesmo lugar e com efeito achando-se já a mesma Capela em circunstancias de ser aprovada pelo ordinário por se achar finda, por isso e para se sustentar decentemente a mesma Capela e seus ornamentos a fim de andar sempre e sem falência alguma tudo bem melhorado e preparado como é devido e prometido aos lugares sagrados e nela, com a mesma decência se poder celebrar o santo sacrifício da Missa em honra e louvor de Nosso Senhor Jesus Christo e dos Santos da Corte Celestial; se obrigam todos por suas pessoas e hipotecam todos os seus bens tanto móveis como de raiz presentes e futuros em geral, e em particular o mais bem parado deles sem que a geral hipoteca derrogue a especial, nem esta aquela e ainda por seus sucessores que lhe hajam de suceder, assim como um por todos e todos por um a trazerem sempre bem melhorada e sustentarem decentemente a mencionada Capela intitulada Nossa Senhora do Bonsucesso erecta neste mesmo lugar para o fim retro declarado; para o que disseram mais que devendo de serem obrigados ou demandados a melhorarem a mesma Capela o que viam ser pelo juízo competente a este fim pois que a ele se sujeitavam e renunciavam todas as leis, privilégios, liberdades e isenções que a seus favores façam ou possam vir a fazer; para onde se desaforavam do Juízo de seu foro, terra, juz e domicilio; que de nada queriam usar, nem gozar senão esta em tudo cumprir em Juízo e fora delle; e de como todos os outorgantes homens e suas mulheres assim o disseram, quiseram, outorgaram, estipularam e aceitaram dou minha fé e me requereram este instrumento nesta minha nota que como pessoa pública estipulante e aceitante aqui lhe tomei e aceitei tanto quanto em direito devo e posso em razão de meu ofício a que foram testemunhas presentes e de mim reconhecidos que dou fé; Manuel António Fradinho Sebastião dos Santos deste mesmo lugar que assinaram com os outorgantes homens de seus sinais que usam; e a rogo das outorgantes mulheres por elas não saberem ler nem escrever assinou João Gonçalves Santiago carpinteiro da cidade de Aveiro reconhecido por mim que dou fé; depois deste ser lido por mim Manuel Ferreira da Cunha e Sousa, tabelião que a escrevi e assinei. Ass.


Doc. 23

1816, Setembro, 10 – Auto de revista da Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso [104]

Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e dezasseis aos dez dias do mes de Setembro do dito anno neste lugar do Bonsucesso da freguesia de São Pedro das Aradas deste Bispado e nova Capela erecta com a invocação de Nossa Senhora do Bonsucesso aonde eu escrivão vim com o Reverendo Manuel da Silva Campos Juiz Comissário desta diligencia para efeito da revista da dita nova Capela em virtude da Comissão do muito Reverendo Senhor Doutor José Pedro Santiago Provisor deste Bispado e aí procedemos a ver e examinar todo o conteúdo na Comissão retro e achamos o seguinte:
Que no centro do lugar do Bonsucesso em um largo suficiente há a dita nova Capela decentemente fabricada de pedra e cal, que tem de comprido o corpo da Capela trinta e seis palmos, de largo dezanove palmos, de altura dezasseis palmos; tem a Capela-mor dentro do arco cruzeiro e com bastante área, quinze palmos em quadro, a qual Capela toda é sobejamente suficiente para acomodar o povo todo do dito lugar sem que lhe seja preciso que pessoa alguma assista ao santo sacrifício da missa fora da dita Capela e se acha situada e construída com a porta principal para a parte do norte com inclinação do poente com duas frestas ou postigos com grades de ferro e frontispício com campanário; e declaro que as ombreiras da porta principal e soleira e postigos são de pedra de Ançã; tem mais uma porta travessa para a parte do poente com declive para o sul e ao entrar da Capela uma pia para a água benta e outra à porta travessa de pedra de Ançã e decentes; está forrada em figura de guarda pó, mas lavrada e bem vedada; e do arco cruzeiro para dentro está a Capela-mor, como já disse de quinze palmos em quadro, a qual tem um altar muito suficiente tendo de comprido dez palmos, de largo dois e meio e de alto cinco, o qual é de madeira e frontal de madeira e a cobri-lo um de damasco branco com sebastos encarnados com galão e franja de ouro, com sua pedra de ara com relíquias e inteira; tem um retábulo que suposto é antigo e bastante decente porque tem colunas douradas e duas imagens de relevo, uma de São Joaquim e outra de Santa Ana, as quais são de vulto; no meio deste retábulo está uma urna moderna fingindo alabastro com guarnições de talha e ressaltos dourados dentro da qual urna está a venerada imagem de Nossa Senhora do Bonsucesso, de pedra jaspe, de vulto de cinco palmos e meio, bem lavrada com manto de cetim azul com uma coroa e resplendor do menino muito decentes; e a dita Capela-mor está muito bem forrada em figura como dizem de gamela e apainelada, tendo aos lados duas frestas ou seteiras que dão luz ao dito altar; e não há na dita Capela outro algum altar, mais do que este, o qual se acha com uma banqueta fingindo alabastro com talha de ressaltos dourados semelhantes à dita urna; tem um crucifixo e cruz para a celebração do santo sacrifício, dois castiçais de bronze e dois de estanho em bom uso; tem duas toalhas novas de pano de linho grandes, uma sem guarnição e outra com guarnição de talagarça; tem um bom missal, bem encadernado, que tem o caderno dos Santos Cónegos Regulares e dos Santos novos com sua estante de madeira; tem duas galhetas de vidro com prato de louça de barro branco vidrado, um manustérgio e uma campainha pequena; tem mais um cálice de prata com sua patena e colher, os quais são de prata dourados, o cálice e a patena por dentro; tem duas mesas de corporais singelos guarnecidos de renda fina e bem feita, com suas competentes palas que tudo è de pano de linho fino e em folha; tem quatro sanguíneos de pano de linho fino em folha; tem mais dois véus de cálice de tafetá um de cor branca e guarnecido em roda com fita encarnada e outro de cor roxa, tem mais duas bolsas de corporais de damasco de lã em bom uso em cujas faces uma é de cor branca e no verso encarnada, e a outra é de cor roxa e no reverso verde; tem mais duas vestimentas de sebastos branco e encarnado uma e outra toda roxa as quais são de damasco de lã guarnecidas com galão de seda forradas de holandilha com suas competentes estolas e manípulos do mesmo as quais estão em meio uso e ainda decentes; tem mais uma alva de pano de linho com sua renda em muito bom uso, um cordão de linho branco e tem mais uma toalha para o lavatório de pano de linho. É quanto achamos na revista da dita Capela a que por virtude da comissão junta procedemos de que tudo fiz este auto que assinei como Reverendo Juiz Comissário. Joaquim José Pereira o escrevi. Manuel da Silva Campos.

Doc. 24

1816, Setembro, 12 – Resposta da Câmara Episcopal de Aveiro sobre a bênção Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso [105]

Na conformidade da revista faz-se necessário que os supp.es aprontem uma banqueta de castiçais decente, outra alva, outro amito, um véu de seda encarnada para o cálice e duas outras toalhas a saber, uma para o altar guarnecida e outra para o lavatório, como reg.r por que protesto antes que se dê licença para se benzer a Capela e se celebrar o augustíssimo sacrifício. Aveiro, 12 de Setembro de 1816.

Doc. 25

1830, Dezembro, 5 – Carta dirigida por Joaquim Senos, Pároco da Igreja de São Pedro de Aradas, ao provisor do bispado de Aveiro a informar da utilidade e dos inconvenientes das Capelas de São Sebastião de Aradas e São João de Verdemilho [106]

M.to R.do Senr. D.tor Provisor

Tendo de combinar a exactidão e clareza com o laconismo na informação que devo dar acerca da decência das Capelas de Verdemilho e Aradas, digo o seguinte.

Utilidades da Capela de Verdemilho (São João):
1º é retirada.
2º tem bom sítio para as competentes procissões.
3º tem sacrário estável mas muito ordinário.
4º tem púlpito de pedra
Inconvenientes:
1ºAmeaça ruína junto ao altar-mor da parte da epístola, porque a parede tem várias bixas
2º sobre o corporal cai terra
3º tem o púlpito á porta
4º é muito triste
5º é pouco limpa, porque não é soalhada
6º não tem sacristia para arrecadação dos móveis e utensílios eclesiásticos
7º tem mais outro inconveniente arbitrário muito notável, já praticado não obstante os meus frustrados clamores, a saber, João Pinto, naturalizado em Ílhavo, homem de ínfima plebe movido de um sórdido e ridículo interesse, costuma arrendar como suas as casas que foram de António Loureiro, muito próximas da Capela, para estada dos animais do lugar, aonde fazem uma música odiosa, não falando nas ideias detestáveis que afrontam a inocência  e mocidade de ambos os sexos.

Utilidades da Capela de Aradas (São Sebastião):
1º Vendo com muito pouca dúvida, o mesmo âmbito
2º está mais limpa; porque está soalhada de novo
3º tem côro
4º tem melhor púlpito
5º promete-se arranjar o sacrário e frontal e fazer com brevidade um guarda-vento de madeira.
Inconvenientes:
1º Não tem sacristia
2º não tem sítio idóneo para procissões
3º tem má localização, absoluta e relativa,  por estar patente aos incómodos de uma estrada pública: esta porque para ir o sacro viático ao Bonsucesso, não passava no Buragal e necessário ir ao Coimbrão, e atravessar os pinhais para ir ao fundo do dito lugar e dai voltar à casa da direcção ou morada do enfermo.
4º para ir a Verdemilho o caminho do Sacovão é invadiável, ou se tem que ir á vila, ou se há-de pedir licença ao Morgado, para entrar pela Quinta ou é impraticável; o mesmo acontece, indo de Verdemilho para as Aradas.

Estes obstáculos que acabo de denunciar, nem são os mais notáveis nem os mais lamentáveis, outros de maior consideração, parte monstruosos de cabeças orgulhosas frutos abortivos da soberba por não dizer da impiedade e da incredulidade, se oferecem a constituir-me quase consternado no meio de um dilema perigoso e terrível de ambos os lados, de maneira que tot capita, quot sententio, se for o Senr. para Aradas, vamos para Ílhavo. Sustentem eles o pároco, sustentem o Santíssimo, agrava-se, dizem outros, façam os Frades a Igreja, eu não dou nem cinco rs se for para Verdemilho. Á vista do que não mudo o Santíssimo sem ordem expressa com declaração do lugar e dia e guardando inteira obediência, tenho satisfeito.
Lembrado de que somos ministros da paz e a prudência é a arma mais forte para debelar ou conquistar o orgulho e que quanto mais gravemente se acha enfermo o doente, tanto mais caritativo deve ser o médico, enquanto se não vê na dura necessidade de decidir à entre a vida e a morte. Decência por decência, tal qual pode apresentar a pobreza da Freguesia prefere a actual residência do Santíssimo, obviando-se danoso possível á maior ruína de modo se possa andar sem risco para a Capela-mor visto estar ilesa, e tapando-se com decência e segurança o arco cruzeiro, pois sempre se tem de entrar porque a Pia se não pode mudar. Deste modo cessam-se os dictérios e deita-se por assim dizer água na fervura dos espíritos revoltosos, afrouxam os partidos, porque em corações quase gelados em matérias religiosas, caindo novo gelo, extinguem-se os quase indivisíveis restos de virtude, com escândalo das pessoas tementes a Deus: de novo se aumenta a imoralidade, aos inocentes talvez irremediável; ou pelo menos de consequências muito funestas. Quando não tema algum ataque directo; algum sisma formal: pelo menos politico, ou moral, e um total abandono da casa do Senr. e dos deveres religiosos na maioria da Freguesia é muito provável.
Entretanto, para se reconhecer na prática o zelo e a realidade da devoção entre os competidores, promete-se para o futuro a preferência aos que maior desvelo mostrarem no bom arranjo para o mais digno dos Hóspedes (sem deixar de ser Senhor) quando se tratar dos reparos a seu tempo. Ultimamente como esta porção do rebanho é notavelmente manca, nem obrigada vem á Igreja; e esta Igreja, além da inabilidade actual, é perigosa na sua frequência, podem fazer-se por algum tempo as funções paroquiais e sagradas nas duas Capelas da competência, com alternativa rigorosa, se a de Verdemilho não cair, sem exemplo e se posse para o futuro: a fim de extinguir a Igreja: não se escandalizando os das mais remotas. Visto que a necessidade é manifesta, e todos sabem dizer que necessidade não tem lei, fiquem por virtude dessa necessidade, bem conhecida, prestando também conhecidos sinais de obediência a quem se deve, e com exemplar humildade a devida honra ao Rei Imortal dos séculos, a quem de rigor é devida, não só durante esta vida caduca e transitória, mas por todos os séculos dos séculos. Eis aqui quanto em compendies se me oferece a dizer em virtude da obediência, com que tanto se honra, e que é servo inútil.
Residência das Aradas, 5 de Dezembro de 1830. Ass. Joaquim Senos


Doc. 26

1833 – Foros de propriedades do Convento da Madre de Deus de Sá de Aveiro existentes em Aradas [107]

Cardosa, Bonsucesso – fôro das religiosas do Convento de Sá de Aveiro no sítio da Cardoza ou Bonsucesso a José dos Santos Branco em 1817.

Aradas – foro numa leira de terra nas Quintas de Arada, a Manuel Francisco da Ana e sua mulher Rosa de Jesus paga cada ano pelo São Miguel dois alqueires de milho por escritura de 22 de Abril de 1828 nas notas de José Bernardo Tavares. Em 1874 paga Manuel dos Santos Madaíl. F. 3

Aradas – Foro imposto numa horta casas e quintal fora das portas chamadas de Vagos. O originário foreiro foi Francisco António Camelo Falcão, e depois de 1813 António Simões Amaro. F. 3v

Buragal – foro imposto em uma azenha no sítio do Buragal em que paga o Pe. João dos Santos da Cruz pelo São Miguel de cada ano 65 alqueires de milho e uma arroba de carne de porco. Paga desde 1840 Júlia Maria de Jesus. F. 4v

Bonsucesso – foro numa terra que ficou de partilhas da religiosa D. Teresa Angélica e paga Antónia Maria da Rocha 4 alqueires de milho. F. 5

Alqueves, Quinta do Picado – terra que chamam os Alqueves um foro imposto de 2 alqueires de trigo que teve por foreiro originário André dos Santos, por escritura e agora paga António dos Santos da Capela do mesmo lugar. F. 32

Chão do Velho, Quinta do Picado – foro em duas terras que uma onde chamam o chão do Velho, no Cabeço, e outra no chão da Quinta que paga Manuel Francisco Neto de 6 alqueires de trigo. F. 33

Azenha nas Teceloas, Verdemilho – foro em que João Gonçalves Saltão paga 17 alqueires de milho, 1 alqueire de feijão branco e uma galinha anualmente por foro imposto numa Azenha nas Teceloas. F. 50.

Chousa Velha, Verdemilho – foro em que Manuel João do Ascenço de Verdemilho paga 12 alqueires de trigo foro imposto numa terra sita na Chousa Velha de Verdemilho e que tinha como originário foreiro Fernando Nunes de Oliveira, Ermitão das Areias. F. 51

Oliveira da Quinta e Agra de São Bartolomeu – foros em que António Simões de Pinho de Verdemilho paga 5 alqueires de trigo e uma galinha imposto em duas terras, uma onde chamam a Oliveira da Quinta outra na Agra de São Bartolomeu desde 1835. Paga em 1850 Manuel Baptista de Verdemilho por ter comprado a dita Agra. Compra do mesmo por António Nunes Pericão de Verdemilho e sua mulher Angélica Nunes de Oliveira em 1874. f. 52.

Doc. 27

1837, Julho, 4 – Requerimento de licença de bênção da Capela de São Tomé de Verdemilho [108]

Diz Filipe da Cruz Paio do lugar de Verdemilho Freguesia de São Pedro das Aradas deste Bispado que ele mandou construir à sua custa, em terreno seu e próprio, e junto das casas de sua habitação no dito lugar, uma Capela com a invocação de São Tomé a qual se acha acabada e decentemente ornada, sem que lhe falte coisa alguma para nela se poderem celebrar actos do culto Divino; o que o sup.e assim praticou, não só pela devoção que tem com o dito Santo, mas também por ver, que achando-se, como se acha doente e em idade muito avançada, ela pode mais facilmente satisfazer o preceito da Missa do que tendo de ir procura-la a Capela, ou Igreja fora, em cujo caso deixa muitas vezes de ouvi-la, que não deixaria se a tivesse naquela sua Capela. Pelo que recorre a V. Ex.cia para que se digne manda-la inspeccionar pelo Rev. Pároco da dita Freguesia, ou por quem melhor for da sua vontade; e constando-lhe por informação dele achar-se decente, conceder licença para ser benzida e para depois se celebrar nela o santo sacrifício da Missa e mesmo para nela poder pregar qualquer eclesiástico para isso aprovado, quando o sup.e por sua devoção ali quiser mandar fazer alguma festividade, dedicada aquele, ou a outro algum Santo ou Santa; ficando a referida Capela independente do Rev. Pároco da mesma freguesia, visto ser uma ermida particular, colocada em terreno particular, e feita à custa do particular, em que nada tem o Povo e em que por isso nenhuma ingerência deve ter o Pároco. Pede a V. Ex.cia se digne havê-lo assim por bem, deferindo-lhe como suplica.


Doc. 28

1866, Janeiro, 5 – Sentença dos autos de proibição de recebimento de esmolas de missas na capela de São Tomé do lugar de Verdemilho, requerido pelo Reverendo Manuel José Ferreira do Amaral, vigário de Aradas, a António João da Rosa de Verdemilho, que possui a capela junto à sua casa de habitação [109]

O requerido António João da Rosa, mandado ouvir sobre o requerimento retro ficou em silêncio; o que seria talvez bastante para ser tida como verdadeira a arguição que ali lhe é feita pelo Rev. Pároco da sua Freguesia; e tanto mais quando pelas testemunhas inquiridas se mostra ser ella com efeito verdadeira; e por conseguinte nenhuma dúvida há de que o supracitado tem recebido na sua Capela de São Tomé as esmolas que tem dado os devotos, que ali tem concorrido, entrando também as destinadas para missas, quando para receber estas esmolas para missas é só competente o Rev. Pároco. E por tanto certo, que em execução do que dispõe as respectivas Constituições, e circular de 8 de Agosto de 1803, tem de se julgar procedente a requisição feita no dito requerimento, e em consequência ser o supracitado intimado para não receber as esmolas que os fiéis derem para missas, debaixo das penas cominadas nas Constituições citadas no dito requerimento. O que não deixará de assim parecer ao Ilu.mo Sr. Dr. Vigário Geral.
O Promotor, Joaquim Timóteo de Sousa da Silveira.
E nos cinco de Janeiro de mil oitocentos e sessenta e seis anos foram dados estes autos com resposta supra. Eu José pereira de Carvalho o escrevi.

Doc. 29

1911, Agosto, 21 – Auto de entrega dos bens da Paroquiais à Junta de Freguesia de São Pedro de Aradas [110]

Ano de mil novecentos e onze, aos vinte e um dias do mês de Agosto, nesta freguesia d’ Aradas, concelho d’ Aveiro, estando presentes os cidadãos João Augusto Mendonça Barreto, delegado do Administrador do mesmo concelho, Alfredo Nunes da Silva, aspirante de finanças, delegado do secretário de Finanças do dito concelho e João de Oliveira Gamelas, presidente da junta de paróquia da referida freguesia, todos constituídos em comissão para proceder ao arrolamento e inventário a que se refere a Lei da Separação, por eles foram arrolados os bens que constam da relação junta. E para constar se lavrou esta acta que vai assinada por todos depois de lida por mim Alfredo Nunes da Silva, secretário que a escrevi. Ass


Doc. 30

1936, Abril, 23 – Auto de entrega dos bens da Paroquiais à Junta de Freguesia de São Pedro de Aradas [111]

Ano de mil novecentos trinta e seis aos vinte e três de Abril, nesta cidade de Aveiro e Secretaria do Comando da Policia de segurança Publica deste Distrito, onde se achavam presentes os Excelentíssimos senhores, Comandante e administrador do Concelho, na qualidade de Presidente da Comissão de Inventário Concelhia, Arnaldo da Conceição de Quina Domingues, Capitão de Infantaria, e Júlio Rodrigues Vieira, terceiro oficial do Quadro da Direcção Geral de Contribuições e Impostos, servindo de Chefe da Repartição de Finanças deste mesmo Concelho, na qualidade de secretário da referida Comissão, comigo Joaquim de Castro Carreira, secretário do dito Comando, afim de ser feita, em face da resolução nº 7883, de trinta e um de Março findo, tomada a Comissão Jurisdicional dos Bens Cultuais, que reconheceu à Comissão Administrativa da Junta da freguesia de Aradas deste mesmo Concelho a posse e propriedade dos bens pela mesma Comissão reclamados, a entrega dos referidos bens; e achando-se também presente a actual Comissão Administrativa da referida Junta, composta dos cidadãos José dos Santos Capela, João Maria Simões de Oliveira e José Maria Resende de Bastos, logo se procedeu à entrega dos bens constantes da relação que acompanhou o oficio daquela dita Comissão Jurisdicional nº16211, livro 15º, a folhas 244, 1ª secção de treze de Abril corrente, dirigido ao referido Comandante e administrador do Concelho, os quais são os seguintes:
O Passal com terreno lavradio, mato e terra inculta, sito na Ponte de São Pedro, a confrontar com a Quinta da Boa Vista e caminhos públicos
Um baldio sito no Bonsucesso, denominado”Rego de Canas”
Um baldio sito no Carregueiro limite da Quinta do Picado
Um baldio sito no Bonsucesso denominado o “Poço dos Adobeiros”
Diversos bocados de terreno, nos caminhos que vão da Pedra Moura à Costa do Valado
Um bocado de terreno, no Coimbrão, entre a Arada e Quinta do Picado
Um bocado de terreno nos Valinhos em Arada
Um bocado de terreno no Coimbrão ao norte da estrada
Uns bocados de terreno na Cabreira, limite de Aradas
Um bocado de terreno no Vale de Aradas
Um bocado de terreno anexo à Igreja pelo norte, incluindo um outro bocado de terreno que fica pelo norte deste e com a estrada
Foros:


Doc. 31

1939, Julho, 29 – Auto de entrega dos bens imóveis e móveis à Corporação encarregada do Culto Católico da Freguesia de São Pedro de Aradas [112]

Aos vinte e nove dias do mês de Julho do ano de mil novecentos e trinta e nove, nesta freguesia de aradas e no lugar do Outeirinho, onde se encontra a Igreja Paroquial da mesma freguesia, dentro da mesma Igreja, aqui compareceram os Excelentíssimos Senhores Doutor Lourenço Simões Peixinho, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal deste Concelho, José dos Santos Capela, na qualidade de Presidente da Junta desta Freguesia, e o Reverendo Daniel Correia Rama, Pároco desta freguesia, na qualidade de representante da corporação encarregada do culto católico desta mesmo freguesia, comigo Cipriano António Ferreira Neto, chefe da secretaria da referida Câmara. E logo pelo Senhor Presidente foi dito que vinha a este lugar em cumprimento da Portaria de vinte e nove de Abril do corrente ano, do Ministério da Justiça, para fazer entrega, em uso e administração, à corporação encarregada do culto católico desta freguesia, da Igreja Paroquial, com suas dependências, e as Capelas de São João de Verdemilho, de Nossa Senhora do Bonsucesso, de Nossa Senhora da Conceição da Quinta do Picado e de São Sebastião de Aradas, com as respectivas imagens, paramentos e alfaias. E assim, por este acto, faz entrega à referida corporação na pessoa do seu representante, o senhor Prior Daniel Correia Rama, desta Igreja com as seguintes imagens, alfaias e paramentos:
1.                  Uma cruz grande com crucifixo e seis campainhas e haste em prata
2.                  Uma cruz de metal branco coberta a prata com crucifixo
3.                  Duas ditas de metal amarelo com crucifixos
4.                  Uma âmbula de estanho
5.                  Uma caldeirinha de metal amarelo
6.                  Uma campainha pequena
7.                  Uma custódia de prata
8.                  Um vaso de prata dourada
9.                  Um dito de madeira
10.              Dois cálices de prata com colheres e patenas
11.              Uma chave de prata do Sacrário
12.              Duas credências com respectivas toalhas
13.              Uma estante volante
14.              Seis sacras encaixilhadas
15.              Três bancos cobertos de couro
16.              Uma cadeira Paroquial com assento e espaldar de couro
17.              Três lâmpadas de metal amarelo
18.              Duas tocheiras grandes pintadas a branco com douramentos
19.              Dez bancos de madeira pintados
20.              Uma imagem da Senhora do Rosário
21.              Uma dita de Santa Luzia
22.              Uma dita de São Francisco
23.              Uma dita de São Romão
24.              Uma dita do Espírito Santo
25.              Uma dita do Senhor Jesus
26.              Uma dita de São Pedro
27.              Uma dita grande de Nossa Senhora do Rosário com coroa de prata
28.              Uma dita de Santo Agostinho
29.              Um painel das Almas
30.              Quatro confessionários
31.              Uma cómoda grande com nove gavetas
32.              Um armário
33.              Dois candelabros de metal amarelo
34.              Um sino grande
35.              Um dito mais pequeno
36.              Um dito ainda mais pequeno
37.              Três opas (branca, vermelha e verde)
38.              Um paramento de damasco branco e amarelo
39.              Um dito roxo
40.              Um dito vermelho composto só de casula, dálmatica, estola e manípulos
41.              Duas casulas e uma dálmatica de damasco verde
42.              Quatro ditas de damasco branco
43.              Uma dita branco e vermelho
44.              Um pano branco do púlpito e outro roxo
45.              Um frontal de damasco branco
46.              Cinco bolsas de corporal
47.              Um palio de damasco branco com seis varas e outros acessórios
48.              Sete alvas com cordões e amitos
49.              Doze toalhas de altar
50.              Três missais
51.              Seis lanternas com respectivas hastes
52.              Um turíbulo de prata com naveta e colher
53.              Um turíbulo de metal amarelo com naveta e colher
54.              Um almofariz completo de metal
55.              Uma umbela
56.              Um espelho grande
57.              Uma mesa de pinho
58.              Uma estante de missal
59.              Uma estola paroquial roxa e branca
60.              Uma cruz de madeira com manga preta
61.              Um paramento preto completo
62.              Uma estola preta
63.              Duas mangas brancas da Cruz da fabrica
64.              Uma cruz de prata com crucifixo (chamada do Senhor) com manga vermelha
65.              Uma almofada de seda branca
66.              Uma cruz e haste de metal branco
67.              Dois missais
68.              Uma tribuna com respectivo altar pintado a branco
69.              Uma banqueta de seis castiçais e respectivo crucifixo dourados
70.              Quatro altares laterais
71.              Uma pia baptismal de pedra
72.              Quatro banquetas dos respectivos altares laterais
73.              Um mocho pintado de verde
74.              Um relógio na torre sineira
A Igreja Paroquial com suas dependências (duas sacristias e torre) e adro com árvores contíguo. E como não houvesse mais nada a inventariar, passou-se à capela de São João, conferindo o Senhor Presidente posse desta à mesma corporação na pessoa do seu representante, e as imagens, alfaias e paramentos em seguida descriminados:
75.              Um altar da capela-mor
76.              Um sacrário pintado de azul e ouro
77.              Uma banqueta de seis castiçais e respectivo crucifixo
78.              Várias toalhas de altar
79.              Uma lâmpada de metal amarelo
80.              Dois altares laterais
81.            Uma banqueta de quatro castiçais
82.              Uma imagem de São João com resplendor em prata
83.              Uma dita da Senhora da Lomba com coroa de prata
84.              Uma dita de Santa Ana
85.              Uma dita de São Romão
86.              Uma dita do menino Jesus
87.              Uma banqueta de quatro castiçais de estanho
88.              Um altar mais pequeno
89.              Uma imagem grande de São João
90.              Um confessionário
91.              Quatro bancos de pinho
92.              Diversos vasos
93.              Um andor
94.              Uma cómoda com três gavetas
95.              Um crucifixo de estanho
96.              Quatro alvas
97.              Seis casulas
98.              Seis véus, bolsas de corporais pertencentes aos respectivos paramentos
99.              Oito corporais
100.          Catorze sanguíneos
101.          Quatro palas redondas
102.          Um escabelo
103.          Dois cabides
104.          Um par de galhetas de louça
105.          Dois missais e estante apropriada
106.          Um cálice de prata e respectiva colher, patena e saca
107.          Uma sineta grande
Um terreno anexo à Capela. E nada mais havendo a inventariar, todos nos dirigimos à Capela de Nossa Senhora do Bonsucesso, e uma vez nesta o senhor Presidente faz a sua entrega à corporação encarregada do culto desta freguesia na pessoa do seu representante, o pároco Daniel Correia Rama, bem como das imagens, alfaias e paramentos pertença desta Capela e em seguida descritos:
108.          Um altar de talha dourada
109.          Uma banqueta de quatro castiçais de madeira e crucifixo
110.          Três sacras
111.          Uma mesa pequena de pinho
112.          Quatro bancos pintados de verde
113.          Duas lâmpadas de metal amarelo
114.          Uma imagem de Santo António
115.          Duas banquetas de quatro castiçais de madeira e crucifixo
116.          Uma imagem de Nossa Senhora do Bonsucesso com manto branco
117.          Um quadro do Coração de Jesus
118.          Três tolhas de altar
119.          Diversos ordinários
120.          Um quadro do Coração de Maria
121.          Um confessionário
122.          Uma cadeira de cerejeira
123.          Um paramento branco
124.          Um dito preto
125.          Um crucifixo de madeira
126.          Uma cómoda com quatro gavetas
127.          Treze toalhas de altar
128.          Uma sineta
129.          Duas toalhas de mão
130.          Um cálice de metal prateado
131.          Um missal e respectiva estante
132.          Dois pequenos escabelos de pinho
E como não houvesse mais nada a inventariar nos dirigimos à Capela de Nossa Senhora da Conceição da Quinta do Picado fazendo entrega dos referidos:
133.          Um altar pintado de amarelo e branco
134.          Uma banqueta de castiçais e respectivo crucifixo de madeira
135.          Uma toalha de altar e pano vermelho
136.          Uma imagem de São Benedito
137.          Uma dita de São Brás
138.          Uma mesa pequena
139.          Dois altares laterais pintados de branco e amarelo
140.          Uma imagem de Nossa Senhora do Livramento
141.          Coroa de prata da Senhora do Livramento
142.          Resplendor em prata do Menino Jesus
143.          Uma banqueta de quatro castiçais e respectivo crucifixo
144.          Uns brincos de ouro da Senhora do Livramento
145.          Uma imagem de Nossa Senhora da Conceição com manto azul
146.          Um vestido de cetim branco e manto azul da Senhora do Livramento
147.          Uma banqueta de quatro castiçais de madeira e respectivo crucifixo
148.        Uma coroa de prata da Senhora da Conceição
149.        Um altar pequeno de pedra
150.        Uma imagem de São José
151.         Dois castiçais e respectivo crucifixo de madeira
152.          Três toalhas de altar
153.          Uma lâmpada de metal amarelo
154.          Dois castiçais de metal amarelo
155.          Diversos vasos ordinários
156.          Quatro bancos de pinho
157.          Um confessionário
158.          Uma cómoda de seis gavetas
159.          Um missal
160.          Um paramento branco
161.          Um dito vermelho
162.          Um dito roxo
163.          Duas sinetas
164.          Um cálice niquelado
165.          Um crucifixo ordinário
166.          Quatro toalhas de altar
167.          Quatro toalhas douradas
168.          Um par de brincos de ouro grandes de Nossa Senhora da Conceição
169.          Duas lâmpadas de metal amarelo
Nada mais havendo a inventariar nesta Capela nos dirigimos à Capela de São Sebastião, em Aradas, tendo feito entrega dos em seguida discriminados:
170.          Um altar
171.          Uma banqueta de seis castiçais de madeira e respectivo crucifixo
172.          Uma imagem de São Pedro
173.          Uma dita de São Paulo
174.          Uma toalha de altar
175.          Dois altares pequenos laterais
176.          Uma imagem de São Sebastião
177.          Uma dita mais pequena
178.          Uma dita da Senhora da Saúde
179.          Dois brincos e um fio de contas em ouro da mesma imagem
180.         Duas toalhas pequenas de altar
181.          Duas ditas douradas
182.          Um confessionário
183.          Uma cómoda com três gavetas
184.          Um cálice de metal niquelado
185.          Dois bancos de pinho
186.          Dois missais
187.          Um paramento branco
188.          Um dito vermelho
189.          Um dito preto
190.          Um crucifixo de madeira
191.          Uma sineta
E nada mais havendo a entregar, deu o Senhor Presidente este trabalho por findo com a declaração prévia do representante da corporação encarregada do culto católico de que a referida corporação se responsabiliza pelas despesas anuais com a guarda, conservação e reparação dos bens que acaba de receber. Do que para constar se lavrou o presente auto que vai ser assinado pelos ditos e testemunhas presentes, Manuel dos Santos Madaíl, casado, lavrador, regedor desta freguesia, e José Martins Arroja, solteiro, maior, aspirante da secretaria da Câmara Municipal de Aveiro, depois de, em voz alta, lhes ser lido por mim. Ass.

Doc. 32

2008, Agosto, 27 – Inventário do Fundo documental da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento e Imaculada Conceição da Quinta do Picado, 1908-1975 [113]


1.             “Livro das Actas das Sessões da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento e Imaculada Conceição da Quinta do Picado” – 1908 até 1939
Livro manuscrito não encadernado em cartão e pele; 32,5x23,7 cm. Inicia actas em 21 de Dezembro de 1908 e termina em 4 de Fevereiro de 1940.

2.      “Livro das Actas das Sessões da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento e Imaculada Conceição da Quinta do Picado” -1941
Livro manuscrito não encadernado em cartão e pele; 32,3x23 cm; nº5. Inicia actas em 9 de Fevereiro de 1941 e termina em 1 de Junho de 1970.

3.      “Livro de Rol de Irmãos da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento da Quinta do Picado” -1924 até 1940
Livro manuscrito encadernado em cartão e pele; 32,3x23 cm; 298 folhas

4.      “Livro de Rol de Irmãos da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento da Quinta do Picado” -1941 até 1955
Livro manuscrito encadernado em cartão e pele; 32,5x23cm; 199 folhas

5.      “Livro de Rol de Irmãos da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento da Quinta do Picado” -1956 até 1974
Livro manuscrito encadernado em cartão e tecido; 32,5x23,2 cm; 115 folhas; nº1

6.      “Livro de Pagamento de cota Anual dos Irmãos da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento da Quinta do Picado” -1956 até 1966
Livro manuscrito encadernado em cartão; 32,6x22,8 cm; nº2

7.      “Livro de Pagamento de cota Anual dos Irmãos da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento da Quinta do Picado” -1967 até 1969
Livro manuscrito encadernado em cartão; 44,5x31 cm

8.      “Livro de Rol dos mordomos e ano em que serviram da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento da Quinta do Picado” -1940 até 1952
Livro manuscrito encadernado em cartão e pele; 33,7x23,5 cm; 115 folhas; nº1

9.      “Estatutos da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento e Imaculada Conceição da Freguesia de São Pedro de aradas com sede na Capela do lugar da Quinta do Picado” -15 de Agosto de 1943
Manuscrito não encadernado;30,6x20,5; 16 folhas

10.  “Livro de Receita e Despesa da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento e Imaculada Conceição da Quinta do Picado” -1921 até 1940
Livro manuscrito encadernado em tecido verde e pele; 32,7x22,5 cm; 298 folhas. Inicia receita e despesa em 8 de Dezembro de 1921 e termina em 1940.

11.  “Livro de Receita e Despesa da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento e Imaculada Conceição da Quinta do Picado” -1940 até 1975
Livro manuscrito encadernado em cartão e tecido; 32,5x23 cm; 298 folhas. Inicia receita e despesa em 18 de Maio de 1941 e termina em 2 Janeiro de 1975.

12.  “Livro de Receita e Despesa da Comissão de Culto da Capela da Quinta do Picado” -1945 até 1971
Livro manuscrito encadernado em cartão e pele; 33x23,2 cm; 50 folhas; nº4. Inicia receita e despesa em 9 de Setembro de 1945 e termina em 3 de Janeiro de 1971.

Ass. Hugo Cálão Rocha


[1] O levantamento de Inventário da Paróquia de Aradas decorreu entre Julho a Dezembro de 2008. Vd. Cálão, Hugo, Relatório do Trabalho de Inventário do Património Artístico da Paróquia de São Pedro de Aradas, Paróquia de Aradas, 2008. (Policopiado); Base de Dados em FileMaker Pro Adv (total de 646 fichas de inventário: Arquitectura 25; Escultura 94; Pintura 7; Cerâmica 60; Ourivesaria 120; Têxteis 171; Metais 121; Mobiliário 47; Instrumentos musicais 1).
[2] A data, a do ano 969 d.C., aparece-nos referida no Inquérito Paroquial de 1734 dada por equívoco para ano de 979 d.C. Vd. Capítulo 2, Igreja Matriz de São Pedro.
[3] Sobre a temática da produção de fabrico de louça de barro (e barro preto) em Aradas consultar, FERNANDES, Isabel Maria, O fabrico de louça preta no Concelho de Aveiro, 2004.
[4] Esta divisão aparece desde o início da denominação de lugares. Vd. O lugar de Aradas aparece dividido igualmente com a designação de Aradas de Aquém e Aradas de Além; AUC, Livro nº 1 dos Autos do Tombo de Aveiro do Real Mosteiro de Jesus, 1749.
[5] Esquisse d’un tableau chronologique (Portugais et Universel) de l’histoire et de l’histoire de l’art, in XXVI. Congrés International d’Histoire de l’Art, 1949.A Igreja de Santa Cruz de Coimbra estava a edificar-se nesta altura, 1131-1150 d.C., pelo que crêmos que a data apontada por Rocha Madhaíl no Colectânea de
[6] Doc.1 – Vd. Anexo Documental
[7] MADAHÍL, António Gomes da Rocha, Milenário de Aveiro – Colectânea de Documentos Históricos, vol. I (959-1516), p.28; ANTT, Livro de D. João Teotónio, de Santa Cruz de Coimbra, f.38.
[8] Doc.2 – Vd. Anexo Documental
[9] ADPRT, Livro das doações do Real Mosteiro de Santo Agostinho da Serra, 1743, f.19-19v9
[10] “Ordens religiosas em Portugal: das origens a Trento: guia histórico”. Dir. Bernardo de Vasconcelos e Sousa. Lisboa: livros Horizonte, 2005, p.207-208.
[11] Doc.5 – Vd. Anexo Documental; ADPRT/MON/CVSASVNG/001/0015 ,Tombo das Aradas, 1570-1764.
[12] GOMES, João Augusto Marques, O Districto de Aveiro, p. 104; Arquivo do Distrito de Aveiro, vol. XXXV, p.56
[13] AMORIM, Inês, Aveiro e a sua Provedoria no séc. XVIII (1690-1814), -estudo económico de um espaço histórico, M.E. P. e Administração do Território, C.C.R.C., Lisboa, 1997.
[14]Com as alterações do posicionamento da Barra de Aveiro provocado pela movimentação das areias do cordão lagunar irá conduzir, desde a segunda metade do século XVII até ao fim do XVIII,
[15] ADPRT/MON/CVSASVNG/001/0013, Fundo do Convento de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia, Tombo das Aradas nº13, 1729-1730, f.100. D. Francisco de Almada
[16] ADPRT/MON/CVSASVNG/001/0013, Fundo do Convento de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia, Tombo das Aradas nº13, 1729-1730, f.111v. D. Francisco Caetano Cabral Moura e Horta foi proprietário da Quinta do Casal, sobranceira da demolida Matriz de Aradas, Hoje Complexo Industrial da Extrusal e parte do extinto complexo da Empresa de Lacticínios de Aveiro. Vd. 3.4. Capela de Nossa Senhora da Assumpção da Quinta do Casal.
[17] Terras de ração eram todas aquelas que não eram compreendidas nas demarcações dos aforamentos, na sua maior parte incapazes de trabalho imediato, podendo ser matos, pântanos ou areais, mas susceptíveis de cultivo, sobre os quais se lança uma ração.
[18] Sobre esta documentação ver para Aradas, Verdemilho, Bonsucesso e Quinta do Picado, ADAVR, Fundo de Notariado de Aradas, Fundo de Notariado de Ílhavo, Fundo de Notariado de Aveiro.
[19]Vd. Mapa de localização das Igrejas demolidas de Aradas, p.14-15.
[20] Sobre este assunto ver referências de: NEVES, José Pinho das, Aradas – Apontamentos da sua História, in jornal “O Aradas”, publicação trimensal da Paróquia, nº1, 18 de Maio de 1969, p. 3-8; GONÇALVES, António Nogueira, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Aveiro, Zona-Sul, Lisboa, 1959; GASPAR, João Gonçalves, Igreja de São Pedro de Aradas, Ed. da Paróquia de Aradas, 1985.
[21] Doc. 12 - Vd. Anexo Documental.
[22] Arquivo da Casa da Granja em Aveiro, editada em Anexo Documental, in NEVES, Amaro, Barbuda e Vasconcelos – Notável poeta épico, ed. Junta Freg. de Aradas, 2008, p. 107-110. Doc.14 – Vd. Anexo Documental.
[23] Informação Paroquial da Freguesia de São Pedro de Aradas in Arquivo do Distrito de Aveiro, 1956, vol. XXII, pp. 121-123.
[24] ANTT/MP, Memória Paroquial de Aveiro/Aradas, nº44, f.799-820; Doc.19 – Vd. Anexo documental.
[25] Em 1209, Rol das Igrejas do Bispado de Coimbra de Padroado Régio, in MADAHÍL, Rocha, Milenário de Aveiro... op.cit., p.44. Em 1431, Relação das propriedades que o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra tem em Aradas, in MADAHÍL, Rocha, Milenário de Aveiro ... op.cit., p.167
[26] RIBADANEIRA, Pedro, Flos Sanctorum  ... op.cit. 1741, pp.360-362.
[27] Ribadaneira refere como fonte a Cronologia usada no Breviário Romano de Sigebert para o ano de 969 d.C. Em várias obras encontrámos esta fonte referenciada para o mesmo, a saber: TILLEMONT, Louis-Sébastien le Nain de, Mémoires por servir à l’Histoire Ecclésiastique de Six Premiers Siécles, 1699, p.168; CEILLIER, Rémi, Histoire Générale des Auteurs Sacrés et Ecclésiastiques, 1757, p.376; HERTENBERGUER, Conrad, História Sacra e Profana, 1765, p.197; Mémoires de l’Académie Nationale de Metz, ano XIII, 1831-32, p.13. Referem-nos também que Sigebert indica o ano de 969, ano em que Thierri Evsque de Metz, transporta de Florença para a Igreja de São Vicente de Metz o corpo de São Miniat Mártir.
[28] Doc.12 – Vd. Anexo Documental.
[29] AJFA, Livro de Tombo das propriedades e foros pertencentes às Confrarias da Igreja e Freguesia de São Pedro de Aradas, 1747, f.124-125v; Doc.17 – Vd. Anexo Documental.
[30] ADPRT Po 5/ n.º 117, ff. 170-170v; Domingos de Pinho Brandão, Obra de Talha Dourada, etc., II, pp. 196-190; Doc.9 – Vd. Anexo Documental.
[31] O inventário não refere se trata de pintura ou escultura. Apontamos para uma imagem de vulto em pedra calcária hoje colocada na fachada da nova Matriz, visto as imagens colaterais de São Lourenço e São Tomás de Vila Nova, actualmente na Capela de Vilar da paróquia da Glória, também serem em pedra calcária.
[33] Miranda, Luís Souto
[34] ADAVR, Livro de notariado de Aradas de António José das Neves e Manuel Ferreira, nº16-133, f.5-6v; Doc.20 – Vd. Anexo Documental.
[35] RODRIGUES, Alice C. Godinho, Instituições Pias (séc. XVI-XX) em documentação do Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, Coimbra, 1987. Vd: 1804, Junho, 9 – Aradas, Aveiro, Autos de licença de bênção da Capela de São Sebastião do lugar de Aradas, pedida por Miguel Ferreira, Juiz, Luís Gonçalves Neto e Manuel Ferreira, lavradores e outros moradores que contribuíram para a reedificação da Capela. (AUC -Cx II, doc. 1). Manuscrito em papel selado, 21,5x31 cm, caderno cosido com 4 folhas de papel selado e 1 em branco. Bom estado de conservação.
[36] O Concilio de Elvira foi o primeiro Concilio que se celebrou na Península Ibérica pela Igreja Cristã. Aconteceu em Elvira, perto da cidade de Granada, entre o ano 300 e 324 d.C. Este Concilio foi um dos mais importantes na organização cristã da península assistindo 19 bispos e 26 presbíteros. Neste aparece a mais antiga referência no que respeita ao celibato do clero, e temas como o uso de imagens sagradas, baptismo, matrimónio e o cumprimento da obrigação de assistir à missa.
[37] BELLINO, Albano, Archeologia Chistã, - descrição histórica de todas as igrejas, capelas, oratórios, cruzeiros e outros monumentos de Braga e Guimarães, Lisboa, 1900, p.19-20.
[38]Ver Fontes Manuscritas. ADAVR, CNARD / Cartório Notarial de Aradas (1621/04/25-1835/11/07) e PAVR01 / Registo Paroquial (1690/1902 – 137 livros)
[39] ADAVR, Livro de notariado de Aradas de Manuel Soeiro Cardoso, 1659-1660, liv. 03-00, f.13.
[40] Nesta data o culto ainda era prestado na primitiva Matriz de São Pedro de Aradas, perto do Esteiro.
[41] RODRIGUES, Alice C. Godinho, Instituições Pias (séc. XVI-XX) em documentação do Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, Coimbra, 1987, p.189. Vd: 1739, Maio, 18 - Quinta do Picado, Aradas: Autos de sequestro aos bens da Capela de São Benedito do lugar da Quinta do Picado, de que é administrador André Pacheco de Lima, da Vila de Esgueira, por não ter feito as reparações necessárias na respectiva Capela. (AUC -Cx XVI, doc. 41). Manuscrito em papel de linho, 23x31 cm, 4 cadernos cosidos, 93 folhas, sendo 44 enumeradas, 17 numeradas, 7 em branco, com marca de água. Bom estado de conservação.
[42] Bartolomeu Afonso Picado era segundo filho de Bartolomeu Afonso Picado o velho (+1639) e de Bartolomeu Afonso Picado, dito o novo, casou com Maria de Bastos estão sepultados na Igreja Matriz de Esgueira com a inscrição epigráfica seguinte: “Sep.ra de Bartholomeu Affonso Picado, e de sua mulher Maria de Bastos desta villa E de seu Pay e May erdeiros anno de 1624”. Vd.“Picados, Pericões e Migalhas de Aveiro”, in Arquivo do Distrito de Aveiro, Aveiro, 1945, vol. XI , nº42, p.93-99
[43] Manuel Gomes Faia foi baptizado a 21 de Outubro de 1614. Governador das armas das Companhias das Ordenanças de Esgueira ao qual foi passada carta de brasão em 1651 (escudo esquartelado com as insígnias heráldicas dos Faias, Afonsos, Bastos e Feios, diferença uma brica sanguínea e nela um crescente de prata). Casou com sua prima direita D. Isabel de Figueiredo Leão. O seu filho Manuel Gomes de Faia de Figueiredo casou com Maria Coelho tendo deste casamento três filhas: Maria de Leão, Isabel Coelho e Joana. Maria de Leão tendo casado com João de Brito Cação foi mãe de André Pacheco de Lima e de João de Brito e Lima, cavaleiro professo da Ordem de Cristo na Índia e Maria Margarida, freira em Aveiro. Vd.“Picados, op.cit., in ADA, Aveiro, 1945, vol. XI , nº42, p.95
[44] Doc.8. Vd. Anexo Documental
[45] Quinta conhecida desde então como Quinta do Picado e que veio a dar nome ao lugar da freguesia de Aradas onde hoje, e na mesma localização se situa a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Quinta do Picado.
[46]Ver a este respeito fotografia impressa em anexo de imagem do Inventário Artístico de Aveiro de A. Nogueira Gonçalves.
[47] ANTT, Registo de Mercês de D. João V, liv.19, fl.503. A este André Pacheco de Lima, Administrador da Quinta do Picado e sua Capela, neto de Manuel Gomes Feio, foi-lhe passada carta de escrivão de notas em 06 de Junho de 1729;
[48]RODRIGUES, Alice C. Godinho, Instituições Pias (séc. XVI-XX) em documentação do Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, Coimbra, 1987, p.49.
1816, Agosto, 31 – Bonsucesso, Aradas, Aveiro.
Autos de requerimento para edificação, revista e bênção de uma capela com invocação de Nossa Senhora do Bonsucesso no lugar de Arada, pedida pelos moradores do lugar. (AUC- Cx III, doc. 32). Manuscrito em papel de linho, 23x33 cm, 1 caderno com 17 folhas sendo 1 impressa. Mau estado de conservação. Embora descrito em mau estado de conservação, após análise ao referido processo verificámos que se encontra em regular estado de conservação.
[49] QUADROS, José Reinaldo Rangel de, Apontamentos Históricos - Aveirenses Notáveis, Ed. Câmara Municipal, Aveiro, 2000, p.258-259. Este José Barreto Ferraz de Vasconcelos foi o primeiro filho de Casimiro Barreto Ferraz de Vasconcelos e de Angélica Margarida Pereira da Silva Medela, nascido a 21 de Novembro de 1780. Seu pai, Casimiro, era filho de José Barreto Ferraz, cavaleiro da Ordem de Cristo e senhor do Morgado dos Barretos, e de Maria Josefa de Vasconcelos, filha do Dr. Faustino de Bastos Monteiro e de Joana Travassos Vasconcelos instituidores do Morgado do Buragal em Verdemilho. Foi irmão do 1º Visconde da Granja, António Barreto Ferraz de Vasconcelos. Sua mãe, Angélica Margarida, era neta de António da Silva Medela escrivão morador da Quinta da Medela em Verdemilho, filha de João António da Silva Medela, cavaleiro do hábito de Cristo e hábil jurisconsulto. Solteiro e sem descendência, faleceu em Aveiro a 6 de Setembro de 1842.
[50] Doc.10. vd. Anexo documental.
[51] Este Manuel Germano Simões Ratola era filho de Francisco Simões Ratola, professor primário no Bonsucesso. ANTT, RGM/J/181942 Registo Geral de Mercês de D. Luís I, liv. 20, f.148;Doc. Simples; Carta a Francisco Simões Ratola. Jubilação na Cadeira de Ensino Primário de São Pedro das Aradas.19/04/1870. Manuel Germano casou com D. Rufina Amália da Gama Souto, da Quinta do Ribeiro e foram pais do Dr. Alberto Souto,
[52] RODRIGUES, Alice C. Godinho, Instituições Pias (séc. XVI-XX) em documentação do Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, Coimbra, 1987, p.49. 1890, Junho, 24 – Bonsucesso, Aradas, Aveiro.
Requerimento a pedir licença para a reedificação da capela pública do lugar do Bonsucesso, da freguesia de Aradas, pedida pelos moradores do lugar. (AUC- Cx III, doc. 33). Manuscrito em papel selado, 20,5x30,5 cm, 1 folha de papel selado e 2 folhas azuis com marca de água. Bom estado de conservação.
[53]Arquivo da Junta de Freguesia de Aradas - Livro de actas da Junta de Paróquia da Freguesia de São Pedro de Aradas” – 1899 a 1914, Acta de 26 de Dezembro de 1899,  f.6v.
[54]A Irmandade de Nossa Senhora do Livramento e Imaculada Conceição da Quinta do Picado foi dada por terminada em Março de 1975, por não ter havido entre os irmãos, pessoas que quisessem tomar conta de encargos da respectiva mesa e assim continuarem com a Irmandade como refere o tesoureiro José Maria Resende Bastos na última acta registada.
[55] Doc.32 – Vd. Anexo Documental. Inventário por unidade de existência por nós realizado.
[56] Razão pela qual esta quinta ser conhecida também por Quinta de Nossa Senhora do Carmo.
[57] RODRIGUES, Alice C. Godinho, Instituições Pias (séc. XVI-XX) em documentação do Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, Coimbra, 1987, Vd: AUC- Cx IV, doc. 351748, Fevereiro, 15 – Cardosa, Aradas, Aveiro: Autos de licença para a construção de uma capela no lugar da Cardosa, freguesia de Aradas, sob a invocação de Nossa Senhora da Oliveira, sendo suplicantes Manuel da Cunha Rebelo, presbítero do hábito de São Pedro, natural e morador na Vila de Aveiro e António da Cunha Rebelo vigário da igreja paroquial de São Martinho do Bispo. Manuscrito em papel de linho, 20x31 cm, caderno cosido com 9 folhas de papel selado e 35 em branco com marca de água. Bom estado de conservação.
[58] Frei António da Cruz foi vigário da Paroquia de Nossa Senhora da Apresentação de Aveiro.
[59] ANTT, RGM/E/113287, Registo Geral de Mercês de D. Maria I, liv.19, f.144. Foi dada a este Salvador José Joaquim Durão em 25 de Fevereiro de 1786, carta de ofício de Escrivão da Câmara e Almoçatarias de Aveiro.
[60] AUC, Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, Cx IV, doc. 35
[61] MIRANDA, Luís Souto de, Alberto Souto Vida e obra, Aveiro, 1993, p.20. A este respeito ver Quinta da Boa Vista.
[62] QUADROS, José Reinaldo Rangel de, Apontamentos Históricos - Aveirenses Notáveis, Ed. Câmara Municipal, Aveiro, 2000, p.190-192.
[63] MARTINS, David Paiva, Aradas -Um olhar sobre a Primeira metade do Século XX, 2008, p.249. Segundo as actas de Junta de Freguesia de Aradas João Maria Simões de Oliveira ocupou o cargo de Presidente de Junta entre 1 de Janeiro de 1946 e 31 de Dezembro de 1950. Nasceu no Bonsucesso em 1885 e aí faleceu na sua Quinta da Oliveira em 13 de Maio de 1967 onde residia. Foi um dos sócios fundadores da já extinta firma Lacticínios de Aveiro, Lda., onde exercia actividade.
[64] VIDAL, Eneida, Quinta de Nossa senhora da Oliveira ou da Nossa Senhora do Carmo, in Boletim ADERAV, nº12, ano V, Outubro 1984, pp.30-33. Neste artigo Eneida Vidal cita como compra a D. Leopoldina Amélia da Silva Santiago Melício por escritura do notário Francisco Marques da Silva, quinta na altura já em estado ruinoso e entregue à guarda de caseiros.
[65] NEVES, Amaro, Aveiro - História e Arte, p.217; MIRANDA, Luis Souto de; NEVES, Amaro, Judeus e Cristãos-novos de Aveiro e a Inquisição, Ed. Fedrav, Janeiro 1997, p.185-192
[66] NEVES, Amaro, Azulejaria Antiga em Aveiro, p. 78.
[67] SOUTO, Alberto, Aveiro na obra de Camilo, in jornal O Democrata, 1922, nº 746 e 747 e 20 de Novembro de 1943. MIRANDA, Luis Souto de Miranda, Alberto Souto Vida e obra, Aveiro, 1993, p.169.
[68] NEVES, Francisco Ferreira, Genealogia de Famílias Nobres Aveirenses, 1957, p.61-63.
[69] Ver documento integral, em Anexo Documental – Doc.
[70] CARDOSO, Pe. Luís, Dicionário Geográfico de Portugal, Lisboa, Regia Offic.Silviana, 1747, vol. I, p.515. O Pe. Luís Cardoso refere que . Vd. http://de.bnportudal.ptHG254-3/
[71] QUADROS, José Reinaldo Rangel de, Apontamentos Históricos - Aveirenses Notáveis, Ed. Câmara Municipal, Aveiro, 2000, p.190-192. Seus pais tinham comprado a Quinta da Oliveira na Cardosa, lugar de Verdemilho; MIRANDA, Luís Souto de Miranda, Alberto Souto Vida e obra, Aveiro, 1993, p.20.
[72] ACMF/Arquivo/CJBC/AVE/AVE/ADMIN/014, Processo de aforamento do passal de Verdemilho requerido por D. Felicidade Augusta Monteiro Melicio de São Pedro das Aradas. 1914-07-08 a 1914-10-14, Proc. 2292, L. 7, Fl. 145, 1 caixa.
[73] Arquivo Distrital de Aveiro, Livro de Óbitos de S. Miguel e da Glória, Anos de 1787-1859, nº 25, f. 203v; Rangel de Quadros, Aveirenses Notáveis, II, Manuscrito, fl. 187
[74] MARTINS, David Paiva, Aradas -Um olhar sobre a Primeira metade do Século XX, 2008, pp.83 e 263. Segundo as actas de Junta de Freguesia de Aradas Manuel Simões Maia do Miguel ocupou o cargo de Presidente de Junta entre 6 de Janeiro de 1918 e 10 de Julho de 1920. Faleceu de morte súbita em 14 de Outubro de 1949 na Quinta do Ribeiro, junto da Malhada do Eirô em Verdemilho.
[75] MIRANDA, Luís Souto de Miranda, Alberto Souto – Vida e obra, Aveiro, 1993, p.15.
[76] Arquivo da Cúria Diocesana de Aveiro, Aradas, Despacho de 25 de Julho de 1972 do Bispo de Aveiro D. Manuel de Almeida Trindade requerido pelo Rev. Padre Daniel Correia Rama, Prior da Freguesia de Aradas.
[77] ADPRT/MON/CVSASVNG/001/0013, Fundo do Convento de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia, Tombo das Aradas nº13, 1729-1730, f.37v39; Usámos a tradução inclusa no Tombo das Aradas, do traslado efectuado em 1616 pelo Corregedor desta Câmara de Coimbra Simão de Figueiredo Castello Branco. Vd. Documento 6; Vd. Igualmente, Traslado de 1811 em Madahíl, António da Rocha, Milenário de Aveiro – Colectânea de Documentos Históricos, vol. I (959-1516), p.
[78] ADPRT/MON/CVSASVNG/001/0013, Fundo do Convento de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia, Tombo das Aradas nº13, 1729-1730, f.39-39v.
[79] ADPRT/MON/CVSASVNG/001/0013, Fundo do Convento de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia, Tombo das Aradas nº13, 1729-1730, f.40-40v.
[80] ANTT, Livro Nobre de Santa Cruz, f.86v-ss.
[81] ADPRT/MON/CVSASVNG/001/0015 – Tombo das Aradas – 1570-1764, f.19-ss; Por uma questão apenas ilustrativa desenvolvemos e transcrevemos o texto  apenas para os dois primeiros registos, sintetizando a informação para os restantes.
[82] ADPRT/MON/CVSASVNG/001/0013, Fundo do Convento de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia, Tombo das Aradas nº13, 1729-1730, f.34v
[83] AUC, Livro de Devassa do Arcediagado do Vouga, 1650-1656, livº2, III-1ªD-4-4-90, f.152; Os registos para o Arcediagado do Vouga iniciam em 1640 sendo visitada a Matriz de São Pedro de Aradas em 6 de Setembro desse ano sem qualquer informação relevante, AUC, Livro de Devassa do Arcediagado do Vouga, 1640-1644, livº1, III-1ªD-4-4-51, f.120.
[84] AUC, Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, cx. XVI, doc. 41.
[85] Quinta conhecida desde então como Quinta do Picado e que veio a dar nome ao lugar da freguesia de Aradas onde hoje, e na mesma localização se situa a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Quinta do Picado.
[86] Sabe-se que um Manuel Gomes Faia (segundo alguns autores Feio ou Foya) foi dada carta de Brasão em 1651, com as deste apelido e aos Afonsos, Bastos e Feios.
[87] Aguilhada: antiga medida agrária correspondente a cerca de quatro metros quadrados; Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Ed. Temas e Debates, 2000, Lisboa, Tom. II.
[88] ADPRT, Notariado de Vila Nova de Gaia, Livro de notas de João Machado Ribeiro, Po, nº117, ff.170-170v. BRANDÃO, D. Domingos de Pinho, Obra de talha dourada, ensamblagem e pintura na Cidade do Porto, Porto, 1985, vol. II, p.196-199.
[89] AUC, Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, cx. XXII, doc. 30, f.3-6v
[90] ADPRT/MON/CVSASVNG/001/0013, Fundo do Convento de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia, Tombo das Aradas nº13, 1729-1730, f.1-5v.
[91] ADPRT/MON/CVSASVNG/001/0013, Fundo do Convento de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia, Tombo das Aradas nº13, 1729-1730, f.23-27v.
[92] ADPRT/MON/CVSASVNG/001/0013, Fundo do Convento de Santo Agostinho da Serra de Vila Nova de Gaia, Tombo das Aradas nº13, 1729-1730, f.29-29v
[93] Arquivo da Casa da Granja em Aveiro, editada em Anexo Documental, in NEVES, Amaro, Barbuda e Vasconcelos – Notável poeta épico, ed. Junta Freg. de Aradas, 2008, p. 107-110.
[94] Confusão com a data da carta de Foral. – Vd. Documento1.
[95] Supõe-se ser a carta de Foral de 1181.
[96] Frei Filipe da Conceição nasceu em 1634. Era filho de Luís Pinheiro Mariz, escrivão da Câmara de Ílhavo e de Catarina Ransay. Descendia dos Marizes Pinheiros. Em 25 ou 26 de Novembro de 1651 tomou o hábito de noviço, em Lisboa, no Convento dos Remédios, da Ordem dos Carmelitas descalços. No ano seguinte, professou em 30 de igual mês e na mesma casa religiosa, Tinha dezoito anos.
No colégio da sua Ordem em Coimbra, foi lente da Sagrada Escritura, o que muito concorreu para se tornar num orador eminente. Foi Prior nos Conventos de Aveiro, Lisboa, Évora e Santarém. Chegou ao elevado cargo de definidor Geral de toda a Reforma Carmelitana, tanto em Portugal como em Castela. Pregou muitos sermões, mas só publicou um que pregou no Convento de Lisboa, em 19 de Outubro de 1672, na festa celebrada pela beatificação do Papa Pio V. Foi impresso no ano imediato, na mesma cidade e na oficina de Francisco Vilela. Faleceu no mesmo Convento em 3 de Julho de 1708.
[97] D. Anastácia de São José era filha de Luís Pinheiro de Mariz e professou em 16 de Outubro de 1660; não deu dote. Foi uma das primeiras habitadoras de convento das carmelitas de Aveiro, mas ou professou já de idade madura ou já habitara noutro convento antes de vir para ali. Faleceu em 1696.
[98] AJFA, Livro de Tombo das propriedades e foros pertencentes às Confrarias da Igreja e Freguesia de São Pedro de Aradas, 1747.
[99] AJFA, Livro de Tombo das propriedades e foros pertencentes às Confrarias da Igreja e Freguesia de São Pedro de Aradas, 1747.
[100] AJFA, Livro de Tombo das propriedades e foros pertencentes às Confrarias da Igreja e Freguesia de São Pedro de Aradas, 1747, f.124-125v
[101] ANTT, MP, Memória Paroquial de Aveiro/Aradas, nº44, f.799-820.
[102] ADAVR -
[103] AUC, Cabido e Mitra de Coimbra, cx. II, doc. 1.
[104]AUC, Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, cx., doc.
[105]<!--
[106] AUC, Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, cx. II, doc. 2.
[107] AUC III/1D/14/2/37, Convento da Madre de Deus de Sá de Aveiro, Livro de cobrança de foros pagos em géneros ao Convento da Madre de Deus de Sá de Aveiro, 1833. Contém informação de 1808-1872.
[108]AUC, Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, cx. XXII, doc. 31, f.2-3.
[109] AUC, Cabido e Mitra da Sé de Coimbra, cx. XXII, doc. 33, f.11v.
[110] AHMA,
[111] AHMA,
[112] Arquivo Histórico Municipal de Aveiro,
[113] Registo dos livros e documentos (manuscritos) do Fundo Documental da Irmandade de Nossa Senhora do Livramento e Imaculada Conceição da Quinta do Picado, existentes actualmente em depósito na casa do último secretário Sr. Magno Ferreira sita na rua dos Louros, nº163, do Lugar da Quinta do Picado.